(Imagem Ilustrativa)

Alguns definem “pátria” como a terra natal ou adotiva em que o cidadão se sente ligado por vínculos afetivos, culturais, valores e história. Então, acredito que a pátria é algo maior que a demarcação de um território, do amontoado de pessoas que ocupam este território. Também, para que se caracterize uma pátria, é preciso que aqueles que habitam o local tenham vínculos, sentimentos e pensamentos em comum. Têm ideias diferentes, mas há algo maior que os une, construído ao longo do tempo, registrado na história.

Na minha infância, o Sete de Setembro era uma data muito esperada. Meses antes começavam os ensaios para os desfiles, se providenciavam os uniformes, mesmo que fossem alguns reparos naquele do dia a dia, de uso na boa escola pública. Os mais habilidosos em relação a coordenação motora e ritmo podiam concorrer a uma vaga na fanfarra da escola. Mas independente da função ou posição, todos queriam participar.

Então, quando o dia esperado chegava, toda a família participava, desfilando ou assistindo. Os carros eram enfeitados com fitas verde e amarelas, as crianças carregavam bandeirinhas do Brasil ou algum objeto nas cores verde e amarela. Festejávamos o Dia da Pátria.

Era um desfile cívico-militar, com a participação de todos os segmentos da sociedade. O momento mais esperado era o desfile da Polícia Militar, dos Bombeiros e encerrando, os soldados do Exército Brasileiro que seguiam sua banda, tocando hinos ou músicas populares.

Neste dia, deixávamos nossas diferenças de lado (se existiam) e experimentávamos algo em comum, o amor, o respeito pelo Brasil.

Nos dias atuais, em que muitos de nossos valores são questionados, me preocupo com o abandono de nossa história. Foi o que vivemos, o que experimentamos que fez de nós aquilo que somos hoje. Temos evoluído como sociedade, mas não precisamos apagar o passado para construir o futuro. O passado nos serve de lição, foram nossas bases.

Em 2020, experimentamos um Sete de Setembro diferente, em meio a uma pandemia e não fomos para as ruas, homenagear nossa terra. Neste ano, ainda diante de uma pandemia, ensaiamos ir para a rua não com o pensamento de união, de amor ao Brasil, o que vínhamos fazendo nos últimos 198 anos.

Hoje, dizendo defender o Brasil e os brasileiros, grupos pretendem ir às ruas para defender ideologias políticas. Alguns defendem o vermelho, outros se apropriam do verde e amarelo. Seria bom se todos buscássemos o valor expresso no nosso símbolo maior, resgatando a Ordem e o Progresso.

Se manifestações nas ruas acontecem é porque nossos representantes, aqueles eleitos, são incapazes de perceber a vontade popular, de defender o que é melhor para a coletividade. Escondem-se diante dos problemas.

Quem sabe, neste Sete de Setembro, seria bom se usássemos o branco e o azul, cores que simbolizam a paz e calma do céu azul, pois neste momento o que precisamos é de serenidade.

Espero que no Sete de Setembro de 2022, ano do Bicentenário da Independência do Brasil tenhamos um país melhor sob o ponto de vista de respeito à nossa Pátria e aos cidadãos brasileiros. Tento ser otimista, pois num ano de disputa eleitoral, depois de tantos desentendimentos, nos resta esperar que aprendamos a fazer boas escolhas.

Então, que neste Sete de Setembro, a “brava” gente brasileira seja calma, serena, mas valorosa, como afirma o primeiro verso do refrão do Hino da Independência. Que nenhuma mão seja mais poderosa do que as mãos unidas do povo brasileiro.

Adnelson Borges de Campos
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