Esporte

Atrasos, mudança de projeto e aumento de custo: Estádio interditado!

Fotos: Gazeta Informativa

Pelo visto, boleiros de São Mateus do Sul terão longa espera para tocarem a bola

Lá se vão cinco anos e dois governos, para e anda sem sair do lugar. Até agora só o valor da obra, inflacionado em cerca de ¼ do contratado inicialmente, é o avanço visível. Houve indicação de que a estrutura era para ser de uma maneira e foi de outra. Supostamente, a prefeitura teve que custear vistoria de especialista em arquibancadas que indicou a necessidade de reforço estrutural. A referida empresa solicitou mais 25% sobre o valor contratado, inicialmente, para toda a obra. Apesar de sinal positivo da CEF a obra não andou. Falta maior clareza de informações sobre o estado geral da obra, sujeita a deterioração, com o longo período de chuvas.


Saldo da crise? Falta de repasse de recursos? São questionamentos providenciais, sob o ponto de vista dos esportistas de São Mateus do Sul, em especial àqueles que não trocam por nada a emoção de reunir mais 21 amigos e disputar uma partida de futebol. Tendo como palco o majestoso Estádio Municipal de Futebol Olívio Wolff do Amaral, com momentos áureos gravados em sua história, mas em reforma, que se estende por meia década e impede a realização de novos jogos.

Inicialmente, a obra previa que a empresa Paulo Guilherme A. M. Cabral Eireli (conforme extrato de contrato de empreitada 290/2013 – vencedora do processo licitatório de tomada de preço nº 004/2013) teria oito meses para executar a obra, num valor global de R$ 568.960,34. O prazo de vigência vai de 13/11/2013 a 07/05/2015 – em tese 18 meses para conclusão. Diferem os dados do prazo de execução para o de vigência, possivelmente por conta da burocracia documental inerente ao processo, como um todo.

A infraestrutura esportiva no Estádio Municipal Olívio Wolff do Amaral, situado à Rua Evaldo Gaensly – na Vila Amaral, ganharia (pela proposta) arquibancada, instalações sanitárias e outros dois ambientes. A estrutura seria feita em concreto armado, cobertura e rampa em estrutura metálica, com área total de 706,22 m2. Para tanto, recurso do ministério dos Esportes no contrato de n.º 368.707-10/2011, celebrado entre a União Federal, por intermédio do Ministério do Esporte, representado pela Caixa Econômica Federal (CEF), e o município de São Mateus do Sul.

Sobre a reforma pelo estado

O governador Beto Richa, em agenda de trabalho em São Mateus do Sul se reuniu com autoridades e lideranças municipais, realizando ato público em frente à Prefeitura, isso em 2012. Na época, com recursos estaduais, o Centro da Juventude e o Complexo Esportivo da Vila Amaral estavam em obras e o governador anunciou novos investimentos, através do ‘Programa Paraná-Urbano’ para a continuidade de asfaltamentos na cidade e obras no estádio municipal Olívio Wolff do Amaral, que não se concretizou.

Nova investida e sucessão de atrasos

Nesse período, do discurso de Richa, pela data do contrato (2011) conota-se a existência do recurso já previsto no orçamento da União desde o ano anterior. Mas somente com a troca administrativa, em 2013, ocorre de fato a licitação. Lá se vai, pelo menos um ano.

De acordo com relatório encaminhado pela assessoria de imprensa da prefeitura, por solicitação de informações da reportagem do jornal Gazeta Informativa, a ordem de serviço foi emitida em 28/01/2014 para a empresa PGC Engenharia de Obras Ltda. Essa nota aponta, de início, que ‘a obra já iniciou com atraso e a secretaria de Obras solicitou esclarecimentos sobre a morosidade’ aos responsáveis.

Contudo, o fato mais relevante, conforme o relatório, foi a constatação feita em junho de 2014, ‘quando a empresa fabricou no canteiro de obra os pilares que deveriam ser pré-moldados, que pelo entendimento da fiscalização e dos técnicos fiscais da Caixa Econômica Federal (CEF) deveriam vir prontos de uma fábrica especializada na área, e a qualidade na execução desses elementos foi questionada, sendo que anteriormente o mesmo questionamento havia sido feito por telefone não obtendo resposta da empresa executora’.

Por conta dessa divergência no projeto estrutural, entre o previsto na proposta e o realizado pela empresa foi indicado novo projeto, de acordo com a prefeitura, que comprometeu, ainda mais, o cronograma. Além disso, a vistoria da CEF (datada de 19/08/2014) apontou ‘péssima qualidade da obra em geral e diversas outras irregularidades em sua execução’.

Isso gerou embargo e paralisação da obra até a comprovação de que a alteração não iria oferecer riscos, mediante laudo de profissional especializado em perícias e laudo de arquibancadas. A solicitação dessa análise técnica data de 02 de outubro, com contratação em 04 de novembro do perito engenheiro João Amilton por parte da prefeitura que entregou o resultado no dia 17/11/2014.

