André Borges ao lado de uma das peças que criou. (Fotos: Arquivo pessoal)

Com ferramentas simples e madeira de reuso, o jovem são-mateuense de 25 anos André Borges consegue chamar atenção com suas produções. Pessoas de diversas cidades, estados e até de fora do Brasil se interessaram e pediram para comprar sua produção, como o caso de um morador dos Estados Unidos que notou algo diferente nas peças produzidas de maneira artesanal por André.

Os trabalhos de André não se enquadram no que tradicionalmente chamamos de marcenaria comercial, uma vez que ele não tem uma grande fábrica onde produz artigos para venda em escala. Também não tem loja física ou site específico para expor seus trabalhos. A maioria das pessoas vai até ele por meio do Facebook ou do Instagram porque se interessa pelos objetos que posta em sua página pessoal desde fevereiro de 2019.

O artesanato, por definição, é algo próprio do trabalho manual, no qual o artesão utiliza matéria-prima natural (madeira, barro, argila e todo tipo de variedade). Com o processo crescente de mecanização da indústria, o artesão passa a ser identificado como aquele que produz objetos pertencentes a chamada cultura popular, que utiliza técnicas que passam de geração em geração ou são aprendidos através do ensino informal.

“Eu mesmo não sei definir muito bem o que eu faço, diria que sou um artesão e marceneiro”, conta André. Seu trabalho é completamente manual e voltado a criar peças únicas. Muitas dessas peças são feitas com materiais de reuso, como madeiras que antes faziam parte de algum móvel descartado ou restos de outros trabalhos. Acontece que com as técnicas certas e criatividade André mostra ser possível reaproveitar os materiais e ainda agregar valor estético e artístico a eles.

Com o tempo e número de pedidos aumentando, resolveu legalizar o trabalho criando uma empresa no campo da marcenaria.

Até hoje foram produzidas cerca de 350 peças, todas com equipamentos industriais como torno, lixadeira, serra circular, plaina desempenadeira, tupia, furadeira de bancada, serra fita entre outros.

Pequena caixa de madeira.

Um galho, geralmente visto como algo descartável, vira objeto de decoração com o uso correto.

“O que me fascina são os traços e formas que a natureza cria em relação à madeira, e quando estou trabalhando com ela uso de tal forma como terapia”, conta André. Para ele é mais importante trabalhar e criar uma peça diferente e inovadora do que propriamente vender o produto.

Ele justifica a procura por suas produções pelo que chama de dom. “O dom que aplico sobre a madeira traz o resultado que chama a atenção das pessoas”, explica. Ele também comenta que uma das melhores coisas para quem trabalha com esse tipo de ofício é ver o olhar de satisfação das pessoas que levam as peças para casa.

Surpresa com a venda para o exterior

Geralmente quem tem empresa grande, produz em larga escala ou tem uma marca conhecida no mercado e nas cidades próximas tem diversas dificuldades para fazer com que o público de outros países chegue a ver suas mercadorias, mesmo com investimentos e impulsionamento nas redes sociais.

Imagine-se então qual não deve ter sido a surpresa de André quando chega até ele o pedido de compra de um de seus artesanatos por uma pessoa que vive a mais de sete mil quilômetros de distância, nos Estados Unidos.

Na hora foi algo que de cara marcou a memória, mas há um problema justamente para essa memória. Como as peças que produz são únicas – característica do trabalho manual –, também por conta das diferentes fontes de madeira que utiliza, não há nenhum exemplar semelhante que pudesse mostrar para a reportagem.

André conta que o processo criativo varia. Por vezes o formato das peças vem diretamente da inspiração do momento, de projetar algo na cabeça e fazer. Outras vezes conversa com arquitetos ou faz desenhos para depois fazer os cortes e desenhos na madeira.

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