(Imagem Ilustrativa)

A maioria das pessoas sabe que Maio Amarelo é o mês de ações pela segurança no trânsito, algo que leva milhares de vidas anualmente no Brasil, e também deixa outras tantas com sequelas, algumas eternas chegando a destruir sonhos e causando enormes prejuízos ao nosso sistema de saúde e previdência.

Falando nisso, me recordo de certa vez quando morei em Maringá e vi uma ação realmente impactante promovida pela Universidade Estadual de Maringá, tanto que somente quem tinha mais de 16 anos podia ver. Foi num estande armado dentro da Expoingá, gigantesca exposição que ocorre na semana do dia 10 de maio, que é o aniversário da cidade. A universidade tinha uma simulação de como seria o impacto em um carro a velocidade de 40 km por hora, onde num assento com rodinhas num trilho de uma estrutura metálica, descia com a gravidade e parava dando o impacto idêntico a uma colisão. Já dava um susto. Mas na verdade o que assustava mesmo e era apenas para maiores de 16 anos, estava numa tenda de circo, onde passava um filme com vários acidentes reais captados por câmeras de trânsito no Brasil e em outros países. Era algo realmente tétrico, impactava de verdade quem assistia, pois ninguém falava o que seria visto e era pedido para que não comentassem, para manter o impacto nas outras pessoas.

Havia uma das cenas de acidentes que havia ocorrido lá mesmo em Maringá, e nesse acidente um pedaço da perna de um motociclista foi parar no alto do semáforo. Um tênis com o pedaço da perna, tão forte havia sido a pancada que vitimou o rapaz, mas a coisa não parava aí, pois na saída desse circo, entrava-se por um lado e saía por outro, na saída estava montado um semáforo com a cena do acidente de moto, para se ter a exta ideia da altura que ficou pendurado, para se noção do que aconteceu de verdade. Recordo-me de muito do que vi ali há uns 12 ou 13 anos, nunca vi uma campanha mais certeira do aquela. Garanto de que muitos que iriam beber naquele dia e depois voltar para casa dirigindo, não o fizeram ali e provavelmente nunca mais o farão.

A maioria das pessoas ama dirigir, é sabido que é uma paixão nacional, principalmente dos homens, como se fosse uma espécie de afirmação. O sonho do primeiro carro, o sonho de ter um carro possante, o sonho de ter um carro grande, com um super motor e por aí vai. É uma espécie de status masculino, que em alguns casos chegam a ser realmente exagero, mas gosto é gosto e é algo pessoal, mas o que fica difícil é quando toda essa vaidade vai para as pistas e tentam fazer com o carro além do que é permitido. As barbaridades que presenciamos muitas vezes nas ruas e estradas, até mesmo de motoristas profissionais, daqueles que deveriam dar exemplo, pois além de profissionais, tiram seu sustento e de sua família desse ofício, que costuma castigar as falhas, às vezes mesmo pequenas falhas.

Eu já vi muitas campanhas sobre acidentes de trânsito, e sempre se trata das falhas dos motoristas, pois estes são em sua grande maioria os causadores desses acidentes, e poucas vezes são por falhas mecânicas. Já li estudos psicológicos sobre as transformações pelas quais muitos motoristas passam ao assumir um volante, de pessoas pacíficas para gladiadores do trânsito, onde parecem querer lutar contra os outros motoristas como se estivessem numa corrida, assumindo riscos malucos, que parecem muitas vezes incríveis se não fossem filmadas. Colocam-se em risco e colocam suas famílias em risco também, ao ultrapassar em local proibido, andar acima dos limites, passar em sinal vermelho, gritar com outros motoristas, buzinando para tudo e achando que só existe ele no trânsito. Esses motoristas me recordam aquele antigo desenho do Pateta, que ao dirigir fica ensandecido, e que além de se colocar em risco coloca todos que dirigem e tem o azar de cruzar com esses indivíduos pelo trânsito.

Tomar bebidas alcoólicas é um direito, tomar em excesso é uma perda de tempo, mas depois de beber todas e querer dirigir, não deveria ser considerada uma contravenção, mas sim tentativa de crime, pois coloca muitos em risco de vida, não apenas de patrimônio.

Recordo-me de ter lido que em alguns países, os condenados por dirigir alcoolizados são obrigados a prestar serviços voluntários em hospitais onde os traumatizados em acidentes são tratados, onde passam meses, às vezes anos, por fisioterapia para recuperar movimentos ou reaprender a viver sem algum membro perdido. Acidentes acontecem, mas na maioria das vezes o que temos são riscos que muitos malucos correm com a vida dos outros.

Hugo Lopes Júnior
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