Fotos: Acervo Casa da Memória

Os processos adotados na produção da erva-mate foram modificando-se com o passar do tempo. Essa estrutura de madeira que muitos conhecem por “barbaquá”, tema das fotografias dessa semana, já passou por algumas mudanças. Por incrível que pareça, esse tipo de estrutura já foi um avanço tecnológico para esse ramo. No início as estruturas eram bem rudimentares com armações improvisadas com taquaras, cobertas com galhos de vegetação. O calor de uma fogueira era utilizado para secar a erva-mate. A parte da fragmentação das folhas, com facões de madeira, era feita em chão batido coberto com taquara ou couro de animais. A palavra “barbaquá” é de origem indígena e está relacionada com buraco e madeira. Com o passar do tempo essa estrutura foi evoluindo.

As fotografias fazem referência a safra de erva-mate em 1923, o fotógrafo é desconhecido. Apresenta a parte interna e externa de um mesmo “barbaquá”, em Cambará do Sul, município de São Mateus do Sul. O proprietário é Joaquim dos Santos Pacheco, uma das figuras masculinas que aparece nas duas fotografias. Na fotografia que aparece o interior do “barbaquá”, Joaquim está sentado com a cuia de chimarrão na mão. Ao lado de Joaquim, segurando a chaleira, está José Santos Pacheco (Juca). As outras pessoas não foram identificadas. Aparecem ainda na fotografia algumas etapas do processo para preparar a erva-mate para consumo: o malhador (movido a tração animal), as duas bicas por onde a erva-mate era retirada do carijo e empurrada para a cancha para então finalmente ser fragmentada (etapas da produção). Aparecem alguns trabalhadores ou pessoas da família, uma criança no colo de um dos homens. A boneca da menina foi colocada em destaque para aparecer na fotografia. Sacos de erva-mate, mais uma cuia, outra chaleira, compõe o cenário.

A segunda fotografia que apresenta a parte externa do “barbaquá”, mostra um número maior de homens posicionados em frente ao mesmo e alguns na parte superior da estrutura. Um dos homens aparece com um caderno, sendo provavelmente alguém responsável por fazer as anotações e o controle da produção. O que se destaca na posição dos homens é que cada um segura um objeto como se fosse para identificar sua função naquela organização: alguns seguram armas, outros, ferramentas. Aparecem também as carroças com seus condutores que serviam de transporte para a erva-mate e um cão que descontrai a pose oficial, pois está em posição contrária. A erva-mate aparece nas fotografias em feixes, dentro de sacos já preparada, nas carroças, no meio do processo de secagem.

Atualmente, a erva-mate passa por um processo moderno até estar pronta para o consumo, sendo que algumas etapas são as mesmas de antigamente. Os “barbaquás” não existem mais …talvez um ou outro para não nos deixar esquecer desse tempo que ficou guardado na memória de muitos são-mateuenses. Na observação das fotos, o destaque para a erva-mate e o chimarrão.

“Que a persistência do caboclo, o sacrifício da nação guarani, o trabalho dos pequenos produtores, o engenho dos práticos carpinteiros, a ousadia dos barões e a fé simples dos tomadores de chimarrão ajudem a conservar a erva-mate na mata e o chimarrão na cuia” (Tereza Urban).

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