Resistência masculina em procurar ajuda médica é fator de risco. (Imagens Ilustrativas)

Em diversos países do mundo onde a Organização Mundial da Saúde atua e tem parcerias, há mais de 20 anos existem as campanhas que dão nomes de cores aos meses com a intenção de realizar ações de conscientização e de prevenção a diversas doenças e também de aplicação de ações benéficas à saúde.

O mês de agosto se destaca com quatro principais campanhas: Agosto Branco, Agosto Laranja, Agosto Azul e Agosto Dourado.

Agosto Branco
com ações de prevenção ao câncer de pulmão

Reservado para campanha e conscientização acerca do câncer de pulmão, o terceiro tipo mais frequente entre homens e o quinto mais entre as mulheres, a nível global. No Brasil, é o segundo tipo de câncer mais comum, com número estimado de novos casos neste ano de 30.200, sendo 17.760 entre homens e 12.440 mulheres. Por essas estatísticas, observa-se a necessidade da campanha para que as informações cheguem ao maior número de pessoas, evidenciando a prevenção.

A detecção precoce é um ponto chave para ampliar as chances de um tratamento efetivo. Sintomas como tosse e rouquidão persistentes, sangramento pelas vias respiratórias, dores no peito e dificuldade para respirar devem ser investigados rapidamente.

Os números apontam que o tabaco é a principal causa da incidência do câncer de pulmão, sendo responsável por 90% dos casos,direta ou indiretamente. É importante pontuar que os fumantes passivos também são prejudicados pela fumaça dos cigarros e desenvolvem a doença. É sabido que o tabaco, apesar de ser o maior causador de câncer de pulmão, não é a única causa, pois além dele a exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, deficiência e excesso de vitamina A, bronquite crônica, fatores genéticos e histórico familiar da doença também contribuem no desenvolvimento.

Diagnóstico precoce de câncer de pulmão pode ser fator decisivo.

A campanha Agosto Branco visa a contribuir para a conscientização quanto à importância da saúde dos pulmões e à prevenção desse tipo de câncer, uma doença silenciosa e que pode ser fatal. Normalmente, é diagnosticado em estágios avançados, já que os sintomas iniciais da doença não são muito claros. Pesquisas realizadas em 2019 pelo Instituto Data Folha, apontaram que mais de 70% da população acredita que o diagnóstico do câncer de pulmão é fácil, mas na verdade apenas 30% dos casos são diagnosticados no estágio 1 da doença, onde as chances de cura são bem maiores. Na pesquisa, mais de 70% dos entrevistados apontaram o cigarro como causa principal do câncer de pulmão. Apenas 15% dos diagnosticados com a doença conheciam tratamentos inovadores, como terapia-alvo e imunoterapia, possíveis tratamentos além da quimioterapia e da radioterapia.

A população no Brasil ainda lida com outra estatística perversa em relação ao câncer de pulmão, onde dados apontam a demora do início do tratamento, chegando a 11% dos pacientes diagnosticados que levaram mais de um ano e meio para iniciar o tratamento.

Agosto Laranja
com a conscientização da esclerose múltipla e também às Deficiências

Um alerta para a Esclerose Múltipla, que é a doença neurológica que mais afeta jovens adultos no mundo, sendo na sua maioria mulheres. A intenção da campanha é chamar a atenção para esta enfermidade que, mesmo considerada rara, atinge uma média de 40 mil pessoas no Brasil e 2,5 milhões em todo o mundo, ainda assim sendo desconhecida por cerca de 80% da população.

A Esclerose Múltipla é uma doença autoimune crônica do sistema nervoso central, do cérebro e da medula espinhal, na qual há destruição do tecido protetor chamado mielina (que envolve as fibras nervosas), impedindo ou alterando a transmissão das mensagens do cérebro para as diversas partes do corpo. Isso pode ocasionar que ocorra a perda gradual dos movimentos se não for tratado.

Não se sabe ainda a real causa desse problema, apesar dos avançados estudos. As pesquisas indicam que podem haver relações entre genética, o ambiente em que a pessoa vive e até mesmo o vírus, como o da mononucleose e o da herpes. Existem também algumas pesquisas que indicam que os hormônios, principalmente sexuais, podem atingir e serem atingidos pelo sistema imunológico.

