(Imagem Ilustrativa)

Diante de onde eu moro e trabalho, do outro lado da rua tem um terreno baldio sempre limpo e junto a ele tem duas árvores que no passado foram drasticamente podadas, mas sobreviveram. Em uma delas há um singelo balanço de corda, que é muito utilizado.

Falando nisso, me recordo da infância, pois na casa dos meus pais em Curitiba, ainda existe um balanço de estrutura de ferro, que deve ter quase 50 anos, 45 anos eu garanto que tem. Por vários anos teve a companhia de uma gangorra, mas há muito ela se foi. Meus filhos e sobrinhos brincaram nesse balanço também. Há algumas semanas, na Páscoa estive visitando minha mãe e irmãos, e fiquei um bocado de tempo observando o balanço e quantas recordações vieram. Onde estariam todos os amigos que também se divertiam ali juntos. Dois balanços e uma gangorra eram capazes de fazer a alegria de muitas crianças e a algazarra era grande. Meu pai não era muito fã de crianças dentro de casa, do lado de fora para ele era satisfação. Coisas simples proporcionavam uma grande alegria, por exemplo, a casa tinha uma enorme garagem que caberiam uns três carros, o engraçado era que meu pai não dirigia e nem tinha carro. O piso era daquele chamado “vermelhão”, e minha mãe com sua mania de limpeza fazia eu e meus irmãos varrer todo dia, às vezes mais de uma vez. Mas geralmente no sábado pela manhã era dia de festa pra nós, pois reunia aquela piazada pra lavar essa calçada, e lá ia uma caixa de sabão em pó ODD, e a garagem virava a coisa mais lisa possível e todo mundo escorregando, batendo cabeça, deslizando e rodopiando pelo piso ensaboado, ou seja era a maior diversão e algazarra. Muitas recordações.

Aqui na rua é um agradável silêncio, que por vezes é quebrado por barulho de carro passando, outas vezes as curucacas que gostam de terreno baldio e sua grama, alguns pássaros que cantam por perto, cachorros latindo. Mas nada supera os gritos e risadas das crianças brincando nesse balanço. O que o excesso de tecnologia tirou das crianças, esse divertimento e tantos outros, quisera que essas crianças tivessem alguém para lhes mostrarem esses outros divertimentos simples e o quanto poderá fazer falta no futuro, a ponto de ficar imaginando quantas crianças nunca brincaram numa gangorra, mas são feras nos jogos dos celulares e vídeo games. Se não bastasse a tecnologia, ainda temos o Covid complicando ainda mais as coisas. É claro que os tempos são outros, mas algumas coisas não deveriam se perder, e essas brincadeiras farão tanta falta, seja pela saudade que deixou ou pela ausência de não as ter vivido.

Vendo esse balanço com assento de taboa na árvore, que sempre tem visitante, mas em especial um trio que sai do colégio e sempre bate ponto uns minutos ali. Talvez estudem juntos, mas diariamente arranjam assunto para conversar junto ao balanço e se revezam em balançar um pouco. Não sei há quanto tempo fazem isso, pois há poucos meses moro aqui nessa casa, mas espero que esses 10 ou 15 minutos diários, sejam lembrados com muito carinho daqui há 20, 30 ou 40 anos, e se lá ainda houver balanço, lembrem-se um dos outros amigos, e queira Deus saibam uns dos outros que estão bem.

Voltando ao velho balanço da casa dos meus pais, ele me faz vir a mente uma frase de Drummond, que carrega uma verdade dolorosa, “Nada mais triste que um brinquedo não brincado”.

Hugo Lopes Júnior
Últimos posts por Hugo Lopes Júnior (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Apenas um torcedor nato
Pequeno gesto de grande valor
Escrevendo à mão