(Imagem Ilustrativa)

São Mateus do Sul conta mais de 100 confirmações de COVID-19 e três mortes. Quando foram surgiram os primeiros casos do vírus no Brasil, uma série de medidas foram adotadas no município, como o fechamento do comércio em meados de março e da determinação do uso de máscaras. O prefeito se fazia presente em declarações públicas com frequência, até que se confirmaram os primeiros casos no município. Conforme a situação da pandemia se interiorizava no Paraná e, consequentemente, aumentavam as confirmações em São Mateus do Sul, as aparições públicas do prefeito foram sendo substituídas pela presença cada vez maior do secretário de saúde do município, que sequer tem conhecimento científico na área da Saúde – o que poderia justificar seu maior engajamento. É claro, preocupo-me também com a saúde do prefeito, que não deve ter sumido por nada; realmente espero que esteja bem.

Mas também não se pode esquecer que ele foi eleito pelo povo e deveria deixar evidente que está à frente dos trabalhos. Por outro lado, o chefe do Executivo faz bem em se distanciar dos holofotes, assim evita despertar a contrariedade de potenciais eleitores que têm desapreço por medidas de segurança a serem tomadas. Tudo isso me faz lembrar da comédia Apertem os intos, o piloto sumiu! (1980), piloto e copiloto de um avião lotado desmaiam e a condução da aeronave fica a cargo de tripulantes sem conhecimento e um passageiro. Como no filme, uma série de soluções dignas de um roteiro pitoresco e escrachado são apresentadas, como ter comprimidos de cloroquina à disposição de médicos que a queiram receitar.

Para não ficar apenas no exemplo da cultura popular, no século XVI Nicolau Maquiavel citava em O Príncipe que o governante perspicaz deveria designar ministros para tomar medidas que poderiam ser mal recebidas, assim resguardaria sua reputação perante os súditos. O grande problema é que no caso de uma pandemia, postura assertiva deve ser tomada. Conforme aumentam os casos, mais se relaxam as medidas de prevenção, algo que parece também ser epidêmico pelo país.

É importante, claro, ressaltar que a saúde pública jamais pareceu ser prioridade na terra da erva-mate, uma vez que contando mais de 40 mil habitantes, não conta com um leito de UTI sequer. Enquanto isso, o poder público municipal decide investir o dinheiro do contribuinte em asfaltar o asfaltado – o que é comum em ano eleitoral – afinal de contas, com asfalto novinho em folha nenhuma emergência de saúde acontece. Podem se defender dizendo que as obras já estavam programadas desde antes da pandemia, mas isso apenas reforça o ponto levantado, de que a saúde nunca foi prioridade. Seria muito esperar algo diferente agora.

Texto enviado por Alexandre Douvan

Leitor

Leitor

Você gosta de escrever e também quer colaborar? A Gazeta Informativa está aberta para receber conteúdo de todos os autores que desejem enviar seus textos. Basta enviar seu texto + fotos para o e-mail contato@gazetainformativa.com.br que, se aprovado pelo jornal, será publicado. Ao enviar sua colaboração, você está cedendo os direitos de publicação em meio impresso e digital.
Leitor

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Mulheres agricultoras: EMPODERADAS ou CERCEADAS?
Sabotando o MEIO ambiente ou o ambiente INTEIRO?
A necessidade do jornalismo