(Imagem Ilustrativa)

Para a maioria de nós, o conceito de economia não provoca grandes interesses. É mais provável que “torçamos o nariz” para termos como inflação, produção, distribuição e crescimento econômico, e também para as suas próprias leis, como a “Lei da Escassez” ou a “Lei da Oferta e Procura”. Deixamos o assunto para os cientistas da área, e lá, durante os debates nas propagandas eleitorais, o melhor discurso sobre os problemas econômicos do país irá nos convencer. Mas, nem sempre palavras bonitas falam a verdade ou tem a solução, podendo nos levar a um grande desastre.

De minha parte, tento entender um pouco do assunto nas pequenas atividades da vida. Seja na hora de pedir uma pizza, e, refletir sobre todo o processo que foi capaz de trazê-la quentinha ao meu portão, ou, seja na hora de decidir entre ir à pizzaria ou ficar em casa, porque estamos numa pandemia e tudo mudou. São infinitas as situações do dia-a-dia que praticamos e que impactam a economia como um todo e esta, por sua vez, impacta nossas vidas: seja nos preços dos produtos, na oferta de empregos, na facilidade de acesso a serviços, na qualidade de vida das cidades.

Dia desses, alguém próximo se surpreendeu ao verificar o preço de um teclado de computador, dizendo: “Eu não consigo fazer nem uma tecla por R$20,00, imagine um teclado!”. Comparação interessante e didática. É tudo como uma grande engrenagem, em que, cada elo realiza uma etapa em algum lugar do globo, para concluir algo que o consumidor necessite e esteja disposto a pagar. É por isso que as interferências de governos no livre mercado são tão prejudiciais. Me recordo do grande estrago que o governo federal provocou em 1986 no Brasil, induzindo o cidadão a se tornar um “Fiscal do Sarney”. O objetivo era conter a inflação pelo congelamento dos preços nas prateleiras do comércio, mas o que se alcançou foi um verdadeiro caos, com desabastecimento, filas e prisão de comerciantes. É de se surpreender que ainda existam governos que acreditam ser isso possível, como vem ocorrendo na Argentina, talvez porque não entendam que a economia se comporta como um organismo vivo.

Outro exemplo de interferência na economia, de quem pode mais sobre quem pode menos, são os recentes lockdowns impostos por governos em diversos países. Sabemos da importância dos cuidados sanitários para proteger a vida, mas também sabemos que não há como nos trancarmos todos em casa, como se a terra parasse de girar. Hoje, a economia cobra o seu preço, e como sempre, a corda estoura no lado mais fraco. São os mais pobres os primeiros a sentir e os últimos a se resgatarem desse sofrimento imposto: desemprego, fome e a perda de seu teto.

Como bem exortou o Papa Bento XVI em sua encíclica “Caritas in veritate”, ou “Caridade na verdade”, é de suma importância que exista ética na economia. Publicada pelo Vaticano no dia 7 de julho de 2009, a terceira encíclica do pontífice evidencia que o mercado não é, e nem deve se tornar, um lugar de prepotência do mais forte sobre o mais fraco. “Com efeito, a economia e as finanças, enquanto instrumentos, podem ser mal utilizadas se quem as gere tiver apenas referimentos egoístas. Deste modo é possível conseguir transformar instrumentos de per si bons em instrumentos danosos; mas é a razão obscurecida do homem que produz estas consequências, não o instrumento por si mesmo. Por isso, não é o instrumento que deve ser chamado em causa, mas o homem, a sua consciência moral e a sua responsabilidade pessoal e social.” Bento XVI

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores! Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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