Elza já havia relatado aos policiais que tinha medo que Alisson invadisse sua casa e cometesse feminicídio. (Fotos: Divulgação)

Após ser adiado por diversas vezes, o júri popular de Alisson Ferraz Barbosa, de 32 anos, acusado pelo assassinato da ex-esposa Elza Ribeiro Micharski, de 22 anos, foi realizado nesta quinta-feira (25), em São Mateus do Sul. O crime aconteceu no dia 5 de maio de 2019 e o réu chegou a confessar o crime.

A morte de Elza Micharski chocou não apenas o município de São Mateus do Sul mas todos que tiveram conhecimento do caso. A jovem foi agredida em praça pública com golpes de barra de ferro. Depois de ferir a companheira, o suspeito ainda atropelou a vítima com o carro, passando pelo corpo dela por duas vezes. O homem chegou a fugir, mas foi preso.

Alisson foi indiciado pelo crime de homicídio com quatro qualificadoras. São elas: motivo torpe, meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio.

Agressões recorrentes:

Alisson foi casado com Elza por 7 anos e se separaram 8 meses antes do crime acontecer. O homem não aceitava o fim do relacionamento e, antes de ser morta, a vítima registrou diversos boletins de ocorrência contra o ex-companheiro, que costumava ameaçá-la e segui-la pela cidade, mesmo após o término.

Uma medida protetiva chegou a ser imposta pela Justiça, mas Alisson não respeitou. Devido a esse descumprimento recorrente e também às ameaças de morte, a Polícia Civil abriu um inquérito sobre o caso, no qual o delegado solicitou a prisão preventiva do rapaz. Porém, o pedido foi negado.

O crime:

No dia 5 de maio de 2019, o crime ocorreu em uma praça pública de São Mateus do Sul. Alisson desceu do carro com uma barra de ferro e começou a espancar a mulher, após ver ela conversando com um amigo.

A vítima foi atingida várias vezes pela barra de ferro em sua cabeça. Na sequência, Alisson passou com seu carro por cima de Elza por duas vezes.

Depois de ser atingida na cabeça, Elza desmaiou e, então, Alisson passou com seu veículo duas vezes por cima do corpo da ex-esposa. Ela chegou a ser socorrida e levada para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Socorristas que atenderam a mulher afirmaram, na ocasião, que não foram as pancadas na cabeça que tiraram sua vida, mas sim o atropelamento. Conforme eles, as rodas do carro passaram por cima do tronco de Elza, esmagaram o tórax e quebraram as costelas que, consequentemente, perfuraram órgãos internos. A vítima tinha apenas 22 anos na época dos fatos.

O depoimento:

Alisson fugiu da cena do homicídio, mas foi preso pouco tempo depois. Em depoimento, prestado ainda em 2019, ele confessou o crime e não disse estar arrependido. Segundo a PM, ele confessou à polícia que foi até a casa de Elza com a intenção de matar a vítima. No depoimento, ainda disse ter matado ela porque estava com raiva.

“Eu passei por ela de carro, fiz o balão na praça, estacionei e fiquei parado uns cinco minutos, só olhando. Daí, esse cara chegou mais perto dela, eu acelerei o carro e parei no meio da via pública. Esse rapaz pulou o muro, não sei para onde foi. Aí, eu desci já com a barra de ferro na mão, já dei uma na cabeça dela, ela caiu, eu já dei mais umas duas ou três, peguei o carro, passei por cima – não sei se foi da cabeça dela – e dei ré, passei por cima de volta e fui embora”, contou Alisson, na época dos fatos.

Alisson confessou ter matado a ex-esposa de apenas 22 anos por raiva. No depoimento, ele apresenta um semblante calmo, revelando sorriso entre suas falas.

Muitos que assistiram alegam que Alisson se mostrava feliz ao contar o que havia feito com a ex-companheira em seu depoimento. Analisando o vídeo, é possível perceber que ele sorri enquanto confirma suas terríveis ações contra Elza.

Relatos de familiares e amigos:

Membros da família da vítima e também amigos afirmaram que a jovem sofria diversas ameaças e agressões. Também contaram que isso acontecia com grande frequência.

“Ela tinha medo dele. Ela chegava no serviço e falava que ele ia matar ela, mas eu nunca levei a sério, porque eu nunca imaginava que ele seria capaz de fazer algo assim. Foi preciso ela perder a vida, para ele ser preso”, relatou uma amiga em anonimato.

A mãe de Elza, Edvirges Ribeiro Micharski, não se conforma em ter perdido a caçula, contando que ela mesma já havia separado inúmeras brigas entre os dois e havia implorado para a filha terminar o relacionamento. “Ela ficava um tempo morando com ele, depois vinha pra nossa casa quando brigavam. Era para ter caído fora na primeira vez que apanhou. A Elza vivia roxa. Ele batia nela e ela corria lá para casa”, conta a mãe.

Alisson descumpria a medida protetiva, indo até o local onde a ex-companheira trabalhava.
(Foto: Reprodução/Câmera de segurança)

Edvirges ainda comentou que Elza sempre estava com medo de Alisson, porque mesmo com o término, ele continuava procurando por ela, que recebia ameaças constantemente. “Na última vez em que ela foi na delegacia, voltou chorando para casa. Disse que os policiais deram risada dela, que não iam registrar boletim de ocorrência”, conta em angústia.

Um futuro roubado:

Elza era jovem. Com apenas 22 anos, ela ainda tinha muitas histórias pela frente, muitas vivências e também sonhos para realizar. Sua vida foi ceifada de maneira tão injusta que despertou uma revolta por grande parte da população são-mateuense.

A mãe conta que ela estava decidida, após o término,a se mudar da cidade para tentar fugir de Alisson e suas ameaças. “Ela disse que moraria comigo, que seguiria trabalhando e que íamos alugar uma casa, sair daqui de São Mateus do Sul”, disse Edvirges.

Familiares também contaram que a jovem tinha um coração muito bondoso e que sempre falava do sonho de ser enfermeira ou médica para ajudar outras pessoas.

A sentença:

A condenação do ex-marido da vítima foi por unanimidade dos votos do Tribunal do Juri. Após 15 horas de sessão, a sentença foi proferida pela juíza Cecília Leszczynski Guetter, na Comarca de São Mateus do Sul do Tribunal do Júri.

Alisson foi condenado a 29 anos e quatro meses de prisão, considerado culpado por feminicídio com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e mediante recurso que impossibilitou defesa da vítima. A pena também teve elevação por desrespeito à medida protetiva que a vítima tinha contra ele.

Confira o vídeo da sentença:

https://www.youtube.com/watch?v=z2gmoIfm9x4

Foto: Reprodução da transmissão feita pelo Tribunal do Júri TJPR

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