Histórias de Terra e Céu

Almas gêmeas…

Imagem Ilustrativa

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O céu é apaixonante… Se você achar um lugar escuro hoje à noite e olhar para o firmamento de São Mateus, verá uma quantidade grande de estrelas brilhantes. Mas isso não ocorre o ano inteiro! As noites do verão e do início do outono mostram 22 das 30 estrelas mais brilhantes que existem no céu. Mas hoje vamos falar sobre duas estrelas especiais, que podem ser vistas do anoitecer até às 22h, quando se põem no horizonte Noroeste.

Antes de continuarmos nesta conversa, me deixe lembrá-lo, amigo leitor, que os gregos e romanos que mapearam nosso céu não tinham computadores, videogames, internet e Facebook. Então, você imagina qual era a grande diversão noturna deles? Tudo bem, os gregos gostavam de umas festinhas picantes e os romanos se divertiam matando cristãos, mas isso só quando o céu estava nublado…O que animava mesmo a vida deles era olhar para as estrelas! E rapidamente lhes chamou a atenção aquelas duas estrelas de brilhos semelhantes, que estavam muito próximas no firmamento.

Foi assim que estas estrelas receberam os nomes de Pollux e Castor, os gêmeos da mitologia grega. Pollux fica a 33,7 anos-luz da Terra, e Castor fica a 51,5 anos-luz. Podemos dizes que são vizinhas do nosso Sol, mas estamos falando de uma distância de cerca de 500 trilhões de quilômetros!!! Castor é um sistema sêxtuplo, ou seja, apesar de vermos apenas uma estrela, existem ali seis estrelas compartilhando o mesmo local no espaço. E Pollux também não está sozinha, mas não trata-se de outra estrela… Em 2006 foi descoberto um planeta com 2,3 vezes a massa de Júpiter girando ao redor de Pollux.

Na mitologia grega, Zeus, o deus dos deuses, apaixonou-se pela mortal Leda. Deste amor foram gerados dois meninos gêmeos: Pollux e Castor. Mas os dois tinham personalidades muito distintas: Pollux era um guerreiro e adorava se meter em encrencas, enquanto Castor era mais calmo e gostava de domar cavalos. Outra diferença dos dois era ainda mais importante: Pollux havia herdado a imortalidade do pai, enquanto Castor era mortal, como a mãe. A lenda conta que, já crescidos, Pollux se complicou em uma de suas tantas lutas e Castor, mesmo sendo pacífico, foi tentar salvar o irmão e acabou morrendo… A tristeza e o remorso tomaram conta de Pollux, que implorou a Zeus: pediu que o deus tirasse a sua vida e devolvesse a do irmão. Zeus teria ficado tão comovido com o amor daqueles irmãos que resolveu o seguinte: durante o dia os dois viveriam juntos na Terra, e durante a noite, os dois estariam juntos no céu, na forma daquelas belas estrelas que conhecemos… Assim teria nascido a constelação de Gêmeos (que dá origem ao signo que leva este nome).

Então, amigo leitor, quando olhar para o céu e encontrar estas duas estrelas, tão parecidas e tão próximas, lembre que para os gregos elas eram almas gêmeas, símbolos de um amor que é mais forte que a morte.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
Astrônomo Amador
gersoncesarsouza@gmail.com

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