Mesmo que as causas ainda sejam desconhecidas, muito se sabe sobre a doença e o grupo de risco é bem estabelecido: as mulheres têm maior propensão a desenvolver a esclerose múltipla, com uma taxa de proporção de 3 para 1. Apesar de poder acontecer em qualquer fase da vida, a população mais atingida costuma ter entre 20 e 40 anos. Também, as estatísticas apontam que a esclerose múltipla atinge mais as populações europeias, do sul do Canadá, norte dos Estados Unidos, Nova Zelândia e sudeste da Austrália, mesmo não se sabendo ainda o motivo exato.

Deficiências podem ser evitadas e o preconceito deve ser combatido.

Os sintomas da doença são variados e dependem da parte do sistema nervoso que foi afetada. Os mais comuns são: fraqueza, distúrbios de equilíbrio, entorpecimento, transtornos visuais, tremores, vertigens, sensação de rigidez dos membros, fadiga, problemas na fala, no intestino e alterações na bexiga. Por serem muitos sintomas, o diagnóstico pode ser difícil e parte dos exames de sangue, punção lombar, ressonância magnética e o exame de potencial evocado, que mede os sinais enviados pelo cérebro em resposta a estímulos. Como ainda não existe cura para essa doença, o tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível para modificar o curso da doença, quando é possível reduzir as lesões e sequelas neurológicas, evitando a progressão da doença com medicamentos e fisioterapia, os quais ajudam os portadores da doença a se manterem produtivos e confortáveis.

O Agosto Laranja é um mês dedicado à prevenção de deficiências, onde as Apaes de todo o país promovem ações para conscientizar sobre a importância de alguns cuidados para diminuir a ocorrência de novas deficiências, tanto no nascimento quanto ao longo da vida. Além disso, a iniciativa busca identificar os casos que necessitam de intervenção precoce. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), de cada quatro crianças que nascem com deficiências, três poderiam ser evitadas se fossem adotadas medidas de prevenção.

Também é um mês dedicado à Prevenção e a Identificação de Deficiências. De 21 a 28 de agosto é celebrada a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, sendo que o 22 de agosto é o Dia Nacional do Excepcional. A data é uma das mais importantes do calendário das Associações de Pais e Amigos de Excepcionais (Apaes). A iniciativa busca divulgar informações sobre as condições sociais das pessoas com deficiência, como forma de superar as barreiras que as impedem de participar da coletividade e do mercado de trabalho em igualdade de condições com outras pessoas.

Estima-se que até 24% da população tenha algum tipo de deficiência, seja física, mental, intelectual ou sensorial. A campanha tem o objetivo de alertar os pais para a importância de realizarem os procedimentos de maneira cuidadosa, desde antes da gravidez até o desenvolvimento do filho. A prevenção começa antes mesmo de a pessoa pensar em ter filhos. Depois, continua no momento do parto e segue do nascimento da criança até a idade adulta. Isso porque a deficiência não ocorre apenas por fatores genéticos ou hereditários, mas também por doenças infecciosas, acidentes e fatores ambientais ou externos. 

Agosto Azul
com a prevenção à saúde do homem

Atualmente, as mulheres vivem mais do que os homens. No Brasil, as estatísticas apontam para isso. Entre os motivos para a diferença está a violência e o alto índice de mortes masculinas ligadas às doenças tratáveis. No Paraná, os números apontam que as mulheres vivem, em média, 7 anos a mais que os homens. Os números revelados pela Secretaria Estadual de Saúde do Paraná apontam estatísticas recorrentes pelo Brasil, onde os homens procuram, em média, 50% menos os atendimentos de saúde, onde as consultas na UBS apontaram que 34% foram para homens e 66% para mulheres, demonstrando a menor preocupação com a saúde por parte dos homens.

A disparidade entre os sexos é maior nas mortes por causas externas: 87,5% dos óbitos por acidentes de trânsito terrestre, os homicídios e suicídios são do sexo masculino. Já nas mortes consequentes de transtornos mentais e comportamentais, os homens representaram 84,5%. Entre os óbitos causados por doenças do aparelho digestivo 76,5% foram em homens, isso aponta causas como sedentarismo e problemas na alimentação. Outro dado alarmante em relação aos homens: 60% dos homens só procuram o consultório médico quando uma doença já está em estágio avançado, muito tempo depois que os primeiros sintomas se manifestaram.

O câncer está entre as quatro principais causas de morte prematura, de 30 a 69 anos, em todo o mundo. No Brasil, o câncer de próstata é o segundo que mais mata, com cerca de 15 mil mortes por ano. São diagnosticados cerca de 68 mil novos casos anualmente, sendo que 95% deles estão em estado adiantado, o que poderia ser revertido com o exame preventivo, que é simples, indolor e leva poucos minutos.

