Política e Cidadania

Apresentação na Câmara de Vereadores defende a preservação de prédio histórico

Gerson Cesar Souza em sua apresentação na sessão da Câmara de Vereadores, no dia 16 de setembro. (Foto: Assessoria da Câmara de SMS)

A convite da vereadora Marta Regina Centa, Gerson Cesar Souza defendeu seu ponto de vista em uma apresentação na sessão da Câmara de Vereadores de São Mateus do Sul, no dia 16 de outubro, explicando sobre o que é patrimônio histórico para expor a importância histórica do prédio da Prefeitura, onde foi o primeiro colégio de nossa cidade e por um bom tempo o Fórum Municipal, que está em tramitação para ser o local escolhido para demolição para a construção da nova Prefeitura Municipal. Gerson explicou também que o poder público em conjunto com a comunidade deve proteger seu patrimônio, registrar, tombar e preservar, pois de acordo com a lei nacional constituem o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.

O pesquisador demonstrou em sua apresentação uma sequência histórica desde o surgimento de São Mateus do Sul para chegar até a eleição de João Gabriel Martins como deputado estadual representando a cidade e que conseguiu trazer o primeiro colégio para São Mateus do Sul, e assim conseguiu a construção do prédio do Grupo Escolar, através do projeto de Lei nº 03/1918, e no mesmo ano com o projeto, conseguiu recursos para a construção do prédio (histórico) da prefeitura, Fórum e cadeia pública. A localização da prefeitura foi escolhida numa quadra onde havia pouca construção e a ideia era justamente com o prédio da prefeitura, povoar aquele espaço, na antiga Rua do Porto (hoje Barão do Rio Branco), pois o caminho dava direto ao porto junto do rio Iguaçu.

O colégio funcionou durante anos e teve uma grande particularidade, tendo como professora a primeira mulher negra a se formar em engenharia civil no Brasil. Ela ministrou aula durante alguns anos, pois apesar do choque cultural ela foi bem aceita, mas decidiu realizar seu sonho e conseguiu se formar na Universidade Federal do Paraná, tendo inclusive nome de rua em Curitiba.

Mais tarde em 1952, o prédio passou a ser o Fórum Municipal, pois o colégio havia passado para onde hoje é o Colégio São Mateus. Para acomodar as necessidades de um Fórum, o prédio precisou de uma reforma, que foi feita com recursos da comunidade, pois a verba oficial foi negada na época, e o juiz naquele período, Luiz Silva Albuquerque, conseguiu realizar a obra com a comunidade. O Fórum que ali se instalou era maior que o de várias cidades na época, como de Paranaguá, Palmeira, Irati, entre outras mais antigas. Entre as famílias que colaboraram para a reforma do prédio para se transformar no Fórum estão entre outras as de Afonso Gugelmin, José Zampier Filho, Antônio Carneiro Portes, Oséias Pacheco, Pedro Stanizewski, Antônio Janson, Moyses dos Santos Lima, João Batista Distéfano, Guilherme Kantor, Irmãos Magnani.

Outra curiosidade histórica foi que no mesmo ano da inauguração do Fórum, em 1952 aconteceu um casamento coletivo com os seguintes nubentes, Francisco Toporowski e Clementina Witkowski; José Pedro Ribeiro Neto e Alaíde Gritten Ribeiro; Dirceu Cardoso de Paula e Jacyra de Souza Brito; Adolfo Aguilar e Riette Moreira Neves; Pedro de Paula e Silva e Catharina da Silva; Vicente Bugaj e Maria Lúcia Camargo Vieira;  Sylvestre Levandowski e Maria Kuczera; Silvestre de Oliveira e Ondina Walter Ribeiro.

Na sua explanação Gerson, apresentou o parecer do arquiteto Cláudio Forte Maiolino, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC), e especialista em edifícios antigos e restauro, que mostrou um laudo técnico que não condena o prédio, apenas que existe a necessidade premente de restauro e conservação. Que apesar das dificuldades é um edifício em pleno estado para ser recuperado, não necessitando de demolição, preservando muito da sua característica original, desde as janelas, até a balaustrada de madeira no pátio interno.

Solicitou que a prefeitura ouça técnicos tanto quanto à integridade quanto à historicidade do prédio, e a Câmara de Vereadores quanto a permissão para destruição de um prédio histórico, faça uma audiência pública deixando claro se haverá a necessidade de destruição do referido prédio e que a população decida pela destruição ou não.

Na sua apresentação, Gerson deixou sua posição de preservação do prédio, e não se colocou contra a construção de novo prédio para a prefeitura, apenas que fosse em outro local. Também que se busque uma atuação conjunta da prefeitura com órgãos e entidades que possam não apenas preservar nossa história, mas também como acontece em muitos locais explorar economicamente, principalmente através do turismo essa preservação, colocando que além dos prédios históricos, temos a história de um ciclo econômico do Paraná, com a erva-mate, a extração da madeira, e também a importância da navegação, além da colonização polonesa que é forte e é um patrimônio nosso.

“Foi muito gratificante ser convidado pela Câmara para explanar sobre a história do prédio que abrigou o antigo fórum e o primeiro grupo escolar da cidade. Acredito que, quando se fala em derrubar um patrimônio público quase centenário, como é o caso daquele prédio, é fundamental que os governantes ouçam especialistas nas diversas áreas e também a população. Espero ter contribuído para que tanto a Câmara quanto a Prefeitura tomem a decisão que for melhor para a nossa cidade”, ressalta Gerson.

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