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Apoio familiar é melhor forma de superar depressão pós-parto

Foto: Gazeta Informativa

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Uma mulher atinge o ápice do ‘ser mulher’ – pelo menos para muitas – e realiza o desejo de ser mãe, contudo o semblante não está feliz. Encontra-se triste, mal-humorada, questiona seu próprio desejo, sente a sensação de abandono, culpa, cansaço e vontade intensa de chorar, entre outras coisas.
Esses são alguns dos sintomas da doença descrita como depressão pós-parto. Emoções fortes, o chamado “baby blues” após dar à luz para uma nova vida são consideradas normais. Um período de carência incide sobre as novas mamães que estão a se acostumar com essa nova realidade, bem como as novas responsabilidades. O problema é quando isso permanece, de forma prolongada.

Extensão da gravidade

A situação pode ser considerada mais grave, clinicamente, quando isso ocorre por maior período, sendo denominada depressão pós-parto. Nesse contexto pode surgir o sentimento de querer evitar a presença do bebê, rejeitá-lo ou, até, prejudicá-lo. Logo após o nascimento da criança, os sintomas podem surgir, ou ao longo de até um ano do parto. As causas disso são bem subjetivas, variando de uma mãe a outra, inclusive históricos familiares de depressão podem ser indícios de contrair a patologia.

A médica ginecologista e obstetra, Ademari de Mattos Leão, de União da Vitória, entende que o quadro clínico tem desdobramentos. “Pode ter duas formas: existe aquela depressão mais comum de tristeza, pensamento negativo, dificuldade de se cuidar, de sair da cama. Mas quando se fala da depressão na psiquiatria é aquela coisa mais forte que requer mais cuidados”, esclarece. Nesse caso pode causar até um infanticídio. “Ela pode não responder por si. A mãe pode não ter noção do que está fazendo.”

Recuperação e superação

Claro, como a maioria das doenças que assombram o mundo, a depressão pós-parto tem solução. De certa forma, o carinho e apoio do pai e toda família da nova mãe são remédios psicológicos eficientes e importantes. O fato de o esposo estar junto, confiando, apoiando e ajudando é motor para a superação, independentemente do grau da depressão. Mesmo sendo uma carícia momentânea o conforto familiar é primordial nessa hora.

O nascimento do filho muda a estrutura química do cérebro, da mesma forma que acontecimentos casuais, como morte repentinas de pessoas próximas, jogam fortes doses de emoções sobre os envolvidos. Junto disso, fatores hormonais podem contribuir, mexendo com as emoções e o humor da mulher. Disso, certo descontrole por curto espaço temporal é visto como anomalia mais branda e, também, mais fácil de vencer. Podendo até ser avaliada como consequência normal.
Sintomas e tratamento

Como terapia de recuperação, o apoio da família é fundamental, no entendimento da médica. “Uma tristeza normal perdura por até uns dez dias, a partir do parto. Uma canseira é considerado normal, nesse período”, explica Adamari. “Quando passa dos dez dias é fundamental procurar tratamento e fortalecer o apoio da família.”

A médica orienta quais os indícios que servem de alerta para a família suspeitar de que a nova mãe está com depressão. “Tristeza, a paciente chora e não sabe porque está chorando. Ela se sente culpada, apesar da família estar bem. Ela não dorme, apesar da canseira. Podendo até rejeitar a criança.” A indicação da ginecologista e obstetra é de que, sendo observados esses sintomas a partir dos dez dias do parto, o fundamental é buscar orientação médica.

Outro quesito comprovado cientificamente é de que muitas mulheres correm maior risco de depressão em determinados momentos, como puberdade, durante e a pós uma gravidez, e durante a pré-menopausa.

História e testemunho real

A jovem de São Mateus do Sul, Barbara Gomes dos Santos tem 21 anos e junto do marido Misael tornou realidade o sonho de ser mãe. Com o nascimento do 1º filho ela passou por cesariana, apesar do desejo de seguir para o parto normal, sendo contrariada. No seu relato, e da mãe Jucélia, o médico que auxiliou no nascimento foi indelicado e insensível com ela. Enquanto isso, a filha passou pela mesa de parto, chorando ‘o tempo todo’.

O marido conta que, após o nascimento e o retorno para casa, a esposa intercalava quadros de choro, mesmo em momentos felizes, se sentia sozinha, mesmo acompanhada e sofria para amamentar. Achava que não estava sendo uma boa mãe, se sentia solitária, além de outros sintomas.

Esse mal-estar perdurava até em momentos de felicidade da família. A nova mãe se queixava de dor, tinha dificuldade de amamentar e não queria segurar o bebê. Depois de certo tempo negando, Barbara acabou admitindo que estava depressiva. O pai estava receoso de que a mulher viésse a recusar o filho.

Contudo, Misael apoiou a esposa que, ao conscientizar-se da doença, buscou conhecimento sobre o quadro em que estava e, aos poucos, foi recuperando a auto-estima e o ânimo.

Novo tempo, de felicidade!

“Então, não existe sensação melhor que acordar pela manhã e ver o sorriso do meu bebezinho me esperando para pegá-lo. Está sendo maravilhoso! Hoje eu percebo que nasci pra ser mãe. Meu esposo está muito feliz, ele me ajudou muito e estou completamente recuperada. Quando eu lembro do nascimento do Lucas, eu fico triste pelo que ocorreu, parece que o primeiro mês dele é uma página escura da minha vida. Estou tentando apagar as lembranças, mas hoje elas não afetam meu relacionamento com minha família”, testemunha Barbara, emocionada! Sem necessidade de comentários.

O que demonstra superação de fato é que a expectativa de aumentar a família é bem evidente. “E eu quero no mínimo mais dois filhos!” A mamãe feliz aconselha, também outras mulheres. “Eu digo para outras mulheres que não desistam e não tenham medo. Ser mãe é um dom maravilhoso, que quanto mais os dias passam, mais aumenta a felicidade. Que confiem em si mesmas, que elas são fortes e que vão conseguir!”

A receita da paciente curada é simples. “O que realmente me salvou da depressão foi o diálogo do dia-a-dia, as tentativas de se reerguer, a insistência em ser feliz. Eu queria ser feliz. E hoje eu sou”, afirma. De certa forma, seu depoimento tem íntima ligação com a orientação médica: apoio familiar é o santo remédio.

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