Uma dupla extremamente perigosa para os homens é o cigarro e o abuso de bebidas alcoólicas, que são fatores de risco associados a diversos problemas e doenças que afetam, em sua maioria, o sexo masculino. O hábito de fumar, por exemplo, está relacionado a mais de 50 doenças, entre elas: impotência sexual, úlceras, infecções respiratórias, AVCs e enfisemas. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas, por sua vez, apesar de socialmente aceito, pode comprometer o coração, o fígado e até o cérebro, além de aumentar o risco de acidentes de trânsito.

Muitas das ações das campanhas do Agosto Azul procura alertar não apenas os homens sobre esses riscos da saúde pela baixa procura médica, mas também as esposas e filhos, para cobrarem dos pais e irmãos que procurem ajuda médica a qualquer sinal de transtorno, para se evitar mortes por doenças tratáveis.

Agosto Dourado
com a conscientização da importância da amamentação

A cor dourada para destacar a campanha Agosto Dourado, que revela a importância da amamentação, vem da ideia de que o leite materno é considerado um alimento de qualidade ouro para bebês e crianças.

A campanha ocorre no Brasil desde 1999 e procura alertar a população de que esse é um ato natural e de muito amor. Durante a amamentação, a mãe está alimentando seu filho, protegendo-o de doenças e dando carinho. O objetivo da campanha é viabilizar ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Por isso, é necessário que mais pessoas e entidades passem a divulgar essa causa. O movimento também é essencial para dar destaque aos bancos de leite, demonstrando para as mamães a necessidade de mais doações para que esses locais fiquem abastecidos e possam ajudar mais bebês, principalmente os prematuros.

Estudos evidenciam que a amamentação nas primeiras horas de vida da criança tem um efeito protetor. O primeiro leite que a mãe produz, conhecido como colostro, é rico em proteínas e anticorpos e pode ser considerado a primeira “vacina” do bebê, pois confere proteção e tem papel fundamental no desenvolvimento do sistema imunológico do recém-nascido. De acordo com a Organização Mundial de Saúde – OMS, o recém-nascido que recebe o leite materno em até uma hora após o nascimento está mais protegido contra infecções. Além disso, nessas situações, há redução da taxa de mortalidade neonatal. Sem contar que faz com que a amamentação tenha sucesso nas próximas vezes e seja bem aceito pelo recém-nascido.

A amamentação é um ato natural da vida.

O leite materno contém água, gorduras, proteínas, vitaminas e açúcares que o bebê precisa para se desenvolver bem e crescer de forma saudável. Em sua composição, há ainda anticorpos. É, portanto, um alimento que protege contra infecções, principalmente as gastrointestinais e a desnutrição. Não é à toa que deve ser o alimento exclusivo no mínimo até os 6 meses de idade, sendo que muitos pediatras apontam que deve ser ofertado até os 2 anos de idade, já que é de fácil digestão e está sempre na temperatura certa. Além disso, o ato de sugar ajuda no desenvolvimento da arcada dentária, da fala e da respiração do bebê. Por isso, é necessário alertar sobre os perigos de bicos artificiais, como chupetas e mamadeiras, que podem comprometer a amamentação.

Para as mães, a amamentação, além de aumentar o vínculo afetivo com a criança, ajuda a perder peso após o parto e ainda protege contra o câncer de mama e de ovário. Mas estatísticas da OMS apontam que, no Brasil, apenas 39% das mães amamentam seus filhos até os 6 meses de idade.

Campanhas de amamentação já são antigas no Brasil e o Agosto Dourado reforçou o trabalho existente com as mamães ainda nos hospitais e maternidades, onde os profissionais de enfermagem realizam um belo trabalho de incentivo junto às puérperas. Esse grande trabalho foi fundamental para proteger as crianças e reduzir os níveis de mortalidade infantil no Brasil.

Há alguns anos, a campanha Agosto Dourado passou a ser ainda mais importante, devido às notícias e relatos em redes sociais de mulheres que ficam constrangidas ao amamentar em público. Isso ainda é muito recorrente por preconceito e desinformação de parte da sociedade, que não entende a importância desse alimento e de sua livre demanda, principalmente nos primeiros meses do bebê. Movimentos como o Agosto Dourado existem para alertar a população de que esse é um ato natural e de muito amor. A mãe está alimentando seu filho, protegendo-o de doenças e também dando carinho. Assim, não deve haver nenhuma censura com essa questão.

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