Em São Mateus do Sul, no ano de 1923, existiam algumas fazendas que eram referência na produção de erva-mate. Uma delas, era a fazenda Barro Branco, de Arnoldo Prohmann. Pessoa muito conhecida em nosso município, Arnoldo Prohmann, contribuiu muito para a sociedade de sua época em vários aspectos, mas especificamente no que diz respeito ao seu trabalho com a erva-mate. Herdou de seu pai o gosto pelo trabalho com essa planta, que já era cultivada pela família na localidade de Passo do Meio. A fazenda Barro Branco, localizava-se a poucos quilômetros do centro da cidade, no lugar denominado Espigãonzinho. Essa fazenda possuía na época, cinco barbaquás e uma produção em torno de cento e vinte mil quilos (8000 arrobas) de erva-mate. Quem auxiliava Arnoldo Prohmann com o trabalho da erva-mate eram seus genros e seu cunhado. A erva-mate era transportada pelo rio Iguaçu através do porto fluvial Santa Maria que existia na fazenda.

Na fotografia sem data e sem autoria, aparecem 6 pessoas. Arnoldo Prohmann, sua esposa Maria Joaquina Prohmann, Noldovir de Almeida Prohmann, José Almeida Prohmann (filhos de Arnoldo Prohmann do primeiro casamento), seu cunhado Leôncio Bueno Prohmann. A menina é neta de sua esposa Maria. Quando ele se casou, Maria era viúva e já tinha 5 filhos. A fotografia foi tirada em lugar aberto (externa), na fazenda Barro Branco. Na fotografia, todos estão bem vestidos com roupas próprias da época. A fotografia aparece em uma publicação de 1924, juntamente com essas informações.

A fazenda Barro Branco é descrita em 1924, como modelo de organização e empreendedorismo, qualidades atribuídas ao seu proprietário Arnoldo Prohmann. A fazenda ainda possuía uma serraria moderna, criação de gado, cavalos de raça, plantações de cereais. Em 1932, parte dessa fazenda (550 alqueires), foi adquirida pela empresa Leão Júnior e CIA e passou a chamar-se Fazenda Maria Clara. Na linguagem da época, Arnoldo Prohmann é descrito nessa publicação como sendo “homem de preparo intelectual e industrial competente de reconhecido valor. Agrimensor prático, jornalista, cultor das Hervas e das Musas, elle, senhor de uma elevada cultura clássica e technica, é a alma de todo florescimento agrícola…” Arnoldo foi ainda presidente da Federação do Mate do Paraná, em 1936, exaltou em versos a erva-mate são-mateuense e muitas outras ligações com essa planta. Nos próximos textos, estarei contando um pouco mais sobre a erva-mate em São Mateus do Sul.

Hilda Jocele Digner

Professora e historiadora.

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