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As águas de Julho

A enchente de 1983 é lembrada até hoje na história regional. (Foto: Reprodução)

Quem nunca ouviu as histórias, seja por parte de familiares ou conhecidos, sobre a grande enchente ocorrida no Rio Iguaçu em 1983, a qual engoliu diversas cidades banhadas por ele, inclusive a terra do mate, São Mateus do Sul. Pois é, eu cresci ouvindo histórias de meu avô, Dirceu Franco, que também mostrava-me com tom nostálgico, as fotos que registrou e que guardava como lembrança do ocorrido. A tão famosa enchente completou no dia 8 de Julho, 35 anos, sendo assim, vou contar um pouco sobre sua história.

Na madrugada intensamente chuvosa do dia 8 de Julho, a água alcançou na cidade de União da Vitória, local mais afetado pela catástrofe, a marca de 6,97 metros. No dia 9 de Julho a altura das águas chegou a 8,92 metros, aumentando mais de 3 metros em dois dias. Fábricas e casas inundadas, irremediavelmente, o estado de calamidade pública já fora decretado junto ao toque de recolher, obrigando as pessoas a tirarem suas famílias e o que pudessem carregar de seus pertences de suas residências. Durante 45 dias 80% da cidade ficou submersa, em Porto União, aproximadamente 30%. A situação se agravou, e não só União da Vitória e Porto União ficaram inundadas, mas também municípios vizinhos, que também ficaram sem energia elétrica, água potável e abastecimento de alimentos e combustível.

Tudo isso porque, naquele ano, a média da chuva entre os meses de Junho e Julho superou os 800 milímetros, quando o normal seria de aproximadamente 138 milímetros. Ou seja, choveu em um mês, o que era para chover em média, de seis a oito meses. No dia 15 de Julho a situação era de calamidade total, o rio atingiu a marca de 10 metros de altura, chegando ao seu ápice na marca de 10,42 metros. Esse mar de água doce só começou a baixar a partir do dia 22 de Julho, contudo, no final do mês a marca ainda era superior a 8,30 metros. Para se ter uma ideia, a marca normal do rio Iguaçu era de 2,5 metros e sua vazão de 500 m³/s, que na enchente, chegou a ser de dez vezes mais, ou seja, 5.000 m³/s, sendo que a vazão das Cataratas do Iguaçu é de cerca de 1.500 m³/s. Sendo assim, o rastro de destruição e sujeira, oriunda do lixo, entulho e animais mortos arrastados pelas águas deixou as áreas mais afetadas num cenário de pós-guerra. Em São Mateus, a Vila Amaral inteira ficou alagada, e apesar da cidade ter sido menos afetada que União da Vitória por exemplo, o fato não deixou de ser menos marcante na memória de seus habitantes. Afinal, foi uma das maiores enchentes na história do país, e sem dúvida nenhuma, a maior da história do Iguaçu que se tem registro até hoje. Hoje fico por aqui, e até a próxima viagem pessoal!

Jéssica Kotrik Reis Franco
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