(Imagem Ilustrativa)

Os dias frios do inverno já deram suas caras e muita gente já tirou seus casacos do armário. Em dias frios, receitas quentinhas são sempre bem vindas e fazem jus à estação em que as pessoas saboreiam mais e comem sem dó, e para preparar a cozinha para receitas de dias frios, um sabor especial e tipicamente paranaense.

Conta a história que o barreado surgiu entre os caboclos das encostas da Serra do Mar, no litoral paranaense, ainda no período colonial, e, posteriormente, foi logo associado às festas de carnaval, muito populares na região. As características da receita tornaram o prato perfeito para ocasião, onde as pessoas gastavam energia durante três dias, em que não faziam nada além de comer e dançar, sem se preocupar com a cozinha. Uma receita que precisa de poucos ingredientes, relativamente barata; de fácil preparo e que podia ser preparada com antecedência; pois se conservava por um bom período de tempo e, mesmo requentado, não perdia seu sabor original. Por ser uma receita altamente calórica, o Barreado era, também, ideal para dar energia aos foliões.

Outros relatos também dizem sobre a possibilidade de que o barreado fosse a comida dos tropeiros que subiam a serra para comercializar erva-mate.

A iguaria era preparada dentro de um panelão de barro, vedado hermeticamente, posteriormente enterrado e sobre o qual se acendia uma fogueira. Originalmente o cozimento se dava com o próprio calor, sem que fosse adicionada água alguma. A carne fica tão cozida que se desfia sozinha, tomando o aspecto de um pirão.

Por muito tempo, o barreado era consumido apenas por moradores da região costeira do Paraná, e até hoje, as cidades de Paranaguá, Antonina e Morretes, reivindicam a origem do prato. No início dos anos 70, esta receita da culinária artesanal ultrapassou as fronteiras e subiu a serra, passando a fazer parte do cardápio dos restaurantes de Curitiba.

Comer o Barreado é um ritual de alimentação histórico atrelado à cultura paranaense, principalmente para personalidades e visitantes ilustres que chegam à capital nos dias atuais.

O prato é misturado à farinha de mandioca (até receber a consistência que dá nome ao prato), e é servida com arroz e banana-da-terra fatiada. O segredo na preparação é o tempo de cozimento na panela de barro – cerca de vinte horas – o suficiente para desfiar toda a carne e mantê-la no fogo sempre. Depois de cozida, as fibras da carne se soltam resultando em um caldo grosso e saboroso e temperado a gosto regional.

Barreado de Morretes

Ingredientes:

• 2 kg de carne de segunda;
• 100g de bacon;
• 2 cebolas;
• 5 dentes de alho;
• louro;
• cominho;
• sal a gosto;
• cheiro verde
• panela de barro.

Faça assim:

Para começar, forre o fundo da panela com bacon para evitar que a carne pegue no fundo da panela durante o cozimento.

Em camadas, coloque um pouco de carne cortada em cubos, em seguida a cebola, o alho e o sal. Depois, coloque novamente o bacon, a carne, a cebola, o alho e o sal. Faça no mínimo três camadas de cada. Cubra todo o conteúdo com água.

Feche a panela e coloque para cozinhar por pelo menos três horas.

Depois de pronto, acrescente um pouco de cominho e louro. Em seguida, acrescente o cheiro verde.

Ao servir, coloque duas colheres da farinha para duas conchas de barreado bem quente em um prato fundo. É importante a temperatura do barreado para que ajude a cozinhar um pouco da farinha no momento da mistura. Como acompanhamento, a sugestão é uma banana da terra.

Bom Apetite!

Lincoln Molinari
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