Histórias de Terra e Céu

“Audiência de Conciliação” em Fluviópolis


Nos dias atuais, quando há dois lados em conflito, contratam-se advogados, discute-se o caso em processos judiciais, permitindo que a Justiça determine a melhor solução ou até promova um acordo. Mas um caso ocorrido em Fluviópolis, há mais de um século, mostra que as coisas não eram bem assim na São Mateus antiga… Embarque comigo nesta história!

No ano de 1907 São Mateus ainda não era um município independente, mas a economia crescia espantosamente impulsionada pela erva-mate. Na região de Fluviópolis vários colonos também investiam no “ouro verde”. Alberto Sawazki decidiu arrendar ervais de propriedade de Philadelpho Ferreira dos Santos, e contratou Emílio Cordeiro de Paula como encarregado. Era Emílio quem coordenava os trabalhos de colheita e enviava a erva para Alberto. Cada um marcava em seu caderno particular o quanto já havia pago ou recebido. Mas, no final da safra, quando chegou a hora de acertar as contas, os valores não batiam… O caderno do polaco Sawazki mostrava que Emílio lhe devia 300 réis, enquanto no caderno de Emílio, era Sawazki quem devia um conto e cento e noventa e três réis!

Após várias discussões sem chegar a um acordo, os dois moradores marcaram uma “audiência de conciliação” na casa de Júlio Budant, no dia 03 de outubro de 1907. Sawazki levou a “boa vontade” para dar fim à pendência, mas Emílio Cordeiro de Paula levou algo mais forte: dezenas de capangas, que já prestavam “serviços” na região do Contestado. Conforme palavras do próprio Sawazki: “Não suspeitando que me era preparada uma cilada, atendi ao chamado, mas ali chegando encontrei numeroso grupo de capangas armados que, sob ameaça de morte queriam que eu pagasse a importância que eu não devia”.

Acuado, o polaco acabou mandando buscar todo o dinheiro que tinha em sua casa e pegando um empréstimo com Júlio Budant. Como a quantia ainda não supria o valor exigido por Emílio Cordeiro, Sawazki ainda foi obrigado a assinar um compromisso de assumir uma dívida do próprio Emílio com o Coronel João Gabriel Martins (que hoje é nome de rua em São Mateus).

Depois do ocorrido, Alberto Sawazki ainda procurou os jornais de Curitiba para denunciar a “violência inaudita” sofrida por ele. O assunto gerou réplica do próprio coronel João Gabriel Martins, mas não passou disso. Era apenas mais um episódio de uma terra onde a lei era feita por quem tinha mais força (política ou armada).

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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