(Imagem Ilustrativa)

Talvez eu chova no molhado. Quem sabe você já esteja cansado de ouvir ou ler tantas vezes comentários e interpretações sobre a letra de uma canção escrita por Almir Sater e Renato Teixeira. Há alguns dias também ouvi uma fala onde o palestrante dizia que a teoria do existencialismo, teria sido escrita diferente se Sartre, um dos seus representantes, tivesse ouvido a canção.

Pode ser que você ainda seja muito jovem e não tenha se dado conta de algumas das lições de um simples texto em poesia, algo com significado. Não falo de filosofia, mas de um simples ouvir e pensar a respeito. Se ainda não o fez, experimente cantar as canções que mais lhe agradam ou outras que talvez não tenha se disposto a ouvir, interpretando, sentindo o que o texto traz. Sei que muitas vezes, ao ouvir uma música nos preocupamos mais com o ritmo, com a melodia do que com a letra, pois queremos entretenimento, mas vale a pena fazer um exercício e procurar entender o que o autor quis no dizer ou o que sentiu quando produziu o texto.

Pode ser que você me ache preconceituoso, mas não consigo encontrar valor nas letras de canções interpretadas pelos jovens cantores que fazem sucesso hoje em dia. Não consigo encontrar significado no que é cantado por Anitta, Pablo Vitar, Jojo Todinho e outros tantos idolatrados. Reafirmando, falo das mensagens.

Mas vamos ao que me interessa ou que possa interessar para alguns de vocês.

O texto de Sater e Teixeira talvez traduza mais o desejo que cada um de nós pode ter, a noção de um modo interessante de se viver. É mais intenção do que realidade, mas é a algo a ser buscado, experimentado. Então, a maioria de nós sabe o que deve ser feito, conhece alguns dos caminhos para tornar a nossa passagem por este mundo algo mais leve, mais feliz. Pois, “cada um de nós compõe a sua história”, é questão de decisão, disciplina, de vontade. Então, cada ser, em si, carrega o dom de ser capaz e ser feliz.

Há um ditado popular que pode ser aplicado a diversas situações: “devagar se vai ao longe”. No mundo atual temos muita pressa, mas acabamos descobrindo que chegamos sempre ao mesmo ponto, independentemente do tempo empregado. Nem sempre com o resultado esperado. Muitas vezes, num ritmo mais suave, pensando, avaliando, planejando, com melhor aproveitamento da vida nos permite conseguir o que almejamos. Por isso, “ando devagar por que já tive pressa”. Os mais velhos, na sua maioria, chegam a essa conclusão. Mas é difícil para alguém mais jovem acreditar nisso. Quando se para, para reflexão, se descobre que há atalhos e que um caminho bem percorrido evita idas e vindas, perda de tempo e retrabalho.

Num outro trecho da canção, os autores dizem: “levo esse sorriso porque já chorei demais”. É certo que muitas pessoas passam por esta vida com uma carga mais pesada para carregar, com mais obstáculos pelo caminho. Isto nos leva a olhar em volta antes de reclamarmos do que “sofremos”. Na maioria das vezes não nos damos conta da quantidade de coisas boas que nos cercam e que estão, quase sempre, em algo simples. Por isso, sorrir mais é um bom remédio para espantar a tristeza e ter mais gente boa a nossa volta. Em “O tempo não espera ninguém”, Michel Teló nos diz que a felicidade está no caminho, então precisamos aproveitar o tempo que temos. Não existe um trilho, um mapa que nos leve para o lugar que a gente quer chegar, então, é melhor compartilhar as alegrias que temos, pois o tempo não espera ninguém.

Em Epitáfio, não um filósofo grego, mas os Titãs nos dizem: devia ter arriscado mais, até errado mais. Ter feito o que eu queria fazer. Queria ter aceitado as pessoas como elas são, pois cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração.

Então, muitas vezes melhor do que um livro de autoajuda ou de muitas sessões de terapia é ouvir uma boa música, com uma boa letra e pensar a respeito.

“É preciso amor pra poder pulsar. É preciso paz pra poder sorrir. É preciso a chuva para florir”. Assim, é mais leve ir tocando em frente.

Adnelson Borges de Campos
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