(Imagem Ilustrativa)

Pode ser que eu esteja errado em minha suposição, mas nestes últimos meses em que impera a pandemia da Covid-19, muita gente boa morreu.

Dizem que o vírus não discrimina, mas parece-me que ele tem preferência por pessoas boas, que possuem belas histórias. Não digo isso pela velha máxima que “todo mundo fica bom depois que morre”.

Também pode ser que seja pela faixa etária das primeiras pessoas afetadas mais gravemente, aquelas que já haviam vivido um pouco mais e deixado um legado.

Outro ponto que pode estar me levando a esta suposição seja o de que estamos mais ligados no obituário divulgado pela mídia e pelas redes sociais, que dão ênfase a morte de pessoas de destaque.

Não desejo a morte de ninguém, mas são raras as notícias de morte por Covid-19 de pessoas que dividem, que destroem a sociedade, roubam, matam ou abandonam um grupo de pessoas ou parte da sociedade a própria sorte. Enfim, parece que vaso rui não quebra mesmo.

É uma pena, pois esta gente boa que nos deixou poderia contribuir ainda mais com a nossa história, com a nossa cultura, com a ciência, com o nosso desenvolvimento espiritual, por exemplo.

Fico lembrando, numa história mais próxima de todos nós, do quanto o Padre Silvano Sumarcz fez pela Comunidade São Mateuense, repetindo a sua trajetória de sucesso, de benfeitor, de orientador em União da Vitória. Poderia ter feito ainda mais, com certeza gostaria de ter feito. Mas sua vida foi interrompida.

Cada um de nós deve ter lamentado alguma morte de gente como ele. No começo, as mortes pareciam distantes, agora estão cada vez mais presentes em nossa vida. Chegamos ao inimaginável ponto de ter mais mortes do que nascimentos nas Regiões Sul e Sudeste.

O que me dói, é que muitos dos que se foram, dedicaram suas vidas para cuidar de outras vidas. Já outros, dispenderam muito de seu tempo e do seu conhecimento para desenvolver vacinas e, por conta de negacionismo, demorarmos, perdemos e vamos perder ainda muitas vidas, por não as aplicar em tempo.

Alguns tiveram a oportunidade de registrar suas obras, dividir seus conhecimentos, ajudar os mais próximos. E aqueles que não puderam? Gente de certa forma anônima para o mundo, mas que representava muito para quem estava mais próximo.

Como afirmei no título da Coluna, as histórias precisam ficar, os feitos precisam ser registrados, valorizados e divulgados. É o mínimo que podemos fazer por aqueles que deixamos partir. Sim, cada um de nós tem responsabilidade nessas perdas, mesmo que não tenhamos feito isto de forma intencional. Foram nossas ações e decisões que nos colocaram nesta situação.

Pode ser que tenhamos sido enganados por promessas ilusórias, por notícias falsas ou até por uma parte da mídia, mas tínhamos o poder de escolha e de pressionar os responsáveis por conduzir nossa sociedade.
Então, depois de tudo isso, precisamos ser melhores e completar o bom trabalho daqueles que se foram e daqueles que ainda partirão. Também deixar o nosso legado.

Tomara que tenhamos essa oportunidade! Se puder, vacine-se!

Adnelson Borges de Campos
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