Histórias de Terra e Céu

Colégio São Mateus: A Escola Guerreira

Foto: Acervo da Casa da Memória

Foto: Acervo da Casa da Memória

A situação da educação em São Mateus do Sul passou por uma mudança drástica há quase cem anos com o nascimento de uma escola destinada a grandes combates. Embarque comigo nesta história!

Até 1920 a educação no município era realmente precária. Mesmo as boas inciativas pontuais (como a escola da Água Branca) focavam na alfabetização e em noções muito básicas de ensino. O Inspetor Estadual da Instrução Pública, Cesar Prieto Martinez, registrava que em São Mateus existiam 10 escolas isoladas. O próprio inspetor citava a urgência de modificar o quadro no Estado, criando Grupos Escolares que pudessem dar uma educação integral. Assim surgia a ideia de estabelecer um destes grupos em nossa cidade.

Em 21 de abril de 1922 era finalmente inaugurado o Grupo Escolar São Matheus, em cerimônia com a presença do prefeito Paulino Vaz da Silva e do Promotor Público Joaquim Ferreira Guimarães. A escola passou a ser dirigida pelo professor Bernardo Amaral Wolff, e tinha apenas três professores: Belkiss Carneiro, Donatilla Tavares e Flávio do Amaral Wolff. A primeira guerra enfrentada pelo Grupo Escolar foi a construção do primeiro prédio, que levou cerca de cinco anos. A instalação simples (seis salas de aula e mais a sala do diretor) consistia no prédio onde atualmente funciona o Fórum.

No final da década de 1920 a escola foi assumida pela diretora Henriqueta Valente, que iniciou uma nova guerra: trazer professoras normalistas, de forma a profissionalizar a educação, visto a “péssima disciplina” e a “nenhuma observância do horário e do programa” por parte dos professores. Entre as normalistas que chegaram para dar este salto, cabe destacar a figura de Enedina Marques, primeira professora negra, mulher de fibra que faria história na educação do Paraná, e que merece uma coluna específica para contar sua vida. Neste mesmo período (1932) a escola teria outra vitória: seu antigo diretor, Bernardo Wolff, viraria prefeito. Era a primeira vez que um professor assumia o cargo máximo em São Mateus.

Nas décadas seguintes o Grupo Escolar aumentou o número de alunos e professores, e passou por mudanças de nome. Chamou-se Dr. Paulo Fortes e depois Colégio São Mateus (hoje estas duas denominações coexistem, como escolas do município e do estado). No ano de 1945 a instituição passou a funcionar no novo prédio, na rua Dr. Paulo Fortes. Mas a foto desta coluna ilustra um episódio que ocorreu alguns anos antes. Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão cortou o fornecimento de borracha para os países aliados. Este era um insumo fundamental, que poderia parar os exércitos. O governo brasileiro solicitou aos cidadãos que se mobilizassem na busca de objetos de borracha. Aqui na cidade, o Colégio São Mateus agitou a população na campanha “Borrachas para a Vitória da Democracia”, arrecadando uma grande quantidade de objetos. Enquanto os pracinhas são-mateuenses partiam para lutar na Europa, a escola guerreira “participava” da guerra com suas forças.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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