Histórias de Terra e Céu

Budzinski, o Padeiro-Fotógrafo

Nas últimas semanas falamos sobre a primeira eleição em São Mateus e sobre a primeira viagem de carro para nossa cidade. Se você ficou com “fome” de mais relatos, não se preocupe: hoje vamos abordar a primeira padaria fundada aqui. Embarque comigo nesta história!

Quando os primeiros imigrantes poloneses chegaram ao Brasil, a grande reclamação nas hospedagens brasileiras era que o pão que recebiam era muito diferente do que aquele que costumeiramente consumiam na Polônia. Várias cartas destes primeiros poloneses citam este desconforto. A coisa mudou um pouco quando os colonos puderam ter suas próprias residências e produzir de forma caseira seus pães. Só que o ano de 1912 marcaria época: seria fundada a primeira padaria em São Mateus.

Os Budzinski estavam na primeira leva de imigrantes que chegou ao Brasil no início da febre imigratória, em 1890. Na virada do século, o menino Estanislau já podia ser visto preparando pães para os trabalhadores que construíam a estrada de ferro. Como o trabalho mudava de local diariamente, Estanislau improvisava fornos em buracos feitos nos barrancos. Mas a família acabaria vindo para São Mateus e o jovem padeiro, aos 21 anos, estabeleceria sua padaria na rua 21 de setembro. O nome: Padaria Glória.

A população rapidamente ficou apaixonada pelas broas pretas, as bolachas de mel, os chineques e dezenas de outras guloseimas. Estanislau era perfeccionista, exigia que a farinha fosse da melhor qualidade, e cobrava da própria família, que trabalhava no estabelecimento, todo o esmero na produção dos pães. Também estava sempre buscando investir no negócio. Comprou um cilindro para sovar a massa, e o mesmo era movido à combustão, queimando a gasolina de xisto que seu filho Cíntio buscava na usina do Perna de Pau.

Mas Estanislau tinha a alma inquieta e desejava ser pioneiro também em outras áreas. Começou a produzir sorvetes, que também ficaram famosos entre os são-mateuenses. Além disso, dedicou-se à fotografia, sendo citado pelos mais antigos como “o primeiro fotógrafo oficial da cidade”. A foto que ilustra esta coluna mostra o prédio onde, por 76 anos, funcionou a padaria dos Budzinski. Mas o interessante da foto é que ela teria sido tirada pelo próprio Estanislau, o padeiro-fotógrafo.

Estanislau Budzinski morreu em 19 de novembro de 1959, aos 68 anos. A padaria seguiu funcionando no mesmo local, na residência ao lado de onde fica a lojas Pernambucanas. Por isso, se você passar por aquela região e sentir cheiro de pão quentinho, reverencie a alma de um pioneiro que amava tudo o que fazia.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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