Histórias de Terra e Céu

Brigando no altar: UFC São João do Triunfo!

Na minha pesquisa sobre São Mateus do Sul sempre esbarro em notícias sobre as cidades vizinhas. Há cerca de um mês contei sobre os desentendimentos entre ucranianos e polacos em Antônio Olinto. Aquela coluna me gerou dois questionamentos: um amigo que reclamou dizendo que sempre falo das brigas dos polacos, e outro que é de São João do Triunfo e pediu que eu citasse a cidade dele em alguma história. Então resolvi contar um caso que ocorreu em Triunfo, no qual a briga envolveu outras etnias! Embarque comigo nesta história!

Nem todo mundo sabe, mas por muito tempo São Mateus foi uma colônia pertencente ao município de São João do Triunfo. Havia uma certa rivalidade entre as duas localidades, que talvez tenha se originado em 1893, quando o pessoal de Samas invadiu com armas a cidade de Triunfo, mas o certo é que isso foi se agravando com o crescimento econômico de São Mateus.

No começo do século XX a cidade de Triunfo tinha uma colônia muito próspera chamada Vila Palmira, que sempre teve muita afinidade com São Mateus, devido à grande quantidade de polacos. Mas ali também residiam brasileiros, muitos deles maçons, que já haviam enfrentado os polacos de Samas em outras ocasiões (calma amigo leitor, prometi que não vou colocar os polacos na briga de hoje!).

Em janeiro de 1903 a colônia de Palmira realizou a festa do seu padroeiro, e os festeiros foram solicitar ao padre de Triunfo, um alemão chamado Schimidt, que rezasse a missa festiva. O sacerdote cobrou a fortuna de 40 contos de réis, e os festeiros pediram um abatimento, ao que o padre teria respondido: “Nenhum vintém de desconto! Aqui na casa de Deus é assim: preço fixo e barato para vender logo”. Mas a “venda” não se concretizou, pois os festeiros resolveram procurar outro padre.

E antes que os poloneses de Palmira buscassem os padres de sua nacionalidade, em São Mateus, a parte brasileira da colônia negociou com o padre italiano Vicente Gaudinieri (imagem desta coluna), membro da maçonaria e ex-pároco de Palmeira, que há quatro anos havia sido destituído pelo Bispo e não podia mais rezar missas. Talvez por isso o preço de Gaudinieri foi mais “em conta” e ele assumiu a missa de São Sebastião naquele 20 de janeiro de 1903. Porém, durante a celebração, apareceu na igreja o padre Schimidt, com “olhar em fogo, terrivelmente raivoso”, como registrou um jornal da época.

Os dois sacerdotes começaram um intenso bate-boca, para espanto de quem participava da missa. Um dos fiéis resolveu acabar com a discussão, mas os participantes partiram para a luta corporal, em pleno altar… O jornal “A Reação”, registrou que o padre de Triunfo foi “esbofeteado por um dos populares que procurava arrefecer o ardor religioso do padre Schimidt”.

Três meses depois o padre Vicente se casaria em Rebouças, abandonando definitivamente a batina. No ano seguinte os festeiros de Palmira não teriam outra solução, a não ser aceitar o preço do padre Schimidt. Mas nunca mais houve uma missa do padroeiro igual àquela de 1903!

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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