Nem tão simples assim...

Com que roupa eu vou?

Aqui, apresento-lhe meu vício desse último mês: as músicas do José Tiago Sabino Pereira. Não conhece? Mas você já deve ter ouvido falar em Projota, são a mesma pessoa. Claro, junto com essa coisinha maravilhosa, tem 13 Reasons Why e sua respectiva trilha sonora, Ruelle, Mr Robot, o primeiro episódio da terceira temporada de Rick & Morty, o crush he he he, etc. Titia Anna recomenda muito, tudinho, tudinho (menos o crush porque ele é só meu ;D)

Mas voltando ao cantor por mim mais ouvido essa semana, eu sei que ele é bem criticado pelo jeito como ela fala de diversos assuntos e coisas assim, mas eu acho bem boas as letras (lógico que tirando os palavrões), porque normalmente elas falam coisas com as quais eu concordo, embora o estilo da música não seja lááá o meu preferido. Uma das coisas que mais me chamou a atenção esses dias, foi a letra da música O Portão Do Céu, mais especificamente esse trecho:

“Então, não troca de roupa, amor
O mundo te fez sentir dor
E o mundo anda tão machista
Que a mina se assusta se aparece um cara
Que te dá valor
Também pel’amor não deixam vestir
Não deixam agir, é a submissão do opressor
E no mesmo vagão do metrô
Segue sua mãe e o estuprador”

Essa parte em específico me fez pensar naquelas coisas que a gente ouve bastante por aí, tipo “Ai, porque mulher se veste muito vulgarmente”, “Mulher tem que obedecer e ser submissa ao marido”, “Desde menina, as mulheres têm que aprender a cozinhar, limpar e cuidar de crianças” e (a pior de todas) “Mulher com roupa curta está pedindo e tem que ser estuprada”. Eu sei que não é a maioria das pessoas que diz isso, mas muitas, nem que seja lá no fundinho, tem algum pensamento que é baseado nisso.

Infelizmente, até eu quando vou sair na rua tenho que parar na frente do meu guarda-roupa e pensar “Não, essa bermuda é muito curta”, “Essa blusa é muito justinha e decotada”, sabe por quê? Exatamente, porque se eu me vestir de qualquer jeito que chame a atenção é bem possível que um cara vai me dar oi na rua ou assoviar, e isso não é legal. Eu, pelo menos, não gosto.

Assim, embora eu seja uma defensora e goste muito da famosa “Família nuclear”, isso não significa nem de longe que as mulheres devem ser mandadas pelos maridos, como muitos pensam funcionar. Na verdade, se você pensar bem, tudo funciona melhor com o equilíbrio, razoabilidade. Por exemplo: aquelas mulheres feministas que fazem protestos sem roupa, que chegam a reivindicar atitudes absurdas como castrar os homens e coisas nesse sentido, não seria muito diferente se homens saíssem pelas ruas sem calças defendendo os antigos hábitos de as mulheres não terem direito a nada. Nenhum dos dois é equilibrado.

Além de tudo, você não precisa se esforçar muito para achar alguma pessoa nas redes sociais se dizendo feminista ou femista* (sendo que na maioria dos casos nem sabe a diferença dos dois), mas o único argumento que ela tem é que “as mulheres ganham 20% a menos que os homens com o mesmo tempo de estudo e no mesmo cargo”, primeiro que isso é inconstitucional (art. 7º, inciso XXX da Constituição Federal), então falta ler e estudar um pouquinho para querer discutir com alguém; e segundo que se você quiser defender suas ideias, apresente um motivo que faça os outros pensarem no seu ponto de vista, porque essa afirmação ali qualquer um já ouviu.

Enfim, são assuntos muito complicados, controversos e com diversos aspectos a serem discutidos, mas é aquele ditado: Respeito é bom e todo mundo gosta, seja homem ou mulher. Vale a pena dar uma pensadinha, refletir um pouco, e reorganizar as ideias. Aliás, se você é homem e já deu em cima de uma mulher enquanto você passava de carro na rua, não faça isso, por favorzão, é bem constrangedor. E se você é mulher, só digo que ninguém respeita quem não respeita a si próprio.

*Feminista ou femista: Feministas querem o fim da divisão de sexos e da superioridade masculina. Femistas defendem a hierarquização da sociedade na base matriarcal.

Beijos, Anna.
annajulia.reginato@yahoo.com.br

Anna Julia Reginato
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