Na sexta-feira (25), o Centro Cultural do Clube dos Empregados da Petrobras (Cepe) estará recebendo a peça de teatral “Os Cinquentões”. As apresentações são gratuitas e acontecerão às 15h e às 20h. A apresentação faz parte do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (PROFICE), com apoio da Copel e da Prefeitura Municipal.

Já no sábado (26), às 13h30, será realizada Oficina de Teatro com o elenco, propiciando o diálogo dos artistas com a comunidade, onde serão desenvolvidos jogos criativos no intuito de potencializar as habilidades dos participantes nas áreas da música, dança e interpretação teatral. Não é necessário ter nenhum conhecimento prévio, apenas vontade de fazer arte.

Sinopse

Fazer 50 anos é um marco na vida de qualquer um. É uma conquista e tanto chegar a meio século de idade, digna de festejo e busca-pés. É prova de que resistimos a um número de intempéries que deixou grandes campeões para trás. É quando as ilusões primárias sobre nós mesmos e sobre o mundo já acabaram e o pensamento se volta às questões práticas da vida. A disposição não é mais a mesma, o cansaço vem mais rápido, a paciência se esgota facilmente. Entre as preocupações diárias de um cinquentão é comum figurar a celebre questão: Como vai ser lá na frente, se tiver a sorte de chegar tão longe? Quem vai cuidar de mim quando eu não puder mais fazê-lo?

Além deste tipo de fantasma que apavora a terceira idade e da farpa inevitável dos questionamentos sobre a vida após a morte, existem algumas vantagens no engrossar do tempo, ao que parece, pois tudo é sempre uma questão de olhar. Presume-se que a pessoa começa a valorizar mais a voz do que a facha. Admirar o charme e a conversa mais do que a posição ou poder. Se incomodar menos com quinquilharias, não perder tempo com bobagens, ser mais razoável, valorizar a saúde, se apegar ao que é realmente importante. Enfim, o cinquentão se julga alguém um pouco mais preparado para a vida, inda que seja apenas um pote de leite coalhado.

“Ao realizarmos esta peça, esta festa baile, quisemos contemplar os questionamentos que ocorrem aos recém-chegados ao limiar do crepúsculo, refletindo sobre os aspectos positivos e negativos do envelhecimento, atentos às sombras e desafios que cercam nossa contemporaneidade”, destaca o grupo.

A dramaturgia desenvolvida pela Cia Radicalidade inclui cenas com música, dança e poesia em Língua Brasileira de Sinais. “Buscamos inspiração em Simone de Beauvoir, que soube cantar lindamente o entardecer, em Augusto dos Anjos, que na Olimpíada da vida partiu aos 30 anos mal completos, mas deixou versos iluminados, no decano Bob Dylan, em Herberto Helder, o português que chegou à marca dos 85, e em Antônio Francisco, de Mossoró, que aos 68 anos diz que ainda não tem toda essa idade”, enfocam. A peça inclui também trechos da filosofia sobre a perspectiva agnóstica do além: A Roca do Destino e a promessa de um ciclo interminável de morte e renascimento, como está descrito na República de Platão.

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