Profissões

Bombeiro Comunitário: profissão voluntária de coragem e dedicação

Noeli Aparecida Treuke, 36 anos, há 9 atuando como Bombeira Comunitária de forma voluntária, salvando vidas. (Foto: Acervo Pessoal)

A personagem que irá nos relatar os detalhes da profissão de Bombeiro Comunitário é a união-vitoriense, Noeli Aparecida Treuke, 36 anos e que há 4 anos reside em São Mateus do Sul, desempenhando mais uma de suas profissões, ser fisioterapeuta em uma clínica do município.

Noeli conta que conheceu a profissão de Bombeiro Comunitário quando ainda era acadêmica do curso de Fisioterapia. Participou de um simulado de prevenção de acidentes, dentro da própria instituição de ensino na cidade de União da Vitória, ministrado pelo Corpo de Bombeiros de Porto União (CBMSC), de Santa Catarina, em 2009. Ela relembra que juntamente dos Bombeiros Militares, estavam os Bombeiros Comunitários, onde a farda é um pouco diferenciada. “Foi onde me chamou a atenção e busquei mais informações.”

Logo após aquela experiência, a acadêmica iniciou o curso de capacitação de Bombeiro Comunitário, realizado a cada 2 anos junto ao Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, na cidade de Porto União.

Segundo Noeli, atualmente o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina oferece em suas Organizações de Bombeiro Militar (OBM), o Curso Básico de Atendimento a Emergência (CBAE), que tem por finalidade oferecer uma capacitação básica à comunidade para que todos possam reconhecer os riscos e atuar de maneira segura e eficiente em situações de urgência e emergência, totalizando 40 horas.

Se os participantes se interessarem em se tornar um Bombeiro Comunitário, devem concluir os cursos CEBAE, e Curso Avançado de Atendimento a Emergências (CAAE), prevenção e combate a incêndios, primeiros socorros, noções de salvamento e prevenção de acidentes. Também devem realizar o estágio operacional supervisionado nas viaturas do Corpo de Bombeiros Militar, que proporciona a experiência, aproximando o estagiário de situações reais dando a ele uma condição psicológica desejada para agir corretamente quando se deparar com uma situação emergencial, permitindo que ele tome ações iniciais que poderão evitar ou minimizar as consequências de um acidente ou incêndio.

O CBAE e o CAAE têm uma carga horária total de 104 horas/aulas teóricas e 240 horas de estágio obrigatório. Após a conclusão do curso, os Bombeiros Comunitários recebem o fardamento e podem atuar como voluntários nas viaturas do CBMSC com base na Lei Federal 9.608/98, que norteia o voluntariado, auxiliando o efetivo militar.

O curso não possui custos, desde sua inscrição à sua realização, mas precisa atender alguns requisitos, como ter no mínimo 18 anos, ensino médio completo, estar em dia com suas obrigações civis e militares e possuir uma boa conduta perante a comunidade.

A Bombeira Comunitária destaca que deve cumprir uma escala de 24 horas mensais. “Essas horas eu posso tirar numa escala de 6h, 12h ou 24h, ou seja, se não posso tirar as 24h em um dia, posso tirar o restante das horas em outro dia quando me escalar. Geralmente me escalo para tirar serviço nas minhas horas de folga, nos finais de semana.”

Noeli atua há 9 anos como Bombeira Comunitária na cidade de Porto União e salienta que não pode atuar em quartéis no Paraná. “Somente posso auxiliar diante de alguma situação, por exemplo um acidente. Se estou passando pelo local na hora do acontecido, posso prestar os primeiros socorros e aguardar o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (SIATE) chegar, com isso me apresentando para o militar que chegar no local e repassar a situação. Se eu quiser ajudar em alguma situação onde eles já estejam atuando, devo pedir permissão.”

Ao longo de 9 anos as experiências adquiridas por Noeli agregaram e muito à profissão que desempenha e que lhe dá o seu sustento, enquanto fisioterapeuta. “Todo esse tempo foi de muito aprendizado onde já atuei auxiliando em várias ocorrências de diversas situações.”

Ao questionada sobre as várias ocorrências que presenciou e colaborou, ela comenta que todas acabam marcando a sua vida, principalmente quando envolvem crianças. “Isso mexe extremamente com o emocional, de qualquer ser humano”, diz.

Uma das ocorrências que realmente marcou sua vida foi quando em atuação no CBMSC, foi recebido um chamado para atender à um acidente, do tipo colisão entre carro e moto, onde a vítima da moto sofreu fratura de fêmur e foi encaminhada para uma casa hospitalar, onde ficou hospitalizada e realizou cirurgia. Após alguns dias foi encaminhada para a reabilitação.

Noeli relembra que atuava nesse hospital nas sessões de fisioterapia. “Eu acabei fazendo o acompanhamento, realizando os atendimentos quando o paciente estava hospitalizado e depois na reabilitação, onde obtive sucesso no tratamento fisioterapêutico, podendo ver a alegria desta pessoa voltando a suas atividades diárias.”

O curso de Bombeiros Comunitários tem por objetivo capacitar cidadãos nas áreas de prevenção e para reação em sinistros de incêndios e acidentes diversos onde existam vítimas em situação de perigo, formando ainda, na comunidade, uma força organizada para reação em situações de emergência e calamidades públicas.

Tem como objetivos indiretos: a multiplicação de conhecimentos e cuidados básicos, através de palestras e treinamentos, visando minimizar os efeitos desastrosos de primeiros atendimentos realizados por pessoas leigas; a criação de uma cultura prevencionista nas comunidades, propiciando mais segurança e melhoria na qualidade de vida de toda a sociedade; e o aumento da interação do Corpo de Bombeiros Militar com a Comunidade.

“Estar atuando como Bombeira Comunitária é uma grande satisfação de disciplina, honra e educação, principalmente sabendo que posso e sou capacitada em ajudar o próximo em situações de emergência e urgência”, menciona orgulhosa a voluntária.

Noeli encerra a entrevista deixando um recado aos leitores da Gazeta Informativa: “Quando avistarem uma viatura seja ela dos Bombeiros, da Polícia Militar ou qualquer veículo de emergência, seja educado e deixe passar, pois tem alguém precisando de ajuda. Ao se deparar com situações que lhe chamem atenção seja em um acidente ou incêndio, não queira bancar o repórter e deixe para os profissionais que levam a matéria correta até você, respeitando as vítimas, familiares e acima de tudo, respeitando e não ‘atrapalhando de forma curiosa’ o profissional que está ali trabalhando na ocorrência.”

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