Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Atitude que transforma

Na semana passada, dia 12 de fevereiro, um fato que marcou e ficará marcado na história repercutiu na internet e nos veículos de comunicação de massa. No aeroporto Internacional José Martí, em Havana, Cuba, o papa Francisco se encontrou com o Patriarca Kirill, da Igreja Ortodoxa Russa. Fato histórico, porque foi o primeiro encontro entre um papa da Igreja Católica Apostólica Romana e um patriarca da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, depois de 962 anos, quando da separação da Igreja do Ocidente e a Igreja do Oriente, em 1054.

Até aquele momento havia uma única igreja, que seguia uma tradição, uma linha apostólica, com raiz em Pedro, o primeiro papa. Depois da divisão em 1054 até os dias de hoje, apesar desta tradição comum dos primeiros dez séculos, há quase mil anos que católicos e ortodoxos estão privados da comunhão na Eucaristia.

Neste encontro, os dois líderes, além da aproximação desejosa e simpática, assinaram uma declaração de ambas as igrejas estarem em comunhão, no que se refere ao bem da humanidade, ainda que haja entre elas algumas diferenças como expressaram no decreto. “Estamos divididos por feridas causadas por conflitos de um passado distante ou recente, por divergências – herdadas dos nossos antepassados – na compreensão e explicitação da nossa fé em Deus, uno em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo”.

Mas, diante de um mundo que prioriza o bem individual acima do coletivo, a união das forças é que trará transformações, que mobilizará as pessoas para serem testemunhas da verdade, como afirmaram no documento por ambos assinado. “Nestes tempos difíceis, o futuro da humanidade depende em grande parte da nossa capacidade conjunta de darmos testemunho do Espírito de verdade”.

Uma outra declaração que saiu nas redes sociais foi um vídeo onde o juiz Sergio Moro, que está julgando os casos dos envolvidos no esquema da Lava-Jato, deixa um recado comentando que, seu papel como juiz está restrito àquilo que sua função lhe dá o direito e o dever de fazer, mas para que o sistema maior de corrupção e outras pessoas maiores sejam responsabilizadas, vai depender mais do povo brasileiro. Segundo ele, é a mobilização da sociedade civil organizada que trará transformações para o Brasil.

Dois fatos que nos conduzem a pensar em estarmos atentos aos sinais dos tempos, no que se refere à necessidade de não ficarmos mais preocupados com as diferenças e rivalidades entre grupos, pessoas, instituições, mas, ainda que preservando nossas diferenças, nos unirmos no que é essencial para todos e naquilo que nos une.

Algumas lideranças estão dando passos, tomando iniciativas para que todos possam ver e assumir também a causa do mundo que queremos.

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