Cidade

Campanha de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é realizada em São Mateus do Sul

A campanha chama a atenção da sociedade para assumir a responsabilidade de prevenir e enfrentar o problema da violência sexual. (Fotos: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

São Mateus do Sul se vestiu de amarelo na última semana, cor que simboliza o alerta à conscientização da Campanha Contra o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, popularmente conhecida como Campanha Contra a Pedofilia. Várias ações foram desenvolvidas pelas escolas da rede municipal de ensino e entidades socioassistenciais com seus alunos.

As atividades foram organizadas e supervisionadas pelo Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescentes (CMDCA), e Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC), junto dos órgãos que compõe a rede de sócio proteção: Conselho Tutelar, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), Polícias Civil e Militar e o Ministério Público, além da atuação conjunta das entidades assistenciais do município.

História

A data alusiva ao tema, 18 de maio, é baseada em um crime bárbaro que chocou o Brasil na referida data em 1973. Seu desfecho escandaloso seria um símbolo de toda a violência que se comete contra as crianças. Com apenas oito anos de idade, Araceli Cabrera Sanches, foi sequestrada, drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família capixaba.

O caso foi tomando espaço na mídia. Mesmo com o trágico aparecimento de seu corpo, desfigurado por ácido, em uma movimentada rua da cidade de Vitória – Espírito Santo, poucos foram capazes de denunciar o acontecido. O silêncio da sociedade capixaba acabaria por decretar a impunidade dos criminosos.

Os acusados, Paulo Helal e Dante de Brito Michelini, eram conhecidos na cidade pelas festas que promoviam em seus apartamentos e em um lugar, na praia de Canto, chamado Jardim dos Anjos. Também era conhecida a atração que nutriam por drogar e violentar meninas durante as festas. Paulo e Dantinho, como eram mais conhecidos, lideravam um grupo de viciados que costumava percorrer os colégios da cidade em busca de novas vítimas.

A capital do estado era uma cidade marcada pela impunidade e pela corrupção. Ao contrário do que se esperava, a família da menina silenciou diante do crime. Sua mãe foi acusada de fornecer a droga para pessoas influentes da região, inclusive para os próprios assassinos. Apesar da cobertura da mídia e do especial empenho de alguns jornalistas, o caso ficou impune. Araceli só foi sepultada três anos depois. Sua morte ainda causa indignação e revolta.

O dia 18 de maio foi instituído em 1998, quando cerca de 80 entidades públicas e privadas, reuniram-se na Bahia para o 1º Encontro do End Child Prostitution and Trafficking (ECPAT) no Brasil, organização internacional que luta pelo fim da exploração sexual e comercial de crianças, pornografia e tráfico para fins sexuais, surgida na Tailândia. O encontro reuniu entidades de todo o país. Foi nessa oportunidade que surgiu a ideia de criação de um Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil.

A lei nº 9.970, instituiu a data e foi sancionada em maio de 2000. Desde então, a sociedade civil em Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes promovem atividades em todo o país para conscientizar a sociedade e as autoridades sobre a gravidade da violência sexual.

A campanha tem como símbolo uma flor, como uma lembrança dos desenhos da primeira infância, além de associar a fragilidade de uma flor com a de uma criança. O desenho também tem como objetivo proporcionar maior proximidade e identificação junto à sociedade e a causa.

São Mateus do Sul

A campanha realizada em São Mateus do Sul, que se encerrou com a tradicional passeata pelas ruas da cidade na manhã desta sexta-feira (18), também contou com um diferencial neste ano. A psicóloga Rosana Ehlke Vistuba em parceria com os representantes de alguns dos elos da rede de sócio proteção, criaram vídeos que instruíram o decorrer da Campanha.

Segundo a psicóloga que atua no CREAS, a ideia de criar os vídeos é baseada na velocidade e alcance da internet. “Ao invés de ir limitadamente, de escola em escola e falando para determinados grupos onde dificilmente eu alcançaria uma totalidade, com os vídeos eu pude auxiliar principalmente os professores, que muitas vezes não conhecem a linguagem adequada para a interação. Dessa forma eles puderam se inteirar do assunto e aplicar os vídeos na própria sala de aula.”

A coletânea de vídeos que conta com entrevistas de representantes do Conselho Tutelar, Polícia Civil e Militar, Poder Judiciário e também abordagens técnicas acerca do assunto, foram criados especificamente para colaborar e agregar à conscientização, onde a tema foi discutido e apresentado sob diversos pontos, visando a integração do público foco.

Os vídeos foram disponibilizados à todas as entidades e instituições e trabalhados ao longo do mês de maio nas salas de aula de todo o município e segundo as professoras, alcançando o objetivo de levar o conhecimento de uma forma diferenciada e atrativa às crianças e adolescentes.

Alguns dos cartazes produzidos em sala de aula também estamparam as vitrines do comércio local na última semana, mostrando a interação que envolveu também os empresários da cidade e a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), que incentivou os associados a participar da conscientização.

 

Edição impressa da Gazeta Informativa nº 161 de sexta-feira (18).

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