(Imagem Ilustrativa)

Palpites a respeito do que a nova mãe deve, ou não, comer para evitar cólicas na criança e frases como “seu seio é muito pequeno” ou “é melhor dar um complemento além do leite materno” são comuns durante a amamentação. No entanto, ainda que parentes e amigos façam comentários assim com boas intenções, muitos não passam de mitos e precisam ser verificados antes de preocuparem a mulher no pós-parto.

“Será que você tem leite suficiente? Não é melhor dar um complemento?”

Esse, com certeza, é um dos comentários mais ouvidos durante o pós-parto, pois parentes e amigos ficam preocupados em relação à nutrição adequada do recém-nascido. No entanto, o médico obstetra Marcelo Guimarães Rodrigues garante que esse questionamento é desnecessário, pois a maioria das pacientes tem, sim, leite suficiente para manter seu bebê saudável. “Principalmente porque o leite produzido pela mãe é específico para seu filho, com tudo o que ele precisa”, afirma o coordenador do setor de obstetrícia do Hospital Evangélico, em Curitiba.

Dessa forma, a suplementação será recomendada apenas nos casos em que o pediatra verificar atrasos no crescimento da criança ou no ganho de peso. “Mas é a minoria e isso deverá sempre ser prescrito por um especialista”, orienta.

“Não pode comer alho, cebola, repolho, chocolate ou coisas ácidas, porque dão cólica no bebê”

Segundo esse famoso conhecimento popular, diversos alimentos ingeridos pela mãe interferem na composição do leite materno e causam cólicas no recém-nascido. Mas isso também é mito. De acordo com Rodrigues, a maioria das dores abdominais apresentadas pela criança ocorre devido à sucção incorreta na hora que ela amamenta, e não como resultado da composição do leite da mãe. “Se o bebê faz uma pega incorreta do mamilo, ele suga mais ar e isso faz com que seu intestino fique distendido”, explica.

Além disso, o uso de suplementos também pode causar desconforto abdominal, pois o leite artificial não é degradado pelo estômago do recém-nascido, assim como ocorre em bebês com intolerância à lactose. Portanto, “apenas nesses casos, se a mãe tomar leite de vaca, o bebê poderá, sim, ter cólicas”, aponta o especialista.

Só que o fato de o cardápio escolhido pela mãe não interferir nas dores sentidas pela criança não é motivo para descuidar com a alimentação, pois o que a mãe ingerir contribuirá com o fator nutricional de seu leite. Então, é necessário sempre alimentar-se adequadamente, com variedade de frutas, verduras e bastante água.

“Não tem o bico do seio bem formado, então não vai conseguir amamentar”

A anatomia do bico do seio não interfere na sucção do bebê. “Tanto que até mesmo bicos invertidos ou planos conseguem sucesso na tarefa”, afirma o obstetra. Além disso, ele afirma que pacientes submetidas à cirurgia de redução no tamanho da mama também podem realizar o aleitamento normalmente. “Elas costumam ter mais dificuldade, devido a algumas lesões nos dutos que levam leite para o bebê, mas, mesmo assim, conseguem”, garante o médico, que aponta a dificuldade na pega como único motivo para o bebê não conseguir se alimentar.

Quando o bebê ainda não tem seis meses e falam:
“só mama no peito e não toma nem água nesse calor? Vai ficar com sede”

Ainda que alguns fiquem preocupados a respeito da hidratação do recém-nascido, principalmente durante o verão, a mãe pode ficar tranquila. Afinal, o leite materno tem quantidade de água suficiente para não deixar a criança de até seis meses com sede. “E, com o passar do tempo, o pediatra orientará a mãe a respeito do momento certo de introduzir água a esse bebê”, pontua o Rodrigues.

“Seu bebê tem mais de um ano e ainda mama? Acho que seu leite já deve estar fraco”

Esse é mais um palpite comum na galeria de mitos da amamentação, pois, segundo o coordenador do setor de obstetrícia do Hospital Evangélico, de Curitiba, não há leite fraco. “O que ocorre é que o leite produzido pela mãe terá complementação de nutrientes especifica para cada faixa etária da criança”.

Por isso, a indicação é que o recém-nascido se alimente apenas de leite materno até seis meses e inicie a ingestão de alimentos sólidos, como a papinha, a partir dessa idade. “Assim, ainda que o leite possa apresentar menor quantidade de nutrientes com o passar dos meses, não se tornará fraco para o bebê que também se alimenta fora”, afirma. “Lembrando que a amamentação é obrigatória no primeiro ano de vida”.

“Seu seio é tão pequeno. Será que tem leite mesmo?”

Ainda que muitos acreditem que mamas grandes dão mais leite, isso é mentira, pois o tamanho do seio não interfere na quantidade produzida. “Tem pacientes com mama pequena que são até doadoras de leite”, comenta o médico obstetra.

Segundo ele, o que faz diferença, na verdade, é o estímulo por meio da sucção realizada pelo bebê. “Então, quanto mais estimulada essa mama for ao colocar a criança no peito com a pega correta, mais leite essa mãe vai produzir”, garante o especialista, que também orienta as mulheres a tomarem muito líquido nessa fase.

“Você vai sofrer para amamentar, porque dói bastante!”

Para desespero das gestantes que ainda não chegaram à fase da amamentação, esse é o único comentário verdadeiro da nossa lista, pois o aleitamento realmente não é fácil. “A amamentação dói no início, mas a paciente vai acostumar, e esse contato com o bebê fará muita diferença para a saúde da criança e para a criação de vínculo com a mãe”, afirma o obstetra.

De acordo com ele, isso ocorre porque é por meio do leite materno que a criança recebe os nutrientes que precisa e cria imunidade contra doenças. Além disso, o contato da mãe com seu filho nesse momento é inexplicável e marca o relacionamento dos dois por toda a vida. Portanto, “é importante que a paciente insista bastante e tenha paciência. Afinal, a amamentação é uma doação”, finaliza.

Fonte: Raquel Derevecki/Gazeta do Povo

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