(Imagem Ilustrativa)

Os últimos acontecimentos relacionados à liberdade de expressão não nos deveriam deixar indiferentes. Refletindo sobre os motivos para um atleta ser perseguido perante suas opiniões ou, ainda, sobre a perda de mandatos de Deputados Estaduais, decidi-me por abordar esses assuntos. Parecia que nenhuma efeméride “casaria” com essas polêmicas, mas ao seguir o caminho do que o termo “Pátria” comporta, me deparei com um belo texto de 1903, de autoria de Rui Barbosa. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que esse personagem da nossa história nasceu em 5 de novembro de 1849! Se o problema era a falta de uma data importante, então esse link estava resolvido.

Intitulado “A Pátria”, esse texto tem muito a nos ensinar. Nele, Rui Barbosa compara a pátria com uma família, dizendo que “o sentimento que divide, inimiza, retalia, detrai, amaldiçoa, persegue, não será jamais o da pátria” porque “a Pátria é a família amplificada”. É na família que se constrói “a honra, a disciplina, a fidelidade, a benquerença, o sacrifício”. Na sua comparação, assim como pela multiplicação das células um organismo é formado, será pela multiplicação das famílias que a pátria é construída. Se tomarmos essa premissa como verdadeira, iremos deduzir que não havendo famílias, também não teremos uma pátria. E sem a clareza de uma pátria, talvez se multipliquem os casos de demissões por opinião, como o caso do jogador de vôlei e medalhista olímpico Maurício de Souza, que disse no seu instagram discordar da versão homossexual do Super-Homem. Não cometeu nenhum crime, porém o seu direito à liberdade de expressão foi confundido com um ato homofóbico, e a penalização não tardou a chegar. É fato que hoje no Brasil se divide, se persegue e se retalia.

O texto de Rui Barbosa, ainda segue dizendo que “a pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação”. E, os que servem a pátria, “são os que não invejam, os que não inflamam, os que não conspiram” ou “os que não emudecem, os que não se acobardam, mas pacificam, mas ensinam, mas discutem, mas praticam a justiça”. São por esses motivos que nossos representantes políticos devem ser invioláveis por suas palavras, do contrário teremos um debate acovardado ou, melhor, não haverá debate algum. É o que diz o artigo 53 da Constituição: “Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”. No entanto, nossa carta magna não protegeu o Deputado Estadual Francischini que teve seu mandato cassado, ao emitir desconfiança nas urnas eletrônicas. Sua opinião e vigilância se transformaram em “fake news”, argumento que carregou com ele a perda de mandato de mais três deputados, dentre eles o nosso Deputado Emerson Bacil. Não há dúvidas de que a perda política para a nossa cidade e região é gigante, visto que a presença de Bacil na Assembleia vinha produzindo diversos frutos, como o destrave da negociação do acordo entre a ANP e a Petrobras, o que irá gerar o pagamento de mais de 167 milhões diretamente ao município de São Mateus do Sul.

Apesar de tudo, não nos esqueçamos que “a pátria não é um sistema, nem é uma seita, nem um monopólio, nenhuma forma de governo”, ela é na verdade “o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade”, como bem definido por Rui Barbosa. Uma Pátria Brasil é o que todos queremos.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores. Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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