(Imagem Ilustrativa)

Amanhã, 31 de outubro de 2020, teremos uma noite de Lua Cheia. Isto não ocorre desde 1955. Uma nova coincidência acontecerá depois da metade deste século, em 2058.

No Dia das Bruxas de 1955, uma segunda-feira de Lua Cheia, o Jornal o Estado de São Paulo, um dos mais antigos do país não circulou. Também, depois da morte de Vargas em agosto de 1954, no ano de 1955 o Brasil elegeu Juscelino Kubitschek e outros três governaram: João Café Filho, Carlos Luz e Nereu Ramos. Naquela noite, a Lua transitava por Touro e o Sol por escorpião.

Como uma noite de Halloween e de Lua Cheia e a astrologia influenciaram tudo isso? Em nada! Mas na cabeça de algum escritor poderia render uma boa história, ou melhor uma visão da história sob o ponto de vista de quem escreve, transformando a data num momento especial para os adeptos do misticismo e da fantasia. Vejam que esta Lua Cheia também será uma Lua Azul! Quem sabe haja um portal se abrindo numa noite de bruxas e de Lua Azul!

Amanhã teremos várias postagens de pessoas festejando o Halloween, outras comentando que deveríamos valorizar o folclore brasileiro como uma forma de contraposição à Cultura Norte-americana. Muitos na verdade não conhecem a origem das festas, das lendas ou dos mitos, mas criticam mesmo assim. Como disse, há sempre versões diferentes da mesma história.

A que eu aprendi, conta que provavelmente a base do que hoje chamamos de Halloween tem origem nas Ilhas Britânicas, com o povo Celta, que promovia o festival do Samhain, uma das datas mais importantes de seu calendário, que encerrava um período de fartura, com o fim do verão. Também marcava o fim do ano para aquele povo.

Para os Celtas também havia um lado místico, pois acreditavam que o dia seguinte se abria um portal para que os mortos acessassem o mundo dos vivos. O fogo e as lanternas das comemorações serviam para mantê-los distantes e os alimentos serviam como homenagem para os antepassados. Vale aqui lembrar, que sob o ponto de vista da Igreja, os Celtas eram considerados pagãos. Entretanto, para a expansão da Igreja, muitas vezes se adaptava a religião para conquistar mais adeptos e aliados. Assim, criavam-se datas festivas cristãs nas mesmas datas de festivais pagãos, em boa parte da Europa.

Dessa forma, o All Saints Day, ou Dia de Todos os Santos teve sua data mudada, pelo Papa Gregório III, no século VIII, de maio para o dia 01 de novembro, a data do Samhain. Não há como afirmar se foi essa a intenção do Papa e de seu sucessor ou se foi só uma coincidência.

Assim, o dia 31 de outubro acabou transformando-se em All Hallows’ Eve, que significa “véspera do Dia de Todos os Santos”, ou, de forma contraída, Halloween.

O Halloween surgiu de uma tradição cristã, mas conservou traços das festas pagãs. Na véspera do primeiro dia de novembro os Celtas usavam máscaras para não serem reconhecidas por seres que eventualmente usassem o portal dos mortos e iam de porta em porta pedindo alimentos para o Samhain. No Halloweem, crianças iam de porta em porta cantando para salvar almas do purgatório e recebiam bolo como retribuição e fogueiras eram acesas para espantar bruxas.

Reafirmando, tudo depende do ponto de vista de quem narra a história e do contexto em que foram construídas. As Ilhas Britânicas, antes ocupadas pelos Celtas passaram por invasões de povos “bárbaros”, adjetivo dado pelos gregos e romanos para aqueles que se opunham aos seus sangrentos impérios. Pois bem, os povos bárbaros viviam nas regiões onde hoje se situam países que estão entre os mais desenvolvidos e com melhor qualidade de vida no mundo e por incrível que pareça, onde o cristianismo predomina. Então, cabe uma pergunta: quem eram os mais bárbaros ou particularmente vândalos (povo de origem germânica que invadiu a e saqueou Roma por duas semanas)? Os povos de origem germânica, por exemplo, ou os próprios romanos?

Temos a mania de não compreender ou aceitar quem pensa diferente, quem tem religião ou costume diferente. Assim, caçamos bruxas no período da Inquisição, perseguimos minorias religiosas e até condenamos costumes de civilizações muito mais antigas que as nossas.

Precisamos de mais respeito e menos intolerância. Isso vale para as escolhas políticas também.

Adnelson Borges de Campos
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