(Imagem Ilustrativa)

O tempo passou, fiquei mais velho, as pessoas queridas, que vieram antes de mim, também. Como a única coisa certa nesta vida é que um dia ela chega ao fim, é provável que em breve nem todos em minha família ou entre meus amigos, estejamos por aqui.

Não aproveitamos a vida como deveríamos aproveitar, ficando mais perto daqueles que queremos bem. Acabamos deixando muita coisa para o dia de amanhã e nem sempre ele chega. Quando chega, deixamos para o dia seguinte e assim a vida passa.

Isto tudo que escrevo é óbvio, muita gente já falou e escreveu sobre isso, mas arriscarei chover no molhado. Li um artigo onde um médico relatava os últimos meses que passou ao lado de sua mãe, uma paciente terminal de câncer. Ele afirmava que se você chega ao fim da vida cercado por pessoas que você gosta “é um sinal de que você forjou relacionamentos significativos e que você foi generoso com as pessoas”.

Dizia também que se você tem a possibilidade de morrer em casa, fazendo coisas simples, mas com afeto, é mais fácil superar a dor de uma doença ou de uma limitação, por exemplo.

No fim de uma vida, revisitar um álbum de fotografias, assistir novamente a um filme, jogar cartas ou simplesmente jogar conversa fora são grandes tesouros a compartilhar.

Faz bem relembrar e manter vivas as memórias. É uma forma de reconhecer a importância das pessoas nas vidas uma das outras, pois ao final, o que restará são justamente as memórias compartilhadas.

Mas a vida nem sempre é justa com quem cultivou amizades e cuidou mais do que foi cuidado. Muitas vezes o que nos falta é essa capacidade de memorizar. Também, nem sempre é possível cuidar, ficar mais próximo de alguém que tanto fez por nós. Assim, podemos nos sentir sós ou cultivando o sentimento da dívida.

Quanto sentimos culpa, nos questionamos se poderíamos ter feito algo para evitar uma doença ou a morte de alguém, se poderíamos ter dedicado mais tempo a determinada pessoa, ou ainda se deveríamos ter agido diferente em algum momento de nossas vidas em relação a elas. Ficar remoendo este sentimento de nada adianta.

Então, precisamos lembrar que a vida é feita de bons e maus momentos, podemos escolher lembrar os bons, fortalecendo o amor e a amizade enquanto há tempo, mesmo que o outro aparentemente e involuntariamente não perceba que você exista ou não o reconheça. Carinho, atenção, são bons sempre, em qualquer circunstância, mesmo com as mãos trêmulas.

Como encarar o fim de uma vida? Precisamos aprender ainda muito sobre isso. Talvez seja mais fácil encarar o fim quando sabemos que sempre há um propósito.

Se nos cabe uma nova chance, numa nova existência, que aprendamos com nossos erros e possamos fazer melhor ainda, com mais amor e dedicação.

Adnelson Borges de Campos
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