Educação e Cultura

Comércio de São Mateus do Sul resgata e valoriza a cultura polonesa

Fotos: Thaís Siqueira/Gazeta Informativa

Dia 1º deu-se início a 22ª Tradycje Polskie, o mês da cultura polonesa, celebrado em agosto. A cidade conta com uma programação especial durante todo mês, com palestras, exposições, celebrações e festas; tudo com o objetivo de resgatar e valorizar uma das principais bases históricas e culturais do município: a cultura polonesa.

De acordo com o presidente da Braspol, núcleo de São Mateus do Sul, Crisanto Cavalcante, o comércio local está correspondendo os anseios da Braspol: “Fomentando esta ideia de nos identificarmos com esta rica história e cultura! Isso cria um clima festivo e faz com que todos que por aqui passar, entendam que os poloneses construíram, apegados na fé e muito trabalho, este rico município, que tão bem acolhe a todos que aqui chegam”, diz.

Com o intuito de padronizar e criar uma identidade para o evento, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), de São Mateus do Sul, contribuiu com a criação de uma logomarca, através de sua publicitária Renata Santana e ofereceu para a apreciação dos integrantes da Braspol e demais entidades parceiras do evento. A aprovação foi unânime. “Ela expõe vários elementos da tradição polonesa, como o wycinanki que é uma antiga arte de recortar papel, os lambrequins e a dança, ao mesmo tempo em que se integra com o município pela representação do amor dos imigrantes a nossa terra, através do símbolo do coração e da cuia de chimarrão. A ideia de adesivar as vitrines dos comércios teve como objetivo uniformizar e profissionalizar a comunicação de divulgação e apoio ao evento. Cada empresa pôde utilizar as peças conforme o espaço que dispunha e usar da criatividade para incrementar a decoração. Observou-se um ‘contágio natural’ entre as empresas, organizações, escolas e pessoas, visto que a materialização do sentimento de amor a cultura polonesa através das peças publicitárias, ainda vem incentivando a adesão de apoio de muitos”, é o que conta a presidente da CDL, Ingrid Eliane Hoch Ulbrich.

Segundo Ingrid, são poucas as vezes que é possível assistir uma integração e união entre os setores da cidade. “Esse mérito é todo da Braspol que integrou toda a comunidade na organização e participação do Mês Polonês, do público ao privado, das entidades aos indivíduos, todos estão envolvidos e orgulhosos em poder contribuir. A CDL entende que esse é o caminho para que a cidade seja firmada com o título de ‘A Capital Polonesa do Paraná’ e seguir ao título de ‘A Capital Polonesa do Brasil’. O sentimento não foi imposto, nasceu e desperta naturalmente. Deve seguir ouvindo os mais velhos que são os verdadeiros mensageiros da nossa história e fazer brotar nas crianças o orgulho das nossas tradições. Enxergar essa vocação irá gerar inúmeros empreendimentos e transformações inovadoras para toda a comunidade, podendo encontrar no turismo uma nova fonte de oportunidades”, diz Ingrid.

A vitrine

Para Ingrid, a vitrine de uma loja tem o poder de levar informação aos transeuntes de uma cidade, muito além da sua real finalidade, que é expor produtos e atrair clientes para a empresa. “Ao abraçar a bandeira da valorização da cultura polonesa em nosso município, após um cordial convite da Braspol, a CDL vislumbrou esse potencial e tentou unir suas empresas associadas para manifestarem o seu apoio a essa vocação municipal e assim serem transformadas em agentes divulgadoras do Mês Polonês. A mensagem foi colorir as empresas com as cores da Polônia e a aceitação foi muito positiva. Algumas sementes lançadas no passado foram essenciais para o que colhemos hoje com a edição da 22ª Tradycje Polskie e que trarão novos e maiores benefícios no futuro”, conta.

Ingrid explica que a primeira e fundamental semente foi a união de integrantes da comunidade para criar o núcleo são-mateuense da Braspol, o qual incentivou com louvor a criação do Grupo Folclórico Polonês Karolinka. “O grupo tem sido de fundamental importância em despertar o orgulho das tradições em nosso município, além de levar o nome de nossa cidade para além das nossas fronteiras. As várias gestões do núcleo chegam a 2015 e uma importante semente foi novamente lançada: a integração de todos unidos em uma identidade visual. Daqui para frente, a comunidade pode buscar a sua profissionalização para que o evento possa se expandir em tamanho e alcance. Basta participar do Baile Polonês, este ano realizado no dia primeiro de agosto, nas dependências do CEPOM, para acreditar nesse sonho. A comunidade está pronta para recepcionar turistas e mostrar com alegria como é bom ser ‘100% Polaco’, com nossas danças, comidas e tradições”, diz Ingrid.

A CDL já realizou apenas concursos de vitrine de natal, em parceria com o Rotary Club, e Ingrid afirma que a ideia de um concurso de vitrine para o mês polonês é interessante e perfeitamente viável. Porém, a adesão voluntária, da mais simples a mais requintada, tem sempre o seu mérito multiplicado, visto que brotou de um sentimento às tradições de orgulho e inclusão à comunidade. “À medida que o evento cresce em participação muitas serão as formas de incentivo e inclusão. O essencial será que cada qual se sinta parte integrante do movimento de valorização das tradições polonesas e contribua dentro do que está ao seu alcance. O ganho será de todos”, conclui.

"Quem tem raízes não fica a deriva do vento...", diz Vitor Romério Nadolny,  comerciante.

“Quem tem raízes não fica a deriva do vento…”, diz Vitor Romério Nadolny,
comerciante.

Um exemplo de comércio que valoriza as tradições polonesas em São Mateus do Sul, é a revistaria Vitor’s & Cia (fotos). É a segunda vez que o proprietário da empresa e comerciante há 47 anos, Vitor Romério Nadolny, enfeita a vitrine, onde está exposto vários objetivos usados pelos antigos poloneses. “O objetivo da minha vitrine é relembrar o sofrimento que o povo polonês passou na época, pois não era fácil como é hoje. Antigamente as coisas eram muito mais difíceis. É bom reviver as dificuldades porque muitos jovens não sabem o que nossos antepassados passaram”, conta.

Além dos livros, bandeira da Polônia e do Brasil, poemas e quadros que lembram a cultura polonesa, Vitor Romério também colocou em exposição inúmeros objetos, como a alfanje (foice de cabo longo), marreta, cunha de ferro, serrote, miniatura de uma serraria, tudo doações e empréstimos de familiares e amigos, que relembram a dificuldade e cultura dos poloneses. “Muitas pessoas de outras cidades quando passam por aqui, param para tiram foto da vitrine e elogiam bastante”, conta.

Em 2011, durante a 20ª Tradycje Polskie, quando fez sua primeira vitrine, Vitor Romério conta que usou a vitrine maior, onde pode explorar melhor e colocar mais coisas. Só para se ter uma ideia, além de todos os objetos citados acima, também expôs outros objetos, só que com um diferencial, tinha um kit polonês, que vinha alguns alimentos da culinária polonesa, que o mesmo foi sorteado para um cliente da loja.

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