Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Colégio Integral é palco de reivindicações de pais, professores e alunos

Segundo pais, a manifestação foi ocasionada pelo atraso de pagamentos à funcionários e ausência de diálogo. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Na quinta-feira (24), pais, alunos e funcionários do Colégio Integral, tradicional instituição privada de São Mateus do Sul, localizada nas proximidades da Unidade Six da Petrobras, organizaram uma manifestação em frente às dependências do colégio, exigindo explicações sobre os problemas de ordem financeira que preocupam funcionários e professores.

Segundo os pais, a manifestação foi feita por eles, para conscientizar a direção do colégio que não fornecia informações compatíveis à realidade. A mobilização também foi em prol aos professores e funcionários que estão com seus salários atrasados e direitos trabalhistas não assegurados.

A manifestação ocorreu no início das atividades escolares, nos períodos matutino e vespertino, e interrompeu as aulas durante toda a quinta-feira.

O Colégio Integral, atua há 35 anos em São Mateus do Sul e hoje possui cerca de 170 alunos e pouco mais de 50 profissionais que trabalham como educadores, assessores pedagógicos, administradores e secretariado.

A equipe da Gazeta Informativa foi convidada pelos pais para colaborar com a divulgação da manifestação e também na tentativa de obter respostas de forma neutra, por parte da gestora do colégio, Lúcia Maria de Fátima Contiero, que nos recebeu junto do advogado Firmino de Paula Santos Lima.

A diretora afirmou desconhecer a movimentação provinda pela comunidade escolar. Segundo ela, a informação de que a escola estaria para venda já foi anunciada para toda equipe. “A inadimplência é muito grande e eu não consigo arcar. Já coloquei tudo que tinha dentro da escola. Não consegui dinheiro suficiente para todas as coisas que tem de pagar”, informa.

De acordo com os professores, a gestora anunciou a venda e se despediu da escola, e ainda manifestou a necessidade de dois dias úteis para se afastar. Já segundo os pais, muitos que também foram alunos da instituição, tentaram o diálogo para se chegar à um consenso, mas a gestora comentou de que não queria mais vender e que iria fechar.

“Nosso problema é esse, vai e vem de afirmações e mudanças de ideias da proprietária. Num momento fomos comunicados da venda e sua saída, em outro, de que não foi vendido e que ela iria fechar, causando a angústia de nós pais e principalmente dos nossos filhos que precisam estudar”, questionam os pais.

Os funcionários afirmaram que eles foram convocados via e-mail, para uma reunião no dia 11 de maio, com a pauta que iria se referir à venda da escola e a nova direção, inclusive com ata assinada por todos. “No evento do Dia das Mães, a direção também fez o anúncio da venda a todos os presentes.”

De um lado estão os funcionários que alegam estar três meses com atraso de seus salários, do décimo terceiro, férias e a ausência do pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), desde agosto de 2016, um valor estimado, segundo os professores, em mais de R$ 100 mil.

Do outro lado, está a diretora que discorda da informação e contesta, afirmando que os funcionários têm atraso em apenas parte de décimo terceiro e parte de férias sem pagamento.

“Tivemos várias promessas e renegociações, e em conjunto chegamos ao consenso de aguardar a normalidade da situação, em respeito a ela, aos alunos e os possíveis novos donos da escola. Amamos o colégio”, garantem os professores.

Alguns pais mostraram interesse para a compra da instituição. “Os pais querem que eu venda, mas não posso vender para uma ideia, tenho de vender para uma empresa. Não posso vender a escola para pessoa física, tem de ser um organismo constituído e estou esperando aparecer.”

Ainda sobre a venda, Lúcia enaltece que depende somente dela e sua gestão escolar. Ela explica que o processo de fechamento de uma escola é apenas entre a diretora e seu documentador responsável, os pais não podem se envolver.

Uma das principais preocupações entre funcionários e pais, é a ação movida pelo Clube dos Empregados da Petrobras (CEPE). O terreno onde se localiza a escola pertence à Petrobras e o CEPE o explora comercialmente, cobrando aluguel do colégio. Por conta do atraso de alguns pagamentos, a equipe entrou com uma ação de despejo por adiamento de alguns pagamentos.

A ordem de despejo determina que a escola encerre suas atividades no final deste ano letivo. De acordo com o advogado, o processo é público e qualquer pessoa pode ter acesso às informações.

O montante de débitos da instituição, entre ações trabalhistas, salários, aluguel e demais débitos, são de conhecimento da proprietária, que manifestou não querer expor o valor total.

Desde a quinta-feira as atividades foram interrompidas. De acordo com professores, eles receberam informações informalmente por parte da diretora. Ela alegou de que a possível nova proprietária não precisará de funcionários, pois já possui equipe pedagógica completa. Os professores ainda ressaltam que a diretora não comunicou formalmente a venda ou a finalização de seus contratos trabalhistas. “Ela colocou ainda que quem quiser receber que vá a justiça”, dizem.

A equipe do Colégio Integral comunicou que muitos pais já realizaram a transferência dos alunos para outras instituições educacionais. “Foi muito triste ver os pais chorando ao pegar o material dos seus filhos”, destacam os professores.

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