A empresa responsável declarou que os procedimentos laboratoriais e de datação, deverão ser concluídos dentro de 2 meses, fornecendo informações mais concretas sobre os artefatos. (Fotos: Patricia Villela Alves Musialak)

O trabalho do arqueólogo Felipe Roger Alves Glória, que possui uma empresa na cidade de Paranavaí, despertou a atenção da população são-mateuense nos últimos dias. Durante escavações realizadas na semana anterior, foi constatada a existência de um sítio arqueológico, em um terreno localizado no alto do bairro da Vila Pinheirinho. A região se encontra próxima à mata ciliar do Rio Taquaral, cujas águas são de importância vital para diversas gerações.

A descoberta do arqueólogo traz ainda mais vida e simbolismo ao local. “O sítio arqueológico em questão é do período ceramista e também pré-ceramista. Provavelmente a área foi habitada pelos povos Itararé e por um grupo pré-ceramista ainda indefinido, pois falta a análise completa do material. Isso envolve processos laboratoriais e a datação dos artefatos. A partir daí poderemos saber mais sobre o povo, a idade e o tipo de artefatos que era produzido por eles”, comentou Felipe.

Dois povos diferentes

O arqueólogo comentou sobre os objetos em cerâmica encontrados no local. “A cerâmica já é um indicativo bem consistente que podemos relacionar aos povos Itararé, pelo tipo específico de material produzido por eles. Daqui aproximadamente 2 meses, estes objetos também irão para a datação. O que temos de informação no momento é que o local foi habitado por dois povos diferentes. Provavelmente um deles ocupou o lugar por muito tempo (povo Itararé) e anteriormente o espaço foi ocupado por um povo mais antigo (pré-ceramistas), cujos vestígios estavam numa camada mais profunda da escavação”, destacou o arqueólogo.

Períodos Históricos

A pré-história brasileira no período quaternário (últimos 12.500 anos), é subdividida em duas fases. Na primeira estão situadas as culturas pré-cerâmicas, entre 12 a 5 mil anos do presente e na segunda fase, as culturas dos ceramistas, a partir de 5 mil anos atrás. Quando do início deste período, o espaço territorial hoje constituído como Brasil já tinha sido ocupado por caçadores-coletores.

O sítio arqueológico está localizado no alto do bairro da Vila Pinheirinho, onde o relevo e a vegetação são bastante influenciados pela presença do Rio Taquaral.

As escavações foram realizadas no terreno que no futuro irá receber a instalação de um residencial
denominado Colinas do Iguaçu.

No que se refere às culturas pré-cerâmicas, a pedra era predominantemente utilizada para fabricar artefatos que englobavam ferramentas, armas e objetos de adorno. As funções atribuídas a eles eram múltiplas: cortar, raspar, furar, moer, serrar e até decorar. Eram empregadas técnicas de lascamento e polimento.

A cultura Itararé

Esses grupos de índios procuraram habitar o planalto meridional, distante dos rios mais importantes. A razão mais provável apontada pelos historiadores, seria uma fuga do avanço dos Tupi-Guarani, tribo de hábeis canoeiros. A cerâmica passou a ser o registro mais frequente desses povos, cujo estabelecimento e ocupação se deu a partir dos últimos 5 mil anos. “Após a datação poderemos fazer afirmações mais concretas, mas imagino que o material mais recente dos Itararé, indique que eles estiveram aqui entre 3.800 a 400 anos atrás”, finalizou Felipe.

Foram encontrados instrumentos de origens distintas, sendo um deles oriundo de povos pré-ceramistas, cuja principal matéria-prima para produção de utensílios ainda era a pedra.

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