Modelo da capelinha a ser seguida para a santa. (Fotos: Associação dos Moradores da Vila Amaral)

A comunidade da vila Amaral, capitaneado pela Associação de Moradores, realizou uma campanha com amigos de São Mateus do Sul para arrecadar materiais de construção e erguer uma capelinha que abrigará a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, junto ao rio Iguaçu.

O local escolhido para a construção é na prainha, junto ao encontro das ruas Antônio Bizinelli e Ney Braga, ao lado da rampa de acesso ao rio, que também já foi uma obra da comunidade.

A ideia da homenagem à padroeira da comunidade da vila Amaral, antiga “São Mateus Velho”, surgiu após a construção da rampa de embarque e agora está sendo realizada. É no local da construção que se recebe a tradicional navegata*, que traz andor com a Nossa Senhora dos Navegantes, na tradicional festa em seu louvor, que ocorre no mês de fevereiro. A imagem também, segundo os organizadores, poderá abençoar a todos os navegantes que embarcarem naquele ponto ou mesmo que passarem pelo rio, tendo a oportunidade de reverenciar a santa em sua capela.

A comunidade tem mais ideias para realizar junto àquele espaço. Após a construção da capelinha, o desejo é transformar o local numa praça com bancos, calçamento, iluminação, e ligando tudo isso ao novo asfalto que foi feito na rua Antônio Bizinelli, transformando num belo local de convivência.

As ideias para o local e região não param por aí. Após transformar o espaço numa praça, a ideia é fazer uma Trilha Ecológica com atividades intermediárias para serem realizadas e percorridas, ligando o local até a praça do Iguaçu, beirando o rio Iguaçu. Esse é um grande exemplo da comunidade se apropriando do seu espaço e trabalhando para o benefício de todos.

A obra terá um pedestal que abrigará uma capelinha (seguindo modelo da foto ilustrativa), a qual será revestida com pedras do próprio rio Iguaçu, já que é ali o principal ponto de navegação da comunidade. Um belo simbolismo, com a imagem que cuida de quem navega pelo rio e ao mesmo tempo é protegida com pedras fornecidas pelo rio. Depois de pronta a capelinha, a comunidade vai encomendar a imagem sob medida, em Curitiba.

As obras devem iniciar neste sábado, dia 6 de março, por voluntários. Quem puder colaborar com materiais e/ou mão de obra deverá entrar em contato com Ezequiel (42) 98827-0649 ou Felchak (42) 98808-3461.

Nossa Senhora dos Navegantes

A devoção à Nossa Senhora dos Navegantes iniciou na época das cruzadas, na Idade Média, quando os portugueses e espanhóis cruzavam o Mar Mediterrâneo rumo à Palestina para protegerem os locais sagrados, enquanto pediam a intercessão da santa. Nesta devoção, Nossa Senhora é chamada também de Estrela do Mar, aquela que protege os navegantes mostrando-lhes sempre o melhor caminho e um porto seguro para a chegada. Antes das travessias, os navegantes participavam da Santa Missa pedindo proteção e mais coragem para enfrentar o mar e as tempestades com seus pequenos barcos. É padroeira dos navegantes e dos viajantes também.

Quando os portugueses e espanhóis deram início às grandes navegações, aos descobrimentos de novas rotas e novas terras pelo mundo, a devoção a Estrela do Mar começou a ser difundida e nunca mais parou. As invocações a Nossa Senhora eram gravadas no próprio casco dos barcos. Quase todos os barcos traziam uma imagem dela entalhada em suas proas, com uma lâmpada de fogo que os marujos nunca deixavam apagar. No Brasil, quando os primeiros colonizadores portugueses chegaram, desembarcou a devoção à Nossa Senhora dos Mares, da Boa Viagem, Estrela do Mar, a mesma Nossa Senhora dos Navegantes. Difundiu-se a devoção entre pescadores simples e valentes, sempre com as orações antes de irem para o mar e rios, onde buscavam o sustento para suas famílias.

*A palavra navegata se refere a procissão de barcos pelo rio.

Hugo Lopes Júnior
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