Educação e Cultura

Alunos promovem passeata em São Mateus do Sul

Fotos: Thaís Siqueira/Gazeta Informativa

Uma passeata aconteceu na segunda-feira, dia 04 de maio, em São Mateus do Sul. Segundo Daniela Gehlen dos Santos, professora de Português e Inglês no Colégio Estadual São Mateus e Colégio Estadual Profª Orlanda Distefani Santos da Vila Palmeirinha, a passeata foi promovida e organizada por estudantes da rede estadual do município. Participaram do movimento estudantes, pais de alunos e professores. Daniela conta que o motivo da passeata foi o apoio aos professores que sofreram no dia 29 de abril uma repressão brutal da polícia em Curitiba (PR). “O objetivo da passeata foi manifestar o repúdio ao massacre que ocorreu em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) no qual professores foram humilhados fisicamente e moralmente pelo governo do estado”, comenta Daniela.

Para Daniela, a passeata estava linda e organizada. “Os alunos demostraram maturidade em propor uma manifestação apartidária. Isso comprova que ao contrário do que alguns possam pensar, nossos jovens são sim conscientes dos seus direitos e deveres. É isso que faz a nós professores e toda sociedade, continuarmos a acreditar em um futuro melhor”, completa.

Liliane Franco Santa Ana, Professora/Pedagoga, que atua como professora no Colégio Estadual do Campo do Lajeado e como Pedagoga no Colégio estadual do Campo Eugênio de Almeida, diz ter achado emocionante e de grande importância a passeata realizada pelos alunos. “Gostaria de ver mais adesão por parte de nossa comunidade, pois a educação é assunto para todos discutirem não só quem está trabalhando nela”, opina Liliane.

Percurso
A passeata aconteceu com faixas, flores e música simbólica: “Pra não dizer que falei das flores” de Geraldo Vandré. Teve início às 17h, na Av. Ozy Mendonça de Lima em frente à Rodoviária, passando pelas ruas Luís Damaso Santos Lima, João Gabriel Martins, subindo pela Teodoro Toppel, em seguida pela rua Dr. Paulo Fortes, para novamente passar pela Luís Damaso Santos Lima e Av Ozy Mendonça de Lima, finalizando na praça em frente à Igreja Matriz São Mateus.

Conforme a professora Daniela esse trajeto foi feito para que todos passassem em frente aos colégios do centro da cidade: Colégio Duque de Caxias e Colégio São Mateus, onde nesses dois locais aconteceram uma parada onde os alunos proferiram algumas palavras em homenagem aos professores e de esperança para que o momento em que vivem hoje, possa trazer mudanças para o futuro da educação.

Além disso, deixarem nos portões dos colégios, algumas flores, que de acordo com os alunos organizadores da passeata, representam a esperança que se tem em um futuro melhor sem violência. As flores eram de plástico, pois assim como a esperança elas não morrem. “As flores representam a resposta às armas que o Beto Richa usou contra nós no último dia 29. Nossa luta é de paz, fomos massacrados cruelmente sem termos como nos defender, nossa defesa é o giz e os livros”, argumenta Liliane.

O atual governo
De acordo com Liliane, o atual governo tem desrespeitado os profissionais não só da educação como todo funcionalismo público, como ela mesmo relata: “É um governo que tem demonstrado ser extremamente ditador, tentando impor seus objetivos a todo custo, mesmo que isto afete negativamente milhares de pessoas. A educação deve ser prioridade de um governo, ele não pode tratar-nos como despesa, uma nação, um estado só se faz e só progride quando há investimento na área educacional, e não estamos vendo isso aqui no Paraná. Eu não diria que esperamos um milagre, mas esperamos justiça, o que o governador Beto Richa fez com o nosso fundo de previdência é injusto e ilegal, tentando jogar a nós a responsabilidade dos erros administrativos e econômicos dele”.

Segundo Angela Simone Siqueira Panek, professora pedagoga do Colégio Estadual São Mateus, o atual governo quebrou o estado já no primeiro mandato. “Tudo isso, com a compra da mídia (com dinheiro público), e com mentiras, infelizmente a maioria dos paranaenses o reelegeu. Hoje o governador age como um adolescente que não teve limites na infância e para cobrir o rombo de sua má administração, ignora os direitos dos servidores, consegue passar sobre as leis que protegiam o dinheiro da Previdência. No dia 29 de abril, enquanto massacravam nós professores, em frente a ALEP, os deputados estaduais aprovaram o projeto de lei nº 252/2015. A proposta modifica a ParanáPrevidência e entre outras coisas, o projeto abre as portas para que o governo do Estado retire, do Fundo Previdenciário, cerca de R$ 142 milhões por mês. Dinheiro suado das contribuições do funcionalismo estadual, dinheiro descontado mensalmente de nossos salários e que nos assegurava uma futura aposentadoria”, desabafa Simone.

Ainda segundo Simone, o descaso do governador Beto Richa com a educação não atinge somente os professores, mas a qualidade da escola pública. “Porque em sua gestão, agora preocupada em ‘tapar o rombo’ que promoveu nos cofres públicos, resolveu diminuir as despesas do estado cortando funcionários nas escolas, número de turmas, corte de verbas, ou seja, o povo paga a conta. Em contrapartida aumenta seu salário, que hoje é o maior do Brasil. Não cortou nenhum das centenas de cargos que criou em seu governo e é claro nenhuma mordomia foi retirada de ‘seus deputados’, dos quais depende para aprovar suas atrocidades. Mas como professores, fortalecemos nossa esperança de que nossa luta sirva para que nunca mais precisemos passar por isso, não esperamos um milagre, porque quanto aos quatro anos de mandato que já passaram não podemos fazer mais nada, quanto a esses quatro que ainda vamos ter que passar, estaremos lutando. Mas que sirva para que a sociedade possa abrir os olhos para o futuro político onde esperamos que a qualidade da educação deixe de ser utopia, tornando-se concreta e real”, conclui.

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