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AMOR: segredo para manter relação por mais de 75 anos

Casal subiu ao altar em 1940 e mantêm-se firme na aliança firmada desde então (Foto: Emmanuel Maciel)

Ele 96 anos completados no mês de julho (dia 17) e ela prestes a alcançar a marca de 91 anos de idade, em 1º de novembro. Aleixo Rodrigues de Lima e Maria Leal de Lima estão juntos há quase 76 anos, pois subiram ao altar em 21 de outubro de 1940. O segredo da união que totaliza 27.317 dias se explica com, apenas, quatro letrinhas: amor.

Os dois vivem, desde que nasceram no interior de São Mateus do Sul – na lida do campo. O irmão de Aleixo, Ozy Mendonça de Lima, empresta o nome para uma das ruas centrais do município: avenida principal.

Namoro supervisionado – o começo

Aleixo e Maria, no final da segunda década do século passado, tiveram seus destinos cruzados e convergidos para um lugar em comum: festa de igrejas em Faxinal (interior de São Mateus). Ambos eram de famílias conhecidas e, nessas festividades religiosas, a futura cunhada de Ozy Mendonça de Lima acompanhada das irmãs, acabou por encontrar com o homem com quem, futuramente, subiria ao altar da capela no Caitá.

Apesar de não haver postagens em redes sociais na época, esse fato é presente na memória de ambos, contada aos descendentes e reportada nessa matéria. Pois, obviamente, a sociedade desse período vivia num outro tipo de costume. Os tipos de namoro eram muito mais recatados.

Para Aleixo era permitido frequentar salões de bailes na época. Para moças, no caso de Maria, com 16 anos completos: não. Estar na casa da namorada era a principal forma de conhecer a futura esposa, bem como sua família. Talvez a única. Mas nem sempre era necessário pedir a mão em casamento!

Protocolo familiar – o pedido

O namoro começou, com frequência do namorado na casa da futura esposa. Mas antes de Aleixo pedir a mão de Maria em casamento e rumar à capela, apareceu o papai… Dele! Seu pai se dirigiu até a casa dos pais da então namorada do filho e questionou os sentimentos. Quando a namorada confirmou que realmente havia amor no relacionamento, ele disse que deveriam se casar de imediato.

Aleixo confessa que essa era sua vontade: pedir a mão da sua amada em casamento, mas o pai dele se adiantou e afirmou que deveriam se casar! De certa forma, o acompanhamento das famílias, bem como as tratativas de casamento eram normais serem decidas em conjunto. Há quem diga que a autorização do pai era sagrada, especialmente para as mulheres. A construção de um lar começava na família.

A prova de fogo – formigas

Conta a lenda, talvez comprovada pelo chinelo usado no dia do casamento, que para evitar o destino de servir o exército Aleixo decidiu adotar uma técnica inusitada: colocar o pé no formigueiro. Ai você se pergunta, mas o que tem a ver formigas, casamento e exército? Para o casal são os elementos que selaram a aliança!

A tática de fugir das forças militares, antes da ida dos brasileiros para combate na Europa da 2ª Guerra Mundial, funcionou. Aleixo ficou com seu pé inchado de tantas picadas de formiga e conseguiu a dispensa. Em seguida, mesmo de chinelo, pela impossibilidade de calçar sapatos no pé ferido pelas formigas, ele disse sim para Maria.

A festa e o cortejo

Maria seguiu numa carroça enfeitada com flores brancas, guiada pelo futuro cunhado Ozy Mendonça de Lima (com 14 anos na época) que conduzia cantarolando. O cortejo foi seguido por várias carroças de Faxinal dos Elias até a capela e a celebração teve presença de padre, bispo e juiz de paz.

Caitá: localidade da igreja que recebeu os noivos para a celebração religiosa. Ela ainda não havia completado 16 anos e, somente, meio ano depois pôde se casar no civil. Após o enlace estar constituído diante do padre, familiares e testemunhas, a festa contou com almoço e jantar aos convidados.

Depois o baile, certo? Errado, ainda não foi dessa vez que Maria desfrutou da dança. Numa demonstração de respeito (mais uma da estória) não teve baile, pois a irmã dela havia falecido há pouco tempo e, o pai da noiva sabiamente, não permitiu que se fizesse o bailão de casamento.

Diferenças e permanências

Se por um lado o novo casal detinha poucos recursos, por outro consagrou uma vida digna e feliz. Num tempo em que era possível confiar na palavra honesta das pessoas, segundo eles. Diferente da vida atual que os entristece pela violência e doenças.

A época da juventude de Aleixo e Maria foi marcada por um tempo em que tudo era mais sadio, o respeito entre as pessoas era levado a sério, assim como filhos, casamentos, etc. O entendimento deles é de que jovens são pais muito cedo e a responsabilidade não é mais levada à risca.

Exemplificando o que é ser responsável e consistente, Aleixo e Maria formam um grupo familiar maior que a idade de qualquer um deles: 109 pessoas na árvore genealógica. O casório gerou 13 filhos, 43 netos, 48 bisnetos e cinco tataranetos.

Trabalho e superação

Enquanto a mulher cuidou dos afazeres domésticos, e dos filhos que foram sendo gerados, o marido se dedicou às plantações, criação de gado e cultivo de erva-mate. Tudo na localidade de Caitá, interior de São Mateus do Sul.

Da mesma forma que cultivaram o amor, a produção do alimento para sustento familiar vinha do trabalho no meio rural. Sem abusos? Nem sempre, pois Aleixo e Maria atestam que sempre se alimentaram de carne com muita gordura, mas exames de colesterol, entre outros, não acusam qualquer irregularidade.

Para eles, o amor de um para com o outro é fator preponderante e é de fato o grande segredo para superar todas as barreiras. O companheirismo e o cuidado contínuos, sempre, os fez seguir avante. A fé depositada em Deus os faz crerem que o Todo Poderoso iluminou em todos os momentos, dando amparo necessário em momentos difíceis, pois viram filhos, netos e genros morrerem antes deles. Disso a importância do conforto Divino.

Mesmo sem as redes sociais presentes no início do relacionamento, a memória do casal é muito mais que um símbolo aos descendentes e sociedade. Merece ser compartilhada por todos e é um grande exemplo, alicerçada simplesmente na união de quatro letras: Amor. Iniciando com A (de Aleixo) e M (de Maria). Completados por O (de orgulho para todos) e R (de relacionamento já eternizado).

Jornalista (MTB 7597 DRT/PR), formado pelo Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), pós-graduado em História e Cultura pela Unespar – campus de União da Vitória e Licenciado em História pela Unespar – campus de União da Vitória.
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