(Imagem Ilustrativa)

Se fossemos fazer a opção por uma definição, poderíamos dizer que a Literatura é a técnica de compor e expor textos escritos, em prosa ou em verso, de acordo com princípios teóricos e práticos; o exercício dessa técnica ou da eloquência e poesia.

Mais produtivo do que tentar definir Literatura talvez seja encontrar um caminho para decidir o que torna um texto literário. Para simplificar, vamos fazer uma comparação por oposição. Vamos opor o texto científico ao texto literário.

ANÚNCIO

O texto científico emprega as palavras sem, necessariamente, preocupação com a beleza, o efeito emocional. No texto literário, ao contrário, essa será a preocupação maior do escritor. O escritor também pode buscar instruir e apresentar ao leitor uma determinada ideia; mas, diferentemente do texto científico, o texto literário une essa instrução à necessidade de recepção, da percepção, de experimentação dos sentidos.

Também, o texto científico emprega as palavras no seu sentido dicionarizado, denotativamente, enquanto o texto literário busca empregar as palavras com liberdade, preferindo o seu sentido conotativo, figurado. O texto literário é, portanto, aquele que pretende emocionar e que, para isso, emprega a língua com liberdade e beleza, utilizando-se, muitas vezes, do sentido metafórico das palavras.

Baseando-me em conceito defendido pelo professor e escritor Marcelo Spalding podemos afirmar que são três os objetivos básicos de um texto:

Convencer – incluídos aí os jurídicos, publicitários e relatórios técnicos;
Informar – onde podemos enquadrar os jornalísticos e acadêmicos;
Emocionar – para mexer com os sentidos, com as emoções do leitor;

Emocionar não é apenas fazer chorar. Um texto também pode provocar, fazer rir, causar indignação, lembrar um cheiro, reviver um sabor de infância, por exemplo. Relembro aqui o texto de Picasso: “A vida não é medida pelo número de vezes que respiraste, mas pelos momentos em que perdeste o fôlego: de tanto rir… de surpresa… de êxtase… de felicidade…”. Sensações que podem ser vividas ou provocadas de muitas formas, como por exemplo, criando personagens, contando histórias, ensinando ou apreciando um bom texto. Além de vivê-las, as sensações, podemos provocá-las, com nossa escrita criativa.

Então, um texto precisa de conteúdo. Você precisa sentir o texto e o leitor também precisa ser impactado. Assim, escreva algo que lhe agrade e traga o mesmo sentimento ao seu leitor.

Na prosa ficcional, segundo David Lodge, não há regras, exceto as que o autor define para si mesmo. Entretanto, há pontos que julgamos devem ser “obedecidos”, algumas características que conferem qualidade ao texto, não falamos apenas de literatura, mas da literariedade, conceito defendido por Roman Jakobson.

Chamamos de forma toda a técnica de criação utilizada em um texto para que este provoque um efeito no leitor.

Além da técnica, precisamos fazer o uso correto de nossa língua. Também daquilo que mantemos em nossa caixa de ferramentas, que precisamos ter sempre à mão, como por exemplo: a linguagem figurada, o subtexto, a verossimilhança, a polissemia, o conflito, a concisão e simplicidade, o ritmo.

Como já dissemos, não há uma receita para se escrever, mas há muitos caminhos e técnicas que podemos utilizar. Aí está a verdadeira magia da escrita criativa. Escreva!

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Escassez ou abundância?
O essencial é invisível aos olhos
Highlander