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Abri a janela. O céu estava límpido, azul. Respirei o mais profundo que pude e o ar limpo invadiu os meus pulmões. A brisa, suave tocava o meu rosto e senti toda a energia da natureza. Agradeci por este momento. Busquei na memória as imagens daqueles que mais quero.

Um ato tão simples, nem sempre valorizado. Você já experimentou olhar para o céu, desligar-se de tudo que o rodeia e apenas sentir a energia, depois fechar os olhos, ouvir os sons que lhe circundam, identificar cada um deles? Experimente, mesmo que por alguns segundos.

Pode não parecer importante, talvez só sintamos falta disso quando não pudermos mais experimentar, presos a um ventilador mecânico, num quarto do qual não saiamos mais.

A grande maioria vai passar por tudo isso, sem grandes traumas, alguns não. A única certeza que temos é que depois dessa crise, dessa pandemia, seremos diferentes, como nunca fomos.

Ainda estamos divididos. Temos diferenças políticas, religiosas. O mundo no meio de toda essa confusão e incerteza trazida pelo vírus ainda insiste na briga pelo preço do petróleo, pela busca do poderio econômico e trava guerra nas Bolsas de Valores.

Aqui no Brasil, onde a última guerra contra um inimigo externo nem lembramos mais quando foi, estamos aprendendo a combater um inimigo, invisível, imprevisível e que apresenta suas armas quando já nos derrubou. Povos que já passaram por uma guerra conhecem a importância da união, da cooperação, do respeito e do auxílio mútuo. Essenciais para suporta-la e para a reconstrução. Nós ainda precisamos aprender a dividir o que temos, a somar nossos esforços, a multiplicar os nossos recursos para diminuir o crescimento do inimigo.

Hoje, o crescimento exponencial é o do contágio pelo COVID-19. Que num breve futuro o que cresça exponencialmente seja a nossa vontade, a nossa força para construir um mundo melhor.

Sei que é difícil esquecer o material. Estamos preocupados em como pagaremos nossas dívidas nos próximos meses, se os recursos serão mais escassos nos próximos dias. Gostaríamos de estar comemorando com os amigos, assistindo partidas de futebol, praticando algum esporte, bebendo, dançando… São tantas coisas que gostamos de fazer!

Pensem que o mais importante neste momento é a vida, a saúde. Com elas podemos reconstruir, fazer melhor, valorizar ainda mais cada momento em que fazemos aquilo que gostamos. Vivendo, poderemos abraçar, ver de perto todas aquelas pessoas que gostamos, que amamos. Mas primeiro precisamos passar por tudo isso.

Que nossa próxima revolução não seja só tecnológica, na construção de máquinas. Que nossa revolução, melhor, que nossa evolução como seres humanos aconteça, que tenhamos o material, mas que o espiritual seja mais valorizado.

Por falar em tecnologia, ela que nos dividia, nos distanciava, agora foi a solução para a nossa união e para resolver muitos dos nossos problemas. Tudo precisa ser usado com equilíbrio. Tudo pode ser usado para o bem ou para o mal. Ainda bem que desenvolvemos aplicativos, criamos conexões, nossas redes. Tudo isso serviu para nos deixar mais informados, para movimentar a economia, para proteger as pessoas com orientações e para suprir um pouco da dor causada pela distância. Minimizou os efeitos do “isolamento social”.

Sob o ponto de vista econômico, depois de tudo isso seremos mais produtivos, aprenderemos onde investir melhor nosso esforço, nosso tempo, aquilo que temos. O salto no desempenho econômico não está só no fazer coisas e sim criar mecanismos e coisas voltadas a valorização e cuidados com o ser humano e com as demais espécies que nos rodeiam. Investir em pesquisa, no conhecimento, na educação é fundamental.

Espero que todos nós superemos este desafio e estejamos vivos e com saúde para, daqui a alguns meses, fazer parte de um mundo melhor, pois certamente seremos diferentes, seremos melhores.

Já que não é possível um abraço físico, fiquem com o meu abraço virtual! Força!

Adnelson Borges de Campos
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