Compromisso de readequação

Conforme o relatório da assessoria de imprensa, o laudo foi apresentado para CEF e empresa responsável pela obra, no dia 04 de dezembro. Disso ficou acertado que a PGC Engenharia entregaria projeto de reforço estrutural até 30/01/2015, para retomar os trabalhos estruturais, enquanto seguiria com serviços que não envolvessem a estrutura deficiente.

O próximo registro é de 29/01/2015 em que a empresa executora envia correspondência informando que paralisaria os trabalhos sob alegação de que não detinha ‘frentes de trabalho fora da parte estrutural da obra, e que só retomaria a execução da mesma quando após assinatura do termo aditivo’. O novo projeto foi entregue em 26/02/2015, com sinalização de acréscimo de R$ 142.172,18, enviado e aprovado pela CEF. Isso fez subir o valor da obra para R$ 711.132,52, agregado do custo de um engenheiro especialista, do qual não foi citado o valor pago.

Mesmo com a assinatura do aditivo, a prefeitura notificou os responsáveis pedindo a retomada da obra, em 01/04/2015. A medida não surtiu efeito, mantendo a morosidade inicial, de acordo com o relatório repassado pela administração. A lentidão se prorrogou até 17/09/2015, quando houve nova paralisação por falta de repasse do governo federal, conforme a nota da assessoria de imprensa, que afirma ter a prefeitura solicitado o retorno dos trabalhos, após o pagamento de novos valores.

O relatório, ao final, informa que dia 18/01/2016 a empresa PGC Engenharia fez novo contato, dessa vez com interesse de desistir da obra. Contudo, essas informações não detalham porque o poder público aceitou ampliar o valor em, aproximadamente, 25 % da proposta original. Nem fica claro o entendimento se o edital continha esse ‘erro’ de projeto ou se a empresa responsável pela obra não usou de concreto armado. Também, não há indicativo oficial se prefeitura pretende rever esses valores. Bem como, o esclarecimento se a estrutura corre o risco de ficar comprometida pela ação do tempo e abandono da empresa, ou medidas a serem tomadas nesse sentido.

Desfile de história

Diversos clubes de futebol desfilaram seu talento pela grama do Estádio Municipal Olívio Wolff do Amaral. O secretário de Esportes de São Mateus do Sul, Artur Roscoche dos Santos, frisa que várias equipes merecem destaque, dentre elas o Clube Atlético São-mateuense, Esporte Clube do Xisto, Engrenagem, Ginásio, Extra, União Vila Amaral, União Vila Prohmann, Emboque, Águia Negra, Rodoviário, Niterói, Usme, entre muitas outras.

Um dos times diferenciais do futebol local foi o Clube Atlético Sãomateuense, fundado em 1938, que participou do Campeonato Paranaense de 1990, da 2ª Divisão, e 2001, da 4ª divisão, conforme dados da Federação Paranaense de Futebol. O secretário lamenta que o estádio municipal não possa ser usado. “Não utilizamos porque não tinha liberação, pois o mesmo encontra-se em construção”, afirma.

Artur salienta que, talvez, o grande momento histórico do estádio tenha sido quando da atuação do Coritiba, em um dos seus melhores tempos. “Veio aqui e ganhou do Atlético por 8 x 1”, lembra. O local, também, recebeu os veteranos do Internacional de Porto Alegre, em outro grande jogo célebre.

Ações no Esporte

O secretário contabiliza que, apesar do imbróglio frente ao estádio, o departamento de esportes trouxe para São Mateus do Sul, nos últimos três anos, os Jogos Abertos do Paraná 2014/2015, Jogos da Juventude em 2014, Macro Regional de Jogos Escolares 2015 e também Macro Regional do ‘Bom de Bola’ 2015. Ainda, em 2014/2015 viabilizou o 1º Campeonato de Futebol de Supermercados, 2015 o 1º de Campeonato de Futsal Empresarial, mesmo ano da 1ª Meia Maratona. Em 2016, a secretaria inaugurou a da pista de skate, uma das mais modernas do Paraná. “Todos esses eventos foram realizados pela 1ª vez na historia de São Mateus do Sul no esporte, estaremos em breve divulgando os jogos que acontecerão”, frisa.

Compete ao seu setor, também o Carnaval. Artur relata, em resposta a diversos comentários ventilados pelo município, que o evento foi retirado da rua, passando ao Parque Municipal de Exposições. “Por vários fatores: segurança, economia, organização e que em 2015 repassamos a verba para a secretaria de saúde e 2016 resolvemos não organizar como centenas de cidades não o fizeram para aplicar em mais qualidade de vida e foi a nossa mais acertada decisão de planejamento, pois planejamento inicia na família”, argumenta.

Sidnei Muran

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