(Imagem Ilustrativa)

No segmento da empresa onde atuo, durante muitos anos adotamos um programa chamado Gestão Sem Lacunas, com alguns princípios difundidos para toda a força de trabalho. Entre eles está um que sempre foi, digamos, controverso: “Busque a perfeição e tudo o que fizer”.

Muito embora o princípio tivesse um texto bastante extenso para contextualizá-lo, sempre deu margem para bastante discussão. Parece lógico que algo perfeito seja melhor. Porém, há um ditado popular de que “O ótimo é inimigo do bom!”

É certo que quando você tem na equipe muitas pessoas com formação técnica, a adoção das linhas do princípio pode ser levada ao extremo, como é a lógica do trabalho científico, das ciências exatas.

Não linha de equilibrar o pensamento dessas duas correntes: a da busca da perfeição e a de que o bom já atende, lembro uma frase da vice-presidente do Facebook, Sheryl Sandberg que “É sempre melhor feito do que perfeito”. Nesta linha eu proponho o título deste artigo e prefiro “Bem feito é melhor que perfeito”.

Penso que precisamos fazer o melhor, buscar o melhor. Nem sempre ele é possível ou viável. Em determinadas situações, precisamos de resultados e não podemos esperar muito tempo. Outras vezes não temos os melhores recursos para a execução, mas precisamos fazer.

Para um perfeccionista, nem a frase de Sandberg ou a minha servem. Mas imaginem um mundo em que todos só se dessem por satisfeitos com a perfeição. Provavelmente ainda hoje estaríamos discutindo se usaríamos a roda ou não, até que estivesse perfeita. Talvez continuássemos buscando uma forma mais segura e eficiente de acender o fogo e ainda morrendo de fome ou caçados por predadores.

Não defendo que as coisas sejam feitas de qualquer jeito, ou fazer por fazer. Nesta mesma Coluna defendi que não devemos ser medianos, medíocres. Mas elas precisam ser feitas.

A busca da perfeição, muitas vezes pode ser usada como desculpa para que um projeto não vá em frente. Alguns podem dizer “não tenho todos os recursos suficientes”, “não fui treinado para esta tarefa que exige maior especialização”, “não me foi dado tempo suficiente para as pesquisas”, “ainda não é a hora certa”. Enfim, são tantas as bengalas que podemos usar para a falta de um resultado final, um produto acabado. Tudo pode morrer ainda antes de ter nascido.

Temos que ter em mente que sempre podemos melhorar algo. É isto que a história tem nos mostrado. Os produtos de maior sucesso, as indústrias melhor sucedidas (incluindo aí as de tecnologia), foram aqueles que apresentaram um produto não perfeito, mas que supria as necessidades básicas daqueles que o buscavam em determinado momento. Com o tempo foram desenvolvendo melhorias e ainda criaram a necessidade do mercado pela busca das atualizações de seus produtos.

Hoje você leva um computador na palma das mãos. Já imaginou como seria o mundo, desde 1946 quando foi apresentado ao mundo o ENIAC, se esperássemos pelo desenvolvimento de um smartphone para oferecer um computador pessoal portátil? E olhe que um smartphone hoje lançado ainda está muito longe da perfeição, pois ela não existe. Sim, ainda não inventaram algo perfeito, tudo pode ser melhorado. Se você não fizer nada, não apresentar um resultado, também não há o que ser aperfeiçoado.

Veja que se essa não fosse a natureza das coisas não existiria em nossos dicionários o verbo “aperfeiçoar”.

Então, para deixar de lado o perfeccionismo eterno e a procrastinação, defina prazos para os seus projetos, tarefas e sonhos. Assuma publicamente seus compromissos, falando a um amigo, por exemplo. Não firmará um compromisso com esse público, mas consigo mesmo. Defina marcos de acompanhamento para fases intermediárias. Assim poderá corrigir rumos, reforçar compromissos, aperfeiçoar enquanto faz, mas faça!

Adnelson Borges de Campos
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