(Imagem Ilustrativa)

Já foi mais fácil decidir. Ter muitas opções de escolha parece bastante interessante, mas algumas vezes o excesso de informações disponíveis para tomada de decisão nos paralisa, adia nossas escolhas ou nos leva a decidir erroneamente. O nome dado a isso é cegueira informacional.

Lembro-me de que há duas décadas, quando você decidia pintar a casa, por exemplo, existia um catálogo com pouco mais de meia dúzia de cores padronizadas e você poderia mistura-las ou adicionar pigmento para modifica-las ao seu gosto. Hoje, além de cores padronizadas, as máquinas de preparação de tintas oferecem milhares de opções e não é fácil decidir. São horas vasculhando um catálogo, depois produzindo amostras e espalhando-as nas paredes.

Na pizzaria é a mesma coisa, páginas e mais páginas com opções de sabores. A tendência é de sempre se fazer o mesmo pedido, sob pena de se gastar metade do tempo disponível para a alimentação ou da confraternização tentando se chegar a um acordo sobre os sabores.

Fazer opções com resposta na sua própria língua é mais fácil. Lembro-me da minha primeira viagem aos Estados Unidos em que pensei em simplificar as minhas escolhas e fui até um fast-food. Acostumado a pedir pelo número e receber um lanche padronizado, fui surpreendido. Primeiro a atendente me ofereceu três opções de pão, depois se eu queria com salada ou sem salada. Na sequência citou os possíveis pontos da carne, as alternativas de molho, perguntou se eu queria queijo extra, se eu comeria ali mesmo ou se era para viagem. Fez também outras perguntas que já nem me lembro mais. Na terceira eu já não conseguia mais raciocinar.

O mesmo acontece quando resolvem nos comunicar algo, nos repassar algum aconselhamento de segurança, por exemplo. Se o texto, o cartaz ou o vídeo nos traz muita informação, nem sempre percebemos o que é essencial, podemos nos dispersar e acabar cometendo o erro que nos leve a um acidente, por exemplo.

Uma outra situação pela qual muitos de nós já passamos são as pesquisas de opinião sobre o atendimento em determinado segmento, como por exemplo, o de concessionárias de automóveis. Olhe que alguns institutos de pesquisa cobram verdadeiras fortunas para aplica-las! É claro que quem telefona está cumprindo dignamente o seu papel profissional, e insistem para que a pesquisa vá até o final, mas elas são intermináveis e chateiam qualquer ser, mesmo aqueles com boa vontade. No caso das pesquisas, elas usam critérios de amostragem. Assim, não precisariam fazer todas as perguntas para todos os clientes. Poderiam simplificar fazendo algumas para uns, outras para outros e no final aplicar um critério estatístico para validação.

Assim, de forma geral, seria mais racional se ao invés de tantas opções ou de tantas informações utilizássemos os dados que possuímos para identificar o que mais agrada aos nossos clientes, o que mais interessa para aqueles que queremos transmitir informações ou orientações. Nem sempre um grande número de opções é o que mais atrai, ou o que mais instrui.

Gerando um grande número de opções, também podemos estar encarecendo o nosso produto e perdendo espaço para a concorrência. Podemos ao invés de ensinar, por exemplo, desmotivar nossos alunos ou subordinados com uma enxurrada de informações desnecessárias.

Quem se vê na condição de cliente, expectador ou aluno pode não querer perder o seu tempo. Lembro-me de um filme do final da década de 1980, A mosca, na qual um cientista possuía um armário cheio de camisas e calças todas iguais não perdendo tempo em escolher ou combinar peças de roupa. Canalizava a sua energia para as decisões e ações que realmente eram importantes para ele. É claro que este exemplo é um exagero, mas todos deveríamos ser mais racionais com o nosso tempo, com nossos recursos, com o tempo e com os recursos dos outros também.

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Todo poder emana do povo?
Buscando o fim do túnel
Vaidade