A Igreja Matriz de São Mateus do Sul apresenta várias características arquitetônicas que lhe conferem um visual exclusivo e repleto de tradições. (Fotos: Éber Deina/Gazeta Informativa)

A prática religiosa está rodeada de simbolismo e tradições, aspectos que são transmitidos através da pregação e da fé ao longo dos anos. Essas características refletem muito da própria história das religiões, pois esses costumes remontam de hábitos que surgiram há centenas ou milhares de anos atrás. Ao longo do tempo muitas dessas tradições passaram pelo crivo da memória e da transmissão de informações, processo que pode levar à perpetuação das práticas, mas também ao esquecimento.

O altar da Paróquia São Mateus, uma das unidades representantes da fé católica em nosso município, contém uma pequena caixa localizada na parte central. Ali estão armazenadas algumas relíquias muito importantes para a Igreja, que além de possuírem um valor histórico muito grande, também são artefatos símbolos da fé e da perseverança almejada por todos os fiéis. Conheça abaixo a história e a importância desses objetos.

De onde vem a tradição das relíquias?

De acordo com o Padre José Carlos Emanoel dos Santos, responsável pelas celebrações na Paróquia São Mateus, a tradição das relíquias denota aproximadamente dos primeiros séculos depois de Cristo. “As relíquias são objetos ou fragmentos deles, que pertenceram a um santo ou tiveram contato com seu corpo. Isso inclui desde ossos, até pedaços de tecido relacionados às santidades. No século III d.C. os altares eram representados pelas lápides dos mártires católicos e a Eucaristia era realizada ali. O altar significa sacrifício e refeição”, esclareceu o padre.

As relíquias ficam localizadas na parte central do altar e são iluminadas pelos antigos vitrais contidos na Paróquia São Mateus.

As relíquias passaram a representar o sacrifício daqueles que deram sua vida pela comunhão e pela fé em Jesus Cristo. Isso se tornou uma tradição comum em várias igrejas, sendo possível ainda hoje encontra-las depositadas no altar de vários templos. Conforme depoimento do Padre José Carlos, pouco se sabe sobre a data exata e o momento no qual esses artefatos são fixados nos altares, mas o fato é que eles são símbolos dessa antiga tradição.

As relíquias do Santos Inocentes

Uma parte dos objetos que está depositada no altar da Paróquia São Mateus, é um conjunto de fragmentos de ossos. “Chamamos esses fragmentos de relíquias dos Santos Inocentes, pois esses pedaços de ossos são de crianças. Essas crianças foram mortas antes de completar dois anos de idade, na busca desenfreada feita por Herodes a fim de encontrar e matar o Messias, Jesus Cristo”, revelou o padre José Carlos. De acordo com ele, cerca de 30 a 40 crianças foram mortas na época, cuja memória é celebrada no anualmente no dia 28/12.

As relíquias de Santa Tecla

O Padre José Carlos também revelou em depoimento, a natureza da segunda parte das relíquias, contidas no mesmo pequeno baú. “Santa Tecla foi a primeira mulher mártir da nossa Igreja e é chamada de Padroeira dos Agonizantes. Ela foi convertida pelo apóstolo Paulo e passou por muitas privações e sofrimentos para afirmar sua fé em Cristo. Essas tribulações fizeram com que ela se tornasse símbolo no amparo daqueles que passam por algum sofrimento ou necessidade”, destacou ele.

Anualmente, no dia 23/09, a memória da Santa é celebrada. Alguns fragmentos de seus ossos estão reunidos na pequena caixa que protege as relíquias no altar da Igreja Matriz. O padre esclareceu que apesar da troca do altar antigo, que foi realizada há poucos anos atrás, os fragmentos devem ser transportados e permaneceram no altar novo, pois estão vinculados à Igreja e não apenas ao objeto.

A transmissão da fé

A presença das relíquias em muitos altares é um fato desconhecido, inclusive por grande parte dos fiéis. “Esses pedaços de objetos representam muito da história da fé cristã e do Cristianismo em si. É muito importante que isso seja de conhecimento das pessoas e é nossa parte fazer essa orientação. Isso deveria até ser incluído na Catequese, para que também falemos à juventude, trabalhando na preservação dos costumes históricos e da fé que nos move”, finalizou o Padre José Carlos.

A troca de altares não impede que as relíquias permaneçam na paróquia onde foram depositadas.

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