Como um jornal genuinamente são-mateuense, é gratificante para toda nossa equipe compartilhar histórias de sucessos de pessoas que nasceram no município ou que estiveram aqui de passagem. Essa semana conheceremos a história do médico oncologista Eduardo Kowalski e da mestre e doutoranda em química Flávia Marszaukowski. Ambos frequentaram o ensino público no município, e hoje brilham pelo país – e fora dele –, mostrando profissionalismo e responsabilidade em suas áreas de atuação. Inspire-se com eles!

Do sul à Bahia

Seu primeiro contato com São Mateus do Sul não foi desde o nascimento, mas o carinho pela cidade é motivo de histórias para seus familiares e colegas de trabalho. Eduardo Kowalski, de 41 anos, nasceu na cidade de Pimenta Bueno – Rondônia, e o caminho que fez com que o morador da região norte viesse para o sul do Brasil foi motivado pelas oportunidades de estudo. “Na época, Rondônia não tinha escolas secundaristas com o mínimo de qualidade. São Mateus estava iniciando um curso de petroquímica no Colégio Estadual São Mateus (CESM), e dessa maneira aceitei a oportunidade de estudar fora, pois se ficasse lá não conseguiria continuar”, conta Kowalski, que morou com a sua tia Alzira, uma das pessoas mais importantes para Eduardo no município, que serviu como mãe e pai durante sua estadia na cidade.

Convivendo entre a Rua Guilherme Kantor e o caminho para o CESM, Eduardo possuía as manhãs livres, e dessa forma optou por dedicar esse período também para os estudos, matriculando-se no Colégio Estadual Duque de Caxias. “Tive grandes oportunidades em São Mateus do Sul e grandes professores. Professor Daniel Figueira de matemática e professora Samira Zen de português me ensinaram a gostar dessas duas matérias”, relembra. Eduardo conta que o incentivo da professora de português – que faleceu logo depois que ele foi embora do município –, foi fundamental para seu desempenho nos vestibulares. “Sempre sonhei em ser médico. Quando estudava no Duque de Caxias, a professora Samira me incentivou e falava que se eu estudasse tudo aconteceria a meu favor. Acreditei em mim quando ninguém acreditava. Persisti muito até que consegui, e esse caminho não foi fácil”, expressa.

Algo marcante durante a sua preparação para o vestibular foi o incentivo pela leitura, exigida pela professora de língua portuguesa. “Nós tínhamos que comprar e passar o domingo lendo o jornal A Folha de São Paulo e Gazeta do Povo, para que discutíssemos em sala de aula os principais assuntos do jornal de domingo. Com isso fui desenvolvendo meu senso crítico a aprendendo a redigir textos para os vestibulares”, relembra.

Eduardo se formou no ano de 2003 na Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), com especialização em oncologia. O profissional realizou sua residência no hospital Santa Casa de Belo Horizonte, referência no tratamento de câncer com mais de mil leitos disponíveis. Hoje Eduardo atua na Santa Casa de Itabuna – Bahia com oncologia clínica, sendo diretor clínico do hospital de base da mesma cidade. Também é professor de oncologia da Universidade Estadual Santa Cruz. “Ter passado por São Mateus do Sul e pelos dois colégios sem dúvida foram responsáveis pelo que sou hoje. Devo muito à essa cidade e tenho orgulho de ter morado aqui, onde fui muito bem acolhido”, expressa o médico.

Do sul ao Canadá

A vida acadêmica da são-mateuense Flávia Marszaukowski, de 26 anos, sempre foi movida por sonhos traçados e realizados. Hoje o objetivo de cursar um doutorado em química está sendo concretizado no Canadá.
Morando em São Mateus do Sul até os 21 anos, toda sua vida acadêmica foi em instituições públicas. Flávia iniciou o ensino fundamental na Escola Pedro Effco e concluiu no CESM. Durante a sua formação no ensino médio, a jovem optou pelo curso de química industrial integrado, ofertado pelo CESM. “Foi quando tive realmente o meu primeiro contato com a química e decidi que queria seguir nessa área para o resto da minha vida”, conta. O amor pelas matérias aplicadas no curso, juntamente com o estágio no laboratório da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), foram cruciais para a sua decisão de graduação no curso superior. “Queria fazer algo correlacionado com química, não importava o curso, o que importava era ter química na ementa”, conta.

Flávia cursou licenciatura em química na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), em União da Vitória, e já no primeiro ano traçou os objetivos de: se formar, fazer o mestrado e depois doutorado. “No último ano de graduação chegou a hora de escolher que área seguir, já que eu iria prestar a prova do mestrado. Foram incontáveis conversas com meus professores, conselhos daqui, conselhos de lá, e resolvi – para a surpresa de todos – que iria fazer mestrado em química inorgânica. E essa foi a segunda decisão mais certa da minha vida. Não foi fácil, afinal tive que aprender muito sozinha. Essa é uma das partes ruins de Universidades Públicas, pois algumas disciplinas foram afetadas por greves e falta de professores”, conta.

Após incontáveis horas de preparação e estudos, Flávia recebeu a notícia que havia passado nas duas Universidades para o mestrado, e o melhor de tudo: com bolsa de estudos, realizando a dissertação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). “Finalizando o mestrado, eu estava perto de ter que conquistar meu terceiro objetivo: o doutorado. Talvez essa tenha sido a etapa mais difícil. Minhas chances não eram muito grandes, e tive que conviver com a ideia de que talvez não conseguisse isso, pelo menos não naquele ano. Mas para a minha surpresa recebi a notícia que tudo saiu como eu havia sonhado”, diz.

A linha de pesquisa que Flávia trabalhou no mestrado e que continua estudando no doutorado e síntese, é a caracterização e aplicação de complexos de rutênio-areno como agentes antitumorais e antibacterianos. “Em linhas gerais, nós trabalhamos desenvolvendo ou testando compostos já existentes em células cancerígenas ou em bactérias, com o objetivo de que um dia esses compostos possam vir a ser utilizados como medicamentos para quimioterapia ou como antibióticos”, informa. Colaborando com supervisores e orientadores, foi através do projeto produzido pela equipe que surgiu a oportunidade para as pesquisas fora do país.

Flávia finalizou seu primeiro ano de doutorado no Brasil, e no dia 18 de março iniciou sua aventura viajando para o Canadá, para ficar cerca de um ano no país. “E realmente a palavra aventura é o que resume o que tem sido esses pouco mais de dois meses longe de casa. Vir para o exterior é um desafio muito grande, ainda mais quando você faz isso sozinha. Você não consegue evitar sentir falta da sua família e amigos o tempo todo, mas por outro lado você percebe o quanto isso te faz crescer psicologicamente e profissionalmente, e que o seu sucesso faz eles se sentirem bem também”, expressa. Seu estudo está sendo realizado pela Universidade de Lethbridge.

“Uma coisa que gostaria de ressaltar é de que eu não conseguira nada sozinha, se não tivesse o apoio da minha família, dos meus orientadores e amigos. Eu sei o quanto meus pais sacrificaram para eu estar onde estou hoje e por isso sou muito grata a eles. E para quem pensa em seguir a mesma área, ou mesmo para quem está em dúvida em relação a estudar seja no Brasil ou no exterior, eu só tenho um conselho: não desista! Tem dias que vão ser difíceis, e que parecem que não vão dar certo, afinal nossa vida não é um conto de fadas. Mas eu tenho uma ótima notícia: elas dão certo sim! Investir em educação e em um sonho é a melhor coisa a se fazer”, finaliza.

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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