Artigo de Opinião

Além de opinião, aqui também tem crônica

(Imagem Ilustrativa)

Comecei a me apaixonar pela produção de crônicas. Para quem não sabe, a crônica no mundo jornalístico se caracteriza como uma narração curta dos momentos do dia a dia. No Brasil, a crônica tornou-se um estilo textual bem difundido desde a publicação dos “Folhetins” em meados do século XIX. Descobri a paixão por esse tipo de produção de texto nas aulas da faculdade, e quero, de primeira mão, apresentar um fato cotidiano que engloba a minha pequena produção:

“A pressa significava ‘não precisamos nos molhar!’. Guarda-chuva, toucas e até um papelão serviam de proteção para a forte chuva que caia no momento. Alguns encurtavam o caminho e paravam no primeiro bar que encontravam, porque claro, o som das batidas da mesa de sinuca era como se fosse um chamado para perder alguns minutos ali até a chuva amenizar.

Os entulhos acumulados davam um ar de inovação, e todos aqueles carros brancos estacionados ficavam ainda mais ambientados com as alterações que estavam acontecendo. Sinceramente, fiquei com pena dos proprietários daquelas duas motos molhadas no estacionamento.

Os dois meninos encostados na porta, que aparentavam não ter mais de 20 anos, pareciam nervosos. Conversando, eles estavam crendo que algum deles era daltônico. ‘Você tá vendo diferente o que eu tô vendo’, indagavam com argumentos um tanto quanto criativos. O porteiro, assim como eu, apenas observava, rindo da situação da forma mais pacata possível.

Mesmo com a diversidade e as inclinações daquele espaço consumido por novas construções, o lugar parecia o mesmo de sempre em dias de chuva: pessoas passando de pressa com cabelos, sapatos e roupas molhadas. Os pés de palmeira balançavam no ritmo do vento, e aquela goteira, que parece estar há anos naquele mesmo lugar, derramava a chuva que fazia um bom tempo que não caia na região.

Apenas uma coisa me preocupava: e se o jogo de sinuca tivesse como regra de pontuação as cores da bola, será que aqueles amigos ‘daltônicos’ iriam se acertar?”

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