Histórias de Terra e Céu

Bruno Filgueira, um azarado que “descobriu” São Mateus do Sul

Que Bruno Filgueira foi o primeiro homem branco a pisar em São Mateus do Sul, isso já ouvimos falar várias vezes. Mas que o cara era um tremendo “pé frio”, duvido que alguém tenha lhe contado… Embarque comigo nesta história!

No século XVIII o governador de São Paulo organizou várias expedições para explorar o interior do Paraná, com missões como alcançar os sertões de Tibagi, os campos de Guarapuava ou mesmo explorar o “Rio Grande do Registro”, que era a denominação do Rio Iguaçu.

Em 06 de dezembro de 1768 a primeira expedição, comandada por Domingos Lopes Caiscais, partia da atual Porto Amazonas tentando navegar o Rio Iguaçu. Um dos membros desta empreitada era o cabo Bruno da Costa Filgueira. Como o comandante adoeceu durante o trajeto, coube a Bruno liderar a marcha. Três meses depois o grupo voltava a Curitiba derrotado pelo rio, sem ter conseguido vencer alguns trechos onde a correnteza era mais complicada.

Mas Bruno seria reconhecido pela sua bravura e nomeado chefe da quarta expedição, que voltaria a explorar o Rio no final de agosto de 1769. O agora tenente Bruno recebeu a verba para arregimentar soldados e cometeu a imprudência de contratá-los com três meses de antecedência, pagando o soldo de forma adiantada. A consequência é que no momento da partida do grupo, Bruno descobriu que vários soldados haviam desertado. Mesmo com a equipe desfalcada, Bruno conseguiu navegar pelo Iguaçu. Passou pela região de São Mateus, cruzou a confluência do Rio Negro e depois navegou o Potinga. Dali o grupo entrou pela mata e caminhou carregando as canoas de volta para o Iguaçu, de forma a alcançar sua margem após os grandes saltos que impediam a navegação. Já no retorno da expedição, Bruno recebeu uma carta do governador com uma lista de nomes que deveriam ser usados para nomear as novas localidades. Ali estavam termos como “Nossa Senhora dos Prazeres” e “Matheus” (pois o governador tinha o título de “Morgado de Matheus”). Há registros que apontam que a nossa localidade foi nomeada “Nossa Senhora dos Prazeres dos Matheus do Registro”, depois se tornando Porto de São Matheus.

Mas se você pensa que o tenente Bruno se deu bem, está enganado. Uma divergência com outro comandante, que achou que Bruno foi negligente na exploração, fez com que o “descobridor de São Matheus” fosse preso ainda durante o regresso para Curitiba. E foi da prisão que Filgueira escreveu uma carta para o governador pedindo que o absolvesse. O Morgado de Matheus atendeu o pedido de Bruno e ainda voltou a lhe encarregar de uma nova expedição.

Bruno Filgueira, que havia sido “azarado” ao ponto de ver a equipe desertar, ser acusado de negligente e ainda ter sido preso, agora tinha uma nova oportunidade. Outra vez ele atravessou o Iguaçu, andou por matas e alcançou a região de Porto União, mas chegando ali, onde poderia comemorar sua grande vitória, caiu no rio e morreu afogado… Era o dia 15 de agosto de 1770, dia de Nossa Senhora da Assunção, que se tornaria a padroeira da nossa São Mateus.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Foto: campinasnostalgica.wordpress.com/2014/12/16/morgado-de-mateus/
Gerson Cesar Souza
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