Histórias de Terra e Céu

Começos e Fins

Imagem Ilustrativa

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Há um ano atrás eu começava a escrever artigos sobre astronomia aqui na Gazeta Informativa. Minha primeira coluna foi publicada exatamente na data do aniversário de Nicolau Copérnico, um polonês (como muitos dos imigrantes que começaram nossa cidade) e um astrônomo, alguém que nos ensinou a olhar para o céu de forma diferente: um céu que deixava de ser estático e passava a ter “começos e fins”. Embarque comigo nesta história!
Por muitos séculos a humanidade insistiu em crer que o céu era estático. As transformações só poderiam ocorrer abaixo da esfera da lua, onde o mundo era imperfeito e habitado pelos homens. Acima da lua, segundo a crença “científica”, estava a morada de Deus, e ali tudo teria que ser perfeito e imutável.

As coisas começaram a mudar quando Copérnico propôs que a Terra não fosse o centro do Universo, sendo apenas um planetinha girando em torno do Sol. É claro que as pessoas cultas (que basicamente pertenciam à Igreja) torceram o nariz para esta ideia, mas acabaram não dando muita atenção, afinal, era apenas uma ideia. Mas quando malucos como Galileu, Kepler e outros resolveram provar que a ideia era realidade, aí a coisa complicou. Galileu construiu uma luneta e apontou para a Lua, mostrando que ela tinha crateras (isso era um absurdo! Imperfeições nos domínios de Deus???). Depois observou Júpiter e mostrou que ele tinha satélites que giravam em volta dele, provando haver objetos que não giravam em volta da Terra (é claro que as autoridades disseram que Satanás havia entrado na luneta!!!)

Mas talvez o evento mais impactante, neste período, tenha sido a observação de uma supernova. Sim, estrelas explodiam! Tinham fim, assim como a vida humana… E, muitos anos depois, os astrônomos entenderam que esta explosão estelar dava lugar a uma nebulosa, e também descobriram que as nebulosas faziam nascer novas estrelas (Inclusive a foto que ilustra este artigo é de uma nebulosa, onde nascem estrelas, e os astrônomos acharam parecidos com a “mão de Deus”). O Universo era cheio de começos e fins. A “morada imutável de Deus” era uma farsa (aliás, eu acho que Deus é muito esperto para se contentar com a chatice de coisas imutáveis… Deus ama as transformações!).

Quanto mais os homens foram conhecendo o Universo, mais foram entendo que não havia marasmo nele. Aqui mesmo em nosso planeta as transformações nunca pararam de acontecer. Por milhões de anos animais de grande porte dominaram a paisagem. Nenhum de nós poderia estar aqui se os dinossauros continuassem passeando por este chão. Mas há 65 milhões de anos um asteroide acabou com eles. Fim de uns, começo de outros.

E como tudo tem “começos e fins”, estou concluindo aqui uma caminhada. A partir da próxima semana cessarei a publicação dos artigos sobre astronomia. Aproveito para agradecer à Gazeta Informativa, em especial à Thaís, pelo espaço e pela oportunidade de unir duas coisas que amo: escrita e astronomia. Agradeço também a cada leitor que dedicou seu tempo para ler estas linhas. Que o Deus, que ama transformações, siga iluminando nossas vidas! Céus limpos para todos!


Obrigado, Gerson!

Na edição impressa nº 51, foi publicado o último artigo da coluna “De olho no céu”, sobre astronomia, escrito pelo queridíssimo e inteligentíssimo astrônomo amador Gerson Cesar Souza. Por mais verdadeiras e bonitas que possam ser as palavras usadas neste momento, nunca serão suficientes para representar o nosso agradecimento e nossa admiração pela pessoa e pelo profissional que você representa.

Nós do jornal Gazeta Informativa agradecemos imensamente por você ter trazido muita informação e curiosidade de qualidade até nossos leitores. Certamente muitos apreciaram os seus textos. Obrigado pelo comprometimento que você teve com o jornal, escrevendo ótimos artigos semanalmente. Nunca esqueceremos da sua excelente contribuição com o jornal e, acima de tudo, sentiremos muitas saudades.

Entendemos os seus motivos, pelos quais fizeram você cessar a coluna. Ficaremos torcendo por seu sucesso, agora e sempre, porque você merece. Que as nossas vidas continuem se cruzando e pedimos acima de tudo que jamais nos esqueça! O jornal está de portas abertas, para quando você quiser informar os nossos leitores e voltar a fazer parte da nossa equipe.

Obrigado de coração, por fazer parte da nossa história e por ter apostado em nosso projeto. Um forte abraço.

Gerson Cesar Souza
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