Da roda de fiar às peças industrializadas, muitas mudanças ocorreram no modo de aquisição do enxoval de casamento e até mesmo, porque não dizer, da própria instituição do casamento. Por mais simples que fosse, até meados do século passado, era quase impossível pensar no casamento sem o enxoval. Através de documentos antigos e acervos em museus, podemos ver que os enxovais refletiam o nível econômico de um grupo social, como também testemunhavam a cultura material de uma época.

O passado, representado nestas peças de enxovais, pode nos fazer pensar sobre esta cultura “feminina” e nos fazer refletir sobre a condição da mulher naquele contexto histórico, mas também para conhecermos e talvez, até admirarmos os bordados, as pinturas, costuras, tecidos e tudo mais que fosse necessário para a elaboração dos mesmos, que também têm o seu valor. Merecem uma contemplação. A camisola da noite de núpcias, por exemplo, era a condição sine qua non de um casamento, por fazer parte de um ritual importante da união.

Neste sentido, apesar de não ser composto por palavras, o enxoval era, na verdade, uma linguagem pertinente do ser feminino, para os padrões da nossa sociedade e de determinada época. Hoje, o enxoval de casamento, permanece mais como uma tradição e não possui mais o caráter de obrigatoriedade, como ficou marcado durante muito tempo.

Acervo: Casa da Memória Padre Bauer

Texto e fotos: Hilda J. D. Dalcomuni

Referências: Perrot, Michelle. Práticas da memória feminina. https://www.vix.com/pt/bdm/estilo/enxoval-uma-cultura-feminina

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