Prismas

Biombos

Usamos biombos para esconder nossas vergonhas. Os primeiros biombos surgiram na China perto de 700 a.C. e desde que foram criados, sempre foram, na maioria, decorados. Verdadeiras obras de arte.

O belo fica aparente, as nossas vergonhas, aquilo que queremos esconder fica por detrás deste divisor de áreas. Assim, os usamos algumas vezes para nos proteger quando trocamos nossas roupas, ou para disfarçar um pouco da nossa bagunça, da nossa falta de organização.

Mas não é só o biombo físico que nos serve de proteção, de esconderijo. Numa organização, por exemplo, usamos “biombos” para encobrir nossa falta de capacidade ou nossa acomodação. Em algumas instituições, por exemplo, nossos biombos virtuais são normas, leis, regulamentos, padrões que usamos para justificar a nossa falta de produtividade, nossa incapacidade ou falta de qualidade e de agilidade na execução dos serviços.

Digo isso porque muitas vezes usamos leis, normas ou regulamentos como trilhos. Na realidade elas são trilhas e que permitem ajustes nas nossas estratégias, nas nossas construções. Na maioria das vezes nos prendemos naquilo que não pode ser feito e esquecemos que muito de bom, de produtivo pode ser realizado.

Esses biombos também dificultam a nossa criatividade e sem criatividade não há inovação, evolução.

Vejam que não prego o descumprimento de requisitos legais e organizacionais. Afirmo que estes podem ser cumpridos e aplicados de forma positiva por quem realmente quer construir e contribuir para o crescimento pessoal, profissional e organizacional.

Algumas vezes também criamos essas regras, deixando-as bem apresentáveis, obras de arte como os biombos chineses e japoneses, e que parecem atender ao desejo de quem a elas se submetem. Como somos na maioria, tolerantes, usamos essa aparente beleza de forma como desculpa para a acomodação, para a preguiça e submissão.

Que tal, na próxima vez que lhe apresentarem um biombo, uma desculpa para não fazer algo, você questionar, repensar, discutir uma forma de fazer melhor, cumprindo o que deve ser cumprido, mas fazendo o que precisa ser feito. Talvez, algum dia, tenhamos menos “carimbos” e mais resultados, menos desculpas e mais compromisso.

Adnelson Borges de Campos
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