O reajuste salarial dos servidores estaduais é a principal causa da manifestação. (Fotos: Professores de São Mateus do Sul)

Desde o dia 25 de junho, professores e demais servidores da rede estadual manifestam o reajuste salarial em todo o Paraná. Em São Mateus do Sul cerca de 200 professores aderiram à greve, que tem como principal objetivo a garantia de direitos na reposição salarial. De acordo com o Fórum das Entidades Sindicais (FES), os salários dos servidores estão congelados há quatro anos e a defasagem chega a 17%, decorrente do congelamento dos salários desde 2016. “A luta não é apenas dos professores, mas sim de todos os servidores”, expressa o grupo de professores do município. Ao todo a greve foi aderida por 30 categorias, que também pedem por melhorias nas condições de trabalho.

Na semana passada, após tentativas de conversas com o governador Carlos Roberto Massa Júnior (Ratinho Júnior), o representante apresentou uma proposta de reajuste no valor de 0,5%, causando mais revolta nas classes. Nesta semana o governador propôs 2% para ser pago no mês de janeiro. As propostas só fizeram o movimento crescer em protesto.

Na última terça-feira (9), os professores são-mateuenses – com o apoio do Núcleo Sindical de União da Vitória – foram até Curitiba para manifestarem seus direitos previstos em lei. A manifestação reuniu mais de 30 mil servidores de todo o Paraná, dentre professores, delegados, policiais e profissionais da saúde. Além de realizar o ato de manifestação pelas ruas, o grupo se encontrou na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), e seguem até o momento aguardando respostas concretas.

Segundo a APP Sindicado de Curitiba, durante a sessão da Alep, os servidores estaduais lotaram as galerias da Assembleia, manifestando seus direitos previstos em lei. A indignação com a falta de respeito aos servidores e as negativas do governo a todas as pautas do grupo também eram mencionadas pelos manifestantes. “Durante a sessão o deputado Ricardo Arruda ofendeu os servidores chamando-nos de vagabundos e apresentando uma apresentação mentirosa em que afirmava que o funcionalismo público obteve 28% de aumento”, expressam. Para o presidente da APP Sindicato, Hermes Leão, o grupo se mantém em ocupação dentro da Alep como forma de resistência, denunciando a covardia e ausência do governador Ratinho Júnior e autoritarismo de parte dos deputados. “Queremos a mediação do Ministério Público Federal e buscamos a ajuda de outras entidades.”

A greve em São Mateus do Sul

Além dos cerca de 200 professores que aderiram a greve na rede estadual de ensino, outras categorias – em menor número de grevistas –, também abraçaram a causa em São Mateus do Sul. Grupo de educadores de Antonio Olinto também estão em greve.

De acordo com a professora Dagmara Santana, a greve começou no dia 25 no município com apenas 10 professores. “Nossa greve foi construída dia a dia, pouco a pouco, então 200 pessoas é um ótimo resultado. Estar em greve não é fácil. Não queríamos esta situação, mas o governo nos empurrou para isto. O término da greve depende dele”, diz. A professora explica que alguns professores não aderiram à greve por inúmeras questões como o medo de retaliação.

Nas duas semanas de greve os colégios estaduais estão reformulando os horários de aula, dispensando os alunos em algumas disciplinas. “É muito triste e revoltante sermos tratados com tanto desrespeito e descaso, chamados de vagabundos por pessoas que não conhecem o trabalho que fazemos nas escolas”, enfoca Dagmara. O grupo de servidores que atua no município diz não contar com o apoio do deputado estadual Emerson Bacil, que não levou a causa como prioridade dentro da Alep. “Queremos apenas o que é nosso de direito e assegurado por lei. Estamos perdendo esses direitos conquistados através das lutas daqueles que vieram antes de nós. Não podemos no calar, precisamos, todos lutar por um país melhor pra nós e para as futuras gerações”, afirma.

A equipe da Gazeta Informativa entrou em contato com a Assessoria de Comunicação do deputado estadual Emerson Bacil, e até o momento não obteve nenhum retorno.

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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