Esta Semana

Cada um com suas paixões

Esta semana, á convite de meu companheiro, viemos para o Rio de Janeiro, em especial para acompanhar a movimentação e alguns jogos das Olimpíadas – Rio 2016 e se tivesse que resumir toda experiência em uma palavra seria, paixão.

Uma cidade inteira modificada, estruturas imensas construídas, gringos para todo lado, o mundo compactado em uma cidade. E claro… jogos, multidões fazendo uma verdadeira peregrinação, sob sol forte e longos percursos dentro das instalações para assistir e torcer pelo seu país.

Como disse, é algo para apaixonados, apreciadores de esportes ou curiosos metidos à antropólogos culturais e sem dúvida, estou nesta última classificação. Não tenho um espírito esportivo aflorado, embora admire e reconheça que o esporte, assim como a arte tem um poder de transformação social muito forte, respeitando que para muitos é uma filosofia de vida.

Partindo desta constatação sobre a filosofia de vida e paixão, sem dúvida, algo que me apetece e tenho um romance há tempos é a Tatuagem. Esta arte milenar que vai muito além de uma pigmentação na pele.

Há relatos históricos de que esta arte teve início há pelo menos 3500 anos atrás, ligado diretamente a sociedades tribais, em diversas civilizações ao redor do mundo, de egípcios a orientais, mas sobretudo de povos indígenas da américa latina e central e tribos africanas, que sempre fizeram uso da body modification¹.

Sem dúvida falar de tatuagem, história e filosofia é falar de cultura, de expressão e arte, mas nem sempre foi assim. Durante meados do século XIX, a tatuagem foi vista de maneira pejorativa pela sociedade. Popularizada por marinheiros que traziam lembranças pictóricas de suas viagens, a tatuagem foi relacionada a presidiários e pessoas de má índole, o que durante muito tempo foi algo que refletiu negativamente para os amantes da cores.

Outro ponto interessante para ressaltar sobre a história intrigante da tatuagem é a ligação feminina com esta cultura. A luta pela autonomia do corpo e liberdade da mulher, fez da tatuagem um símbolo. Também durante o período do sec. XIX haviam registros de mulheres tatuadas e tatuadoras, muitas delas ligadas a cultura circense, eram atrações de shows, expostas para uma sociedade conservadora da época como “exóticas” – No livro Corpos de Subversão (Bodies of Subversion – A Secret History of Women and Tattoos, publicado originalmente em 1997) a pesquisadora/escritora Margot Mifflin relata algumas histórias de mulheres tatuadas durante este período.

Assim como nas olimpíadas, os amantes da tatuagem fazem eventos e convenções para celebrar o amor pelas cores eternizadas na pele, fora os realitys shows e outras formas de divulgação da arte. Vivemos um período de transição de conceitos, a sociedade em que fazemos parte, já começa a observar a tatuagem com outros olhos, ela vem ganhando cada vez mais popularidade. Mas claro, vale lembrar, que se trata de algo além do estético, o mais interessante ao meu ver, é a profundidade do desenho em si, seu símbolo, significado, pensar e refletir antes de fazer sua tattoo é algo importante, assim como procurar um bom profissional na área, para ficar apenas com boas lembranças na memória e na pele.

body modification¹ – Do inglês, modificação corporal. Termo utilizado para pessoas que fazem algum tipo de modificação estética no corpo